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A Historicidade Do Livro De Mórmon, Elder Dallin H. Oaks



Alguns que se intitulam Santos dos Últimos Dias crentes estão advogando que os Santos deviam "abandonar a afirmação de que [O Livro de Mórmon] é um registro histórico dos povos antigos das Américas" [1] Eles estão promovendo a possibilidade de se ler e usar o Livro de Mórmon como nada mais do que uma ficção piedosa com algum conteúdo valioso. Esses praticantes das chamadas "críticas mais elevadas" levantam a questão de se o Livro de Mórmon, que nossos profetas têm colocado como a escritura preeminente desta dispensação, é um fato ou uma fábula ou apenas estória.
A historicidade - autenticidade histórica - do Livro de Mórmon é uma questão tão fundamental que se coloca em primeiro lugar sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, que é o primeiro princípio em si, como em todos os demais assuntos. De fato, no concernente à historicidade do Livro de Mórmon, existem muitas questões subsidiárias que poderiam cada uma ser assunto de um livro. Não é meu propósito comentar qualquer dessas questões menores, igualmente aquelas que são ditas confirmarem o Livro de Mórmon ou aquelas que dizem, o desaprovam.
Aquelas questões menos importantes merecem atenção. Em discurso anterior a este grupo, Elder Neal A. Maxwell citou explicação de Austin Farrer:
Embora um argumento não crie convicção, a falta dele destrói a crença. O que parece provado pode não ser abraçado; mas aquilo que ninguém demonstra habilidade em defender é rapidamente abandonado. Argumento racional não produz crença, mas mantém um clima através do qual a crença pode florescer. (Austin Farrer, em C. S. Lewis.)
Dessas observações procurarei usar o argumento racional, mas não me fiarei em nenhuma prova. Eu tratarei a questão da historicidade do Livro de Mórmon do ponto de vista da fé e revelação. Sustento que a questão da historicidade do Livro de Mórmon é basicamente a diferença entre aqueles que fiam exclusivamente no conhecimento e aqueles que confiam numa combinação de conhecimento, fé e revelação. Aqueles que confiam exclusivamente no conhecimento rejeitam a revelação cumprem a profecia de Nefi de que nos últimos dias os homens "ensinarão com o seu saber e negarão o Espírito Santo, o qual inspira o que dizer." (2 Néfi 28:4). Os praticantes dessa assertiva focalizam tipicamente um limitado número de questões, tais como a geografia ou "cavalos" ou ministério de anjos ou modelos lingüísticos do século dezenove. Eles ignoram ou acham inacreditável a complexidade do registro do Livro de Mórmon. Aqueles que confiam no conhecimento, fé e revelação procuram olhar para o completo espectro das questões, conteúdo, tanto quanto o vocabulário, revelação igualmente a escavação - ( arqueologia.).
Falando por um instante como alguém cuja profissão é a advocacia, sugiro que, se alguém deseja conhecer a importância da fé e a realidade de um campo além da compreensão humana, o Livro de Mórmon é a hipótese de maior peso a ser debatida. A hipótese contrária à historicidade do Livro de Mórmon tem de provar-se negativa. Não se pode provar uma negativa por ater-se a apenas em um ponto do oponente ou por fundamentar-se em alguns argumentos subsidiários.
Para mim, essa introspecção óbvia leva de volta a mais de quarenta anos atrás, à primeira aula que recebi sobre o Livro de Mórmon, na BYU. A aula intitulava-se, um tanto audaciosamente, a "A Arqueologia do Livro de Mórmon". Em retrospecto acredito que ela deveria denominar-se algo como "Um Antropólogo Examina Alguns Objetos de Interesse para os Leitores do Livro de Mórmon". Aqui sou introduzido à idéia de que o Livro de Mórmon não é uma história de todo o povo que viveu nos continentes Norte e Sul Americanos em todas as idades da terra. Naquele tempo acreditei que assim fosse. Se essa fosse a afirmativa do Livro de Mórmon, qualquer pedaço de prova histórica, arqueológica ou lingüistica ao contrário pesaria contra o Livro de Mórmon, e aqueles que confiam exclusivamente em conhecimento teriam posição promissora com que argumentar.
Ao contrário, se o Livro de Mórmon significa apenas um registro de alguns povos que habitaram uma porção das Américas durante uns poucos milênios no passado, o peso da argumentação muda drasticamente. Não é mais uma questão de todos contra nenhum; é uma questão de alguns contra ninguém. Em outras palavras, nas circunstâncias que descrevo, os oponentes à historicidade têm de provar que o Livro de Mórmon não possui validade histórica para qualquer povo que viveu nas Américas em um dado período de tempo, um exercício notoriamente difícil. Não se pode prevalecer nessa proposição por provar-se que uma cultura esquimó particular representa a migração vinda da Ásia. Os oponentes da historicidade do Livro de Mórmon devem provar que os primeiros povos cuja vida religiosa ele registra não viveram em lugar algum das Américas.
Um outro modo de explicar a força positiva da posição sobre a historicidade do Livro de Mórmon é demonstrar que nós, seus proponentes, estamos satisfeitos com um impasse nessa questão. Investigação honesta concluirá que existem tantas provas de que o Livro de Mórmon é um texto antigo que eles não podem resolver a questão de forma aceitável contra sua autenticidade, a despeito de algumas questões não respondidas que parecem servir de suporte a sua determinação negativa. Nessa circunstância, os proponentes do Livro de Mórmon podem sentar-se para uma ação ou um jure incapaz de chegar a um veredicto sobre a questão da historicidade e manter uma continuidade até que a controvérsia possa ser levada a outro fórum.
De fato, é nossa posição que provas seculares não podem quer provar ou desaprovar a autenticidade do Livro de Mórmon. Sua autenticidade depende, como ele mesmo diz, de um testemunho do Espírito Santo. Nosso lado jogará até para um empate, mas aqueles que negam a historicidade do Livro de Mórmon não podem sentar-se para um empate. Eles podem tentar anular a autenticidade de sua historicidade - ou eles parecem sentir uma necessidade em assim fazer - e nisto não têm sucesso porque mesmo a prova secular, vista em sua totalidade, é muito complexa para tanto.
Hugh Nibley estabeleceu um ponto relacionado quando escreveu:
A primeira regra para a crítica histórica em lidando com o Livro de Mórmon ou qualquer outro texto antigo é, jamais supersimplificar. Devido a todo seu estilo básico e narrativa direta, esta história está repleta, como poucas outras estão, com uma estonteante riqueza de detalhes que escapa completamente ao leitor casual... Somente preguiça e vaidade leva um estudante à precipitada convicção de que ele tem a última palavra sobre o que o Livro de Mormon contém. (2)
Abrindo um parênteses, eu citaria como ilustração desse ponto a língua, a cultura e a matéria descrita em apoio à autenticidade do Livro de Mórmon encontrada na edição persuasiva de Orson Scott Card, "O Livro de Mórmon - Artefato ou Artífice?" (3)
Admiro aqueles estudiosos para quem conhecimento não exclui fé e revelação. Faz parte de minha fé e experiência que o Criador espera que nós usemos o poder do raciocínio como nos concedeu, e que ele também espera que exercitemos nosso dom divino de fé e cultivemos nossa capacidade de ensinar através de revelação divina. Mas essas coisas não vêm sem busca. Aqueles que utilizam o conhecimento e desprezam fé e revelação deveriam ponderar a pergunta do Salvador: Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem de Deus?" (João 5:44).
Deus nos convida a arrazoar com Ele, mas acho significativo que o arrazoar a que Deus nos convida está ligado a realidades espirituais e maturidade mais do que descobertas oriundas do conhecimento ou credenciais. Três vezes nas revelações modernas o Senhor falou a respeito de arrazoar com seu povo. (D&C 45:10, 15; 50:10-12; 61:13; também vejam Isaías 1:18.) É significativo que todas essas revelações foram dirigidas a pessoas que já haviam feito convênio com o Senhor - aos elderes de Israel e aos membros de sua Igreja Restaurada.
Na primeira dessas revelações o Senhor disse que Ele havia enviado seu convênio eterno ao mundo, para ser uma luz para o mundo, um estandarte para seu povo. "Portanto entrai nele; e com aquele que vier eu arrazoarei, como fiz com os homens em dias passados; e mostrar-vos-ei meu forte argumento." (D&C 45:10). Assim, essa oferta divina de arrazoar foi dirigida àqueles que haviam demonstrado fé em Deus, que haviam se arrependido de seus pecados, que haviam feito convênios sagrados com o Senhor nas águas do batismo, e que receberam o Espírito Santo, que testifica do Pai e do Filho e guia-nos à verdade. Esse era o grupo a quem o Senhor ofereceu (e oferece) para ampliar sua compreensão através do raciocínio e da revelação.
Alguns críticos dos santos dos últimos dias que negam a historicidade do Livro de Mórmon procuram tornar suas interpretações propostas persuasivas aos Santos por elogiarem ou afirmarem o valor de parte do conteúdo do livro. Aqueles que aceitam essa interpretação assumem a significativa carga de explicar como eles podem exaltar o conteúdo de um livro que descartam como sendo uma fábula. Jamais consegui compreender interpretação semelhante com referência à divindade do Salvador. Como sabemos, alguns estudiosos e alguns ministros proclamam-No um grande mestre e a seguir têm de explicar como alguém que deu tão sublimes ensinamentos poderia proclamar a si mesmo (falsamente, dizem) ser o Filho de Deus que seria ressuscitado dos mortos.
Os críticos com novo estilo enfrentam o mesmo problema com o Livro de Mórmon. Por exemplo, temos de afirmar o valor dos ensinamentos registrados com o nome de um homem chamado Moroni, mas se esses ensinamentos têm valor, como explicar essas afirmações também atribuídas a esse homem?
E se há falhas (nesse registro) serão falhas de um homem. Mas eis que não conhecemos falha alguma; não obstante, Deus conhece todas as coisas; portanto, aquele que condena, que tenha cuidado para não se expor ao perigo do fogo do inferno. (Mormon 8:17).
E exorto-vos a que recordeis estas coisas; porque se aproxima rapidamente a hora em que sabereis que não minto, pois ver-me-eis no tribunal de Deus; e o Senhor Deus dir-vos-á: não vos anunciei minhas palavras, que foram escritas por este homem como alguém que clamasse dentre os mortos, sim, como alguém que falasse do pó? (Moro.10:27).
Há algo estranho com relação a aceitar-se a moral ou o conteúdo religioso de um livro enquanto se rejeita a veracidade das declarações, predições e afirmações de seu autor. Essa interpretação não apenas rejeita os conceitos de fé e revelação que o Livro de Mórmon explica e advoga. Essa interpretação nem mesmo representa bom conhecimento.
Neste ponto não posso resistir em recordar as palavras de um valoroso colega e amigo, já falecido. Esse famoso Professor de Direito disse a uma classe de primeiro ano de uma Faculdade de Direito da Universidade de Chicago que juntamente com tudo o mais, um advogado deve ser também um estudioso. E continuou:
Que isso tem seu encanto será recordado a vocês pelas palavra de um velho estudioso judeu: "Lixo é lixo; mas a história do lixo - isso é conhecimento". (4)
Essa fascinante ilustração nos relembra que conhecimento pode pegar o que é mundano e torná-lo sublime. Assim como essa história do lixo. Mas conhecimento, assim denominado, pode também pegar o sublime e torná-lo mundano. Dessarte, meu amigo poderia ter ilustrado seu ponto de vista por dizer, "Milagres são apenas fábulas, mas a história dos milagres, isso é conhecimento." Assim também com o Livro de Mórmon. Aqueles que apenas respeitam este livro como um objeto de conhecimento têm uma perspectiva muito diferente daqueles que o acatam como a palavra revelada de Deus.
Conhecimento e provas físicas são valores universais. Compreendo seu valor, e tenho tido alguma experiência com o uso deles. Tais técnicas falam a muitos segundo sua maneira de compreensão. Mas existem outros métodos e valores, também, e não devemos estar comprometidos com conhecimento que nos leve a fechar nossos olhos e ouvidos e corações àquilo que não pode ser demonstrado pelo conhecimento ou defendido de acordo com provas físicas e raciocínio intelectual.
Para citar outra ilustração, história - até mesmo a história da Igreja - não é redutível a economia ou geografia ou sociologia, embora cada uma dessas disciplinas tenham algo a ensinar quanto a este assunto. Sobre o assunto história, o Presidente Gordon B. Hinckley comentou a respeito dos críticos que espalham informação aviltante e depreciativa a respeito de nossos antepassados.
Reconhecemos que nossos antepassados eram humanos. Sem dúvida cometeram erros... Mas os erros eram de somenos importância, quando comparados com o trabalho maravilhoso que realizaram. Para realçar os erros e interpretar além do maior bem é o mesmo que desenhar uma caricatura. Caricaturas são interessantes, mas são freqüentemente feias e desonestas. Um homem pode ter uma mancha em sua face e ainda ter uma face bonita e forte, mas se a mancha for enfatizada indevidamente com relação a suas outras feições, o retrato estará carente de integridade...
Não temo a verdade. Eu a faço bem-vinda. Mas quero todos os meus atos em seu próprio contexto, com ênfase naqueles elementos que explicam o grande crescimento e poder desta organização. (5)
No capítulo 16 de Mateus, lemos como Jesus ensinou a Pedro o importante contraste entre agir-se sobre o testemunho do Espírito e agir sobre raciocínio dependente da maneira do mundo.
E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipo, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?
E eles disseram: Uns João Batista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos Profetas.
Disse-lhes Ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está no Céu.
Então mandou seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo. (Mateus 16:13-17, 20).
Esse foi o ensinamento do Senhor sobre o valor da revelação pelo Espírito ("Bem-aventurado és tu, Simão Barjona"). Nos três versículos seguintes desse mesmo capítulo 16 de Mateus temos o ensinamento severo do Salvador sobre o contrastante valor do raciocínio desse mesmo apóstolo com relação aos valores mundanos:
Desde então começou Jesus a mostrar a seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo: Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso.
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, porque me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. ( versículos 21-23).
Sugiro que fazemos a mesma coisa e merecemos a mesma repreensão como Pedro, sempre que submetemos um testemunho do Espírito ("as coisas que são de Deus") às obras de estudiosos ou ao produto de nosso próprio raciocínio baseado nos valores do mundo (as coisas que "são dos homens").
O raciocínio humano não pode colocar limites a Deus ou diluir a força dos mandamentos e revelações divinos. Pessoas que permitem que isso aconteça identificam-se com os descrentes nefitas que rejeitaram o profeta Samuel. O Livro de Mórmon diz, "Eles começaram a discutir e a discordar entre si, dizendo: Não é razoável que venha alguém como um Cristo"; (Hel.16:17-18). Pessoas que praticam esse tipo de "raciocínio" negam a si mesmos a escolha da experiência que alguém descreveu como nosso coração nos dizendo coisas que nossa mente não conhece. (6)
Tristemente, alguns Santos dos Últimos Dias ridicularizam outros por sua confiança em revelação. Tal ridículo tende a proceder daqueles cujas credenciais acadêmicas são elevadas, mas possuem credenciais espirituais baixas. (7).
O maior significado do Livro de Mórmon é seu testemunho sobre Jesus Cristo como o unigênito de Deus o Pai Eterno que nos redime e salva da morte e pecado. Se um registro ergue-se como preeminente testemunha de Jesus Cristo, como pode não fazer qualquer diferença se o registro é um fato ou uma fábula - se as pessoas realmente viveram e profetizaram de Cristo e foram testemunhas oculares de sua aparição a eles?
Enquanto Jack Welch e eu discutimos o tópico de meu discurso esta manhã, ele observou que essa nova onda de anti-historicidade "pode ser uma nova caçoada na área de Salt Lake City, mas ela tem estado presente em um grande número de outros vizinhanças cristãs por várias décadas."
Em verdade! O argumento de que não faz diferença se o Livro de Mórmon é um fato ou uma fábula é certamente irmão do argumento de que não faz diferença se Jesus Cristo jamais viveu. Com sabemos, existem muitos mestres pseudocristãos que esposam os ensinos e negam o Mestre. Além disso, existem aqueles que até mesmo negam a existência ou o conhecimento de Deus. Sua parte no Mormonismo abraça alguns ensinamentos do Livro de Mórmon mas nega sua historicidade.
Há dois meses, quando eu estava examinando a revista Cronicles, publicada por Rockford Institute (da qual fui diretor por cerca de 15 anos), fui atraído pelo título de uma crítica literária, "Quem precisa de um Jesus Histórico?", (8) e a formidável reputação de seu autor. Jacob Neusner, que é Doutor, Rabi e Professor, fez a crítica de dois livros cujos títulos incluem as palavras "Jesus histórico". Seus comentários são persuasivos quanto ao assunto da historicidade em geral.
Neusner preza esses dois livros, um deles "um livro imensamente poderoso e poético... escrito por um grande escritor que é também um estudioso original e de peso" e o outro "uma obra prima de sabedoria". Não obstante seus tributos à técnica deles, Neusner de forma direta desafia a conveniência do esforço que os autores se impuseram. Seu esforço, típico no mundo dos estudiosos hoje em dia, foi o de usar uma leitura céptica das escrituras mais do que a de um crente, a fim de apresentar um estudo histórico que "distinguiria o fato da ficção, o mito da lenda de acontecimentos autênticos." Em assim procedendo, a leitura céptica dos evangelhos" levou-os a admitir que o Jesus dos Evangelhos não é o Jesus que realmente viveu. Isso ainda lhes causou a suposição de que os historiadores podem conhecer a diferença.
Na descrição seguinte eu tomei a liberdade de parafrasear a crítica de Neusner. Cito, então, suas conclusões:
Nenhum trabalho histórico explica a si mesmo de modo tão sem ingenuidade quanto o trabalho a respeito do Jesus histórico: do começo, meio e fim, a questão é teológica. (9)
Certamente nenhuma questão guarda implicações teológicas mais profundas para os cristãos do que o que a pessoa que acredita ser a incarnação real de Deus, de fato, verdadeiramente falou e realizou aqui na terra. O método histórico, entretanto, que nada conhece do sobrenatural e olha para os milagres com estupefação sem reservas, supõe poder contestá-los. (10)
Demonstrações, entretanto, (históricas ou qualquer outra) a respeito dos fundadores de religião apresentam uma verdade de uma outra espécie. Tais demonstrações não apenas difundem implicações de maior peso, mas elas apelam para fontes distintas da espécie que registram o que George Washington fez certo dia em 1775. Elas são baseadas sobre revelação, não em mera informação; elas clamam, e todos que as valorizam acreditam, que têm sua origem na revelação de Deus ou na inspiração. Esperar que os Evangelhos dêem histórico mais do que verdades evangélicas confunde a verdade teológica com fato histórico, rebaixando-os à medida deste mundo, tratando Jesus precisamente como o oposto do que a cristandade O tem sempre aceitado como sendo, o que é único.
Quando falamos a respeito do "Jesus histórico", todavia, nós dissecamos um assunto sagrado com um bisturi secular, e na confusão das categorias da verdade o paciente morre na mesa de operação; o cirurgião esquece porque fôra feita a incisão; remove o coração e negligencia sua colocação de volta. A afirmação "Um e um são dois", ou "A Convenção Constitucional reuniu-se em 1787", simplesmente não são da mesma ordem que "Moisés recebeu o Torah no Sinai" ou "Jesus Cristo é o Filho de Deus".
O que a evidência histórica pode nos dizer se alguém realmente ressurgiu da morte, ou o que Deus disse ao profeta no Sinai? Não consigo identificar um método histórico igual ao trabalho de examinar o clamor de que o Filho de Deus nasceu de uma virgem. E como os historiadores acostumados a explicar as causas da Guerra Civil falam de milagres, ou os homens ressurgindo da morte, e de outros assuntos relacionados à crença estrangeira? Historiadores trabalhando com casos de milagres produzem algo semelhante ao parafrasear da fé, indiferente a ela, ou meramente simplório. Em seu trabalho nada temos além de teologia mascarada de "história crítica". Se eu fosse um cristão, eu perguntaria porque a coroa da ciência tem agora de ser colocada sobre a cabeça de Jesus reduzido a esta dimensão mundana, acrescentando que aqui está apenas uma outra coroa de espinhos. Em minha visão de Rabi, digo apenas que esses livros são simplesmente monumentalmente irrelevantes. (11)
Desculpem-me por sobrecarregar vocês com esta longa citação, mas espero que concordem com minha conclusão e que o que o Rabi/Professor disse a respeito do Jesus histórico é tão pertinente e persuasivo sobre a questão da historicidade do Livro de Mórmon. (12)
A fim de esclarecer rapidamente, um estudioso expert é um especialista em determinada disciplina. Por definição, ele conhece tudo ou quase tudo a respeito do reduzido campo da experiência humana. Achar que ele nos pode falar algo sobre outra disciplina acadêmica, - esqueça a respeito dos propósitos de Deus e o esquema eterno das coisas, - é no mínimo ingênuo.
Bons estudiosos compreendem as limitações de seus próprios campos, e suas conclusões são cuidadosamente limitadas às áreas de sua experiência. Nesse contexto lembro-me a observação relatada de um velho advogado. À medida que viajavam através de um acampamento pastoril com vacas pastando nos prados verdejantes, um conhecido disse, "Vejam aquelas vacas pintadas". O cauteloso advogado observou cuidadosamente e replicou, "Sim, aquelas vacas estão pintadas, pelo menos deste lado"1. Eu gostaria que todos os críticos do Livro de Mórmon, incluindo aqueles que se sentem compelidos a questionar sua historicidade, fossem pelo menos metade cautelosos a respeito de suas conclusões acadêmicas.
Nesta mensagem ofereci alguns pensamentos a respeito de meia dúzia de assuntos relacionados à historicidade do Livro de Mórmon.
1 - Sobre este assunto, e em muitos outros envolvendo nossa fé e teologia, é importante confiar na fé e revelação tanto quanto no conhecimento.
2 - Estou convencido que a prova secular nada pode provar ou desaprovar a autenticidade do Livro de Mórmon.
3 - Aqueles que negam a historicidade do Livro de Mórmon têm uma difícil tarefa para tentar provar sua negativa. Eles têm também o embaraçoso dever de explicar como eles podem descartar o Livro de Mórmon como sendo uma fábula enquanto prezam algo de seu conteúdo.
4 - Sabemos através da Bíblia que Jesus ensinou seus Apóstolos que, quanto ao importante assunto relativo à sua identidade e missão eles eram "abençoados" por confiar no testemunho da revelação ( "as coisas que são de Deus") e sua ofensa a Ele por agirem de acordo com os valores mundanos de raciocínio ("as cloisas... que são dos homens") (Mat.16:23).
5 - Aqueles estudiosos que confiam na fé e revelação tanto quanto no conhecimento e que aceitam a autenticidade do Livro de Mórmon devem suportar a ridicularização vinda daqueles que desdenham as coisas de Deus.
6 - Também ilustrei que nem todos os estudiosos desdenham o valor da crença religiosa e a legitimidade do sobrenatural quando aplicada à verdade teológica. Alguns até mesmo criticam o "provincialismo intelectual" daqueles que aplicam os métodos de crítica histórica ao Livro de Mórmon.
Encerro com um pensamento sobre diversidade. Diversidade é uma das palavras sonantes de nosso tempo. Apropriadamente usada, é um conceito maravilhoso que encoraja harmonia, amor, e crescimento individual. Mas tal como seu conceito associado de tolerância, ela pode ser mal aplicada para detrimento ou destruição de seus proponentes bem como daqueles à sua volta.
Quanto de tolerância devemos mostrar diante do mal? Toleramos linguagem obscena no púlpito? Que tal doutrina falsa? Deveríamos praticar diversidade em nossos valores pessoais ou associações íntimas?
Se tolerância e diversidade são para ativar seu propósito exaltado, devem ser praticadas inteiramente, em espírito de oração e seletividade, não de forma simples e absoluta. Seria bom se todos que publicamente exaltam a diversidade juntasse uma curta explicação para esclarecer "diversidade em que".
A respeito deste assunto aplaudo as palavras de Patrícia B.Grey de Provo em carta recente enviada ao editor do jornal Deseret News, do dia 20 de outubro de 1993. Sua carta começa por observar que a palavra diversidade, como usada em recentes comunicados públicos, reflete mais "do pensamento político moderno do que revela a verdade." Sua carta continua:
Certamente "Deus estima a diversidade" em quase tudo - exceto na lealdade e crença de Seus seguidores. A Igreja dos Santos do Últimos Dias existe devido à Sua evidente rejeição da diversidade de crenças.
Um rápido exame das escrituras não encontra apoio para tal diversidade dentro da igreja. Ao contrário existe mais de 4~ convites para unificação, incluindo "se vós não sois um vós não são meus."
Amor e compaixão pelo pecador não permite à igreja ignorar premeditadas e repetidas rebeliões (69 referências escriturísticas) ... Rebelião aberta é seguramente um pecado, tanto quanto maldizer alguém pelas costas (15 referências), controvérsias (34 referências) e mais.
Naturalmente a maioria de nós às vezes temos pensamentos rebeldes, dúvidas, tentações, sentimentos de que sabemos melhor do que nossos líderes. A maioria de nós, todavia, resolve isso sem levá-los a público, iniciando controvérsia e desafiando a fé dos outros, ou por convocar uma conferência na mídia....
Não pretendo falar pela Igreja, mas talvez eu represente os milhares de pessoas inteligentes, independentes, cujas almas reagem ao poder espiritual da conferência geral mais do que o exercício mental do Simpósio Sunstone. (13)
Irmãos e irmãs, quão grato somos - todos nós que confiamos no conhecimento, fé e revelação - em busca do que estão fazendo. Que Deus abençoe os fundadores, os que apoiam e trabalham pela Foundation for Ancient Research and Mormon Studies. O trabalho que fazem é importante, é bem conhecido e apreciado.
Testifico de Jesus Cristo, a quem servimos, cuja Igreja é esta. Invoco suas bênçãos sobre vocês, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reconheço as valorosas sugestões a respeito deste assunto, oferecidas pelo Professor John W. Welch.
(1) Anthony A. Hutchinson, "The Word of God is Enough: The Book of Mormon as Nineteenth-Century Scripture", New Approaches to the Book of Mormon (Salt Lake City, Utah: Signature Books, 1993) p.1.
(2) Hugh Nibley, Capítulo 5 de O Mundo dos Jareditas, nas Coletânea das Obras de Hugh Nebley, vol. 5 (Salt Lake City: Deseret Book Co., 1988) p.237.
(3) Orson Scott Card, Um Contado de Histórias em Sião (Salt Lake City: Bookcraft, 1993), pp.13-15.
(4) Paul M. Bator, "Discurso à Classe de Primeiro Ano", The Law School Record, vol. 35, Primavera de 1989, p. 7.
(5) Em Conference Report, Outubro de 1983, p.68; Ensign, novembro de 1983, p.46.
(6) Veja Harold B. Lee, Stand Ye in Holy Places, (Salt Lake City: Deseret Book Co., 1974), p.92.
(7) E.g. veja comentários em Dialogue, vol. 26, no.2, Verão de 1993, pp. 211-12.
(8) Crônicas, Julho de 1993, pp. 32-34.
(9) Ibid., p.34.
(10) Ibid., p.32.
(11) Ibid., pp.32-33.
(12) Neusner aparentemente concorda. Veja sua carta ao editor em Sunstone, julho de 1993. Pp. 7-8.
(13) Deseret News, 20 de outubro de 1993, p. A23.
1. - Podia ser que do outro lado as vacas não fossem pintadas. N.T.


Share/Bookmark ~ quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 0 Comentários

A Preparação para a Segunda Vinda, Élder Dallin H. Oaks


Na revelação moderna, temos a promessa de que se estivermos preparados não precisaremos temer. (Ver D&C 38:30.) Meu primeiro contato com esse princípio foi há 60 anos, quando me tornei escoteiro e aprendi o lema: “Esteja preparado”. Hoje, senti que deveria falar sobre a necessidade da preparação para um evento futuro, de suprema importância para cada um de nós: a Segunda Vinda do Senhor.


As escrituras estão repletas de referências sobre a Segunda Vinda, um acontecimento ansiosamente esperado pelos justos, mas que os iníquos temem ou rejeitam. Os fiéis de todas as épocas refletiram a respeito da seqüência e do significado dos diversos eventos que foram profetizados, tanto os que ocorreriam antes, como aqueles que ocorreriam depois desse marco na história do mundo.

Quatro fatos são indiscutíveis para os santos dos últimos dias: (1) O Salvador retornará à Terra em poder e grande glória para reinar pessoalmente durante um milênio de retidão e paz. (2) Na época de Sua vinda, os iníquos serão destruídos e os justos ressuscitarão. (3) Ninguém sabe quando Ele virá, mas (4) os justos são instruídos a estudar os sinais da Segunda Vinda e a preparar-se para ela. Gostaria de falar a respeito do quarto item dessa lista: os sinais da Segunda Vinda e o que devemos fazer para nos preparar para este evento.

I.

O Senhor declarou: “Aquele que me teme estará esperando que venha o grande dia do Senhor, sim, os sinais da vinda do Filho do Homem”, sinais que serão mostrados “em cima nos céus e embaixo na Terra”. (D&C 45:39–40)

O Salvador ensinou a esse respeito na parábola da figueira cujos ramos tenros mostram que o verão está próximo. “Igualmente”, quando os eleitos virem os sinais de Sua vinda, “[saberão] que ele está próximo, às portas”. (Joseph Smith—Mateus 1:38–39; ver também Mateus 24:32–33; D&C 45:37–38.)

As profecias bíblicas e as modernas falam de muitos sinais da Segunda Vinda, como estes:

1. A plenitude do evangelho será restaurada e pregada a todo o mundo como testemunho para todas as nações;

2. Falsos Cristos e falsos profetas enganarão a muitos;

3. Guerras e rumores de guerras, uma nação contra a outra;

4. Terremotos em diversos lugares;

5. Fome e doenças;

6. Uma praga terrível; uma doença desoladora cobrirá a terra;

7. A iniqüidade irá multiplicar-se;

8. A Terra estará em tumulto;

9. O coração dos homens falhará.

(Ver Mateus 24:5–15; Joseph Smith—Mateus 1:22, 28–32; D&C 45:26–33.)

Numa outra revelação, o Senhor declara que alguns desses sinais representam Sua voz chamando Seu povo ao arrependimento:

“Escutai, ó nações da Terra, e ouvi as palavras do Deus que vos criou. (…)

Quantas vezes vos chamei pela boca de meus servos e pelo ministério de anjos e por minha própria voz; e pela voz de trovões e pela voz de relâmpagos e pela voz da tempestade; e pela voz dos terremotos e grandes chuvas de pedra; e pela voz da fome e pestilências de toda espécie, (…)[e] quis salvar-vos com salvação eterna, mas vós não o quisestes!” (D&C 43:23, 25)

Esses sinais da Segunda Vinda estão todos ao nosso redor e parecem cada vez maiores e mais freqüentes. Por exemplo, no The World Almanac and Book of Facts 2004 [O Almanaque Mundial e o Livro dos Fatos 2004], a lista dos maiores terremotos duplicou nas décadas de 1980 e 1990, se comparados às duas décadas anteriores (pp. 189–190). Ele indica também um aumento significativo dos mesmos nos primeiros anos deste século. A lista das grandes enchentes e ondas gigantescas provocadas por maremotos, dos furacões, tufões e tempestades de neve no mundo todo também cresceu nos últimos anos (pp.188–189). Esses aumentos podem ser ignorados hoje, devido a mudanças no critério usado para medir essas catástrofes há 50 anos, mas o número crescente de desastres naturais nas últimas décadas é assustador.

II.

Outro sinal dos tempos é a coligação dos fiéis. (Ver D&C 133:4.) Nos primeiros anos desta última dispensação, a coligação de Sião abrangia algumas localidades nos Estados Unidos: as pessoas se dirigiam a Kirtland, Missouri, Nauvoo e ao cume dos montes. Essas reuniões sempre levavam à provável construção de templos. Com a criação das estacas e a construção dos templos na maioria dos países onde há um grande número de membros da Igreja, o mandamento atual não é mais de se reunirem num só local, mas de congregarem-se em estacas no seu próprio país. Ali podem desfrutar de todas as bênçãos da eternidade na casa do Senhor. Em seu próprio país, podem obedecer ao mandamento do Senhor de fazer crescer o povo do Senhor e fortalecer suas estacas. (Ver D&C 101:21; 133:9, 14.) Dessa forma, as estacas de Sião são “uma defesa e um refúgio contra a tempestade e contra a ira, quando for derramada, sem mistura, sobre toda a Terra”. (D&C 115:6)

III.

Embora sejamos impotentes para alterar o fato da Segunda Vinda e incapazes de saber exatamente quando ela ocorrerá, podemos acelerar nossa própria preparação e tentar influenciar a preparação daqueles que nos rodeiam.

Uma parábola que contém um ensinamento importante sobre esse assunto, porém difícil de se colocar em prática, é a parábola das dez virgens. Sobre essa parábola, o Senhor disse: “E nesse dia, quando eu vier em minha glória, cumprir-se-á a parábola de que falei, concernente às dez virgens”. (D&C 45:56)

Essa parábola, no capítulo 25 de Mateus, mostra o contraste entre a situação das cinco virgens loucas e das cinco prudentes. Todas as dez foram convidadas para a festa de casamento, mas apenas metade delas estava preparada com óleo em sua lâmpada quando o noivo chegou. As cinco que estavam preparadas entraram para a festa, e a porta foi fechada. As outras cinco que não se prepararam chegaram depois. A porta fora fechada, e o Senhor não permitiu que entrassem, dizendo: “[vos] não conheço”. (v. 12) “Vigiai”, conclui o Salvador, “porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir”. (v. 13)

A mensagem dessa parábola é assustadora. As dez virgens obviamente representam os membros da Igreja de Cristo, pois todas foram convidadas para a festa de casamento e sabiam o que lhes seria exigido para poderem entrar quando o noivo chegasse. Mas apenas a metade estava preparada quando Ele veio.

A revelação moderna contém o seguinte ensinamento, dado pelo Senhor aos primeiros líderes da Igreja:

“E depois de vosso testemunho vêm ira e indignação sobre o povo.

Pois depois de vosso testemunho vem o testemunho de terremotos, (…)

E (…) o testemunho da voz de trovões e da voz de relâmpagos e da voz de tempestades e da voz das ondas do mar, arremessando-se além de seus limites.

E todas as coisas estarão tumultuadas; e certamente o coração dos homens lhes falhará; pois o temor tomará conta de todos.

E anjos voarão pelo meio do céu, clamando em alta voz, soando a trombeta de Deus, dizendo: Preparai-vos, preparai-vos, ó habitantes da Terra; pois é chegado o julgamento de nosso Deus. Eis que vem o Esposo; saí para encontrá-lo.” (D&C 88:88–92)

IV.

Irmãos e irmãs, como ensina o Livro de Mórmon, “esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para encontrar Deus; (…) o dia desta vida é o dia para os homens executarem os seus labores”. (Alma 34:32) Estamos nos preparando?

Em Seu prefácio das revelações modernas o Senhor declara: “Preparai-vos, preparai-vos para o que está para vir, porque o Senhor está perto”. (D&C 1:12)

O Senhor também advertiu: “Sim, que o clamor alcance todos os povos: Despertai e erguei-vos e saí ao encontro do Esposo; eis que o Esposo vem; saí para encontrá-lo. Preparai-vos para o grande dia do Senhor.” (D&C 133:10; ver também D&C 34:6.)

Somos sempre lembrados do fato de que não sabemos o dia nem a hora de Sua vinda. No capítulo 24 de Mateus, Jesus ensinou:

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.” (Mateus 24:42–44) “Mas estaria preparado.” (Joseph Smith—Mateus 1:47)

“Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis”. (Mateus 24:42–44; ver também D&C 51:20.)

E se esse dia fosse amanhã? Se soubéssemos que iríamos encontrar o Senhor amanhã—devido a uma morte prematura ou por causa de Sua vinda inesperada—o que faríamos hoje? Que confissões faríamos? O que deixaríamos de fazer? Que problemas de relacionamento teríamos que solucionar? A quem perdoaríamos? Que testemunhos iríamos prestar?

Se faríamos essas coisas nessa ocasião, por que não agora? Por que não buscar a paz enquanto podemos encontrá-la? Se nossas lâmpadas de preparação estão quase vazias, vamos repor o óleo imediatamente.

Precisamos preparar-nos tanto física como espiritualmente para os eventos profetizados para a Segunda Vinda. A preparação que normalmente negligenciamos é aquela menos visível e a mais difícil—a espiritual. Um kit de suprimentos para 72 horas pode ser muito importante em situações de emergência no plano material, mas, como aprenderam as virgens loucas, para sua tristeza, um kit de preparação espiritual de 24 horas tem um valor muito maior e muito mais duradouro.

V.

Estamos vivendo na época profetizada “em que a paz será tirada da Terra” (D&C 1:35), em que “todas as coisas estarão tumultuadas” e “o coração dos homens lhes falhará”. (D&C 88:91) Há muitas causas temporais para o tumulto, tais como guerras e desastres naturais, mas a maior causa de tumulto nos dias de hoje é a situação espiritual das pessoas.

Se examinarmos o que acontece ao nosso redor com lentes espirituais e sob uma perspectiva eterna, vemos o cumprimento da profecia de que “o diabo terá poder sobre seu próprio domínio”. (D&C 1:35) Nosso hino diz que “as hostes inimigas se aprestam a lutar”, e é verdade. (“Juventude da Promessa”, Hinos, nº 182, 2ª estrofe.)

O mal que costumava ficar escondido e restrito a certos locais, hoje é exibido com orgulho. As raízes e os baluartes da civilização estão sendo questionados e atacados. Os países rejeitam sua herança religiosa. As responsabilidades ligadas ao casamento e à família são desprezadas por representarem obstáculos à satisfação pessoal. Os filmes, as revistas e a televisão que moldam nossas atitudes estão repletos de histórias e imagens que retratam os filhos de Deus como animais hostis ou, quando muito, como um ser trivial em busca de pouco mais do que mero prazer. E muitos de nós aceitam isso como entretenimento.

Os homens e mulheres que se sacrificaram heroicamente para combater os governos iníquos no passado foram moldados por valores que estão desaparecendo das escolas públicas. O bom, o verdadeiro e o belo estão sendo substituídos pelo ruim, pela indiferença e pela extravagância. Não é de se admirar que muitos de nossos jovens e adultos estejam envolvidos com pornografia, coloquem piercing em várias partes do corpo, busquem egoisticamente satisfazer seus desejos, comportem-se de modo desonesto, vistam roupas fora do padrão, usem linguagem obscena e busquem prazer sexual degradante.

Um número cada vez maior de pessoas influentes na opinião pública e seus adeptos negam a existência do Deus de Abraão, Isaque e Jacó e reverenciam apenas os deuses do secularismo. Muitas que têm poder e influência negam o certo e o errado definido por decreto divino. Mesmo entre aqueles que professam acreditar no certo e no errado, há “os que ao mal chamam bem, e ao bem mal”. (Isaías 5:20; 2 Néfi 15:20) Muitos também negam a responsabilidade individual e são dependentes dos outros, procurando, como as virgens loucas, viver de coisas emprestadas e luz emprestada.

Tudo isso é lamentável à vista do Pai Celestial, que ama todos os Seus filhos e proíbe qualquer coisa que impeça qualquer pessoa de voltar a Sua presença.

Qual é a situação de nossa preparação pessoal para a vida eterna? O povo de Deus sempre foi um povo que faz convênios. Até que ponto estamos cumprindo esses convênios, inclusive as promessas sagradas que fizemos nas águas do batismo, ao receber o santo sacerdócio e ao entrarmos nos templos de Deus? Somos pessoas que prometem, mas não cumprem, que crêem, mas não praticam?

Estamos obedecendo ao mandamento do Senhor que diz: “Permanecei em lugares santos e não sejais movidos até que venha o dia do Senhor; pois eis que depressa vem”? (D&C 87:8) Quais são esses “lugares santos”? Com certeza incluem o templo e seus convênios cumpridos fielmente. Sem dúvida refere-se ao lar onde os filhos são amados e os pais são respeitados. Incluem também nossos chamados e responsabilidades que nos foram dados pela autoridade do sacerdócio, inclusive a missão e os chamados cumpridos fielmente nos ramos, nas alas e nas estacas.

Como ensinou o Salvador em Sua profecia sobre a Segunda Vinda, abençoado é o “servo fiel e prudente” que estiver cumprindo seu dever quando o Senhor vier. (Ver Mateus 24:45–46.) O profeta Néfi ensinou a respeito desse dia, dizendo: “os justos (…) não precisam temer”. (1 Néfi 22:17; ver também 1 Néfi 14:14; D&C 133:44.) A revelação moderna promete que “o Senhor terá poder sobre seus santos”. (D&C 1:36)

Estamos cercados de dificuldades por todos os lados (ver II Coríntios 4:8–9), mas com fé em Deus, confiamos nas bênçãos que Ele prometeu àqueles que cumprem Seus mandamentos. Temos fé no futuro e estamos nos preparando para ele. Tomando emprestado uma metáfora do mundo das competições atléticas, não sabemos quando o jogo vai acabar, e não sabemos qual será o placar final, mas com certeza sabemos que, quando o jogo finalmente terminar, nosso time será o vencedor. Continuaremos nesse caminho “até que os propósitos de Deus sejam cumpridos e o grande Jeová diga que o trabalho está terminado”. (History of the Church, vol. 4, p. 540)

“Portanto”, diz o Salvador, “sede fiéis, orando sempre, mantendo vossas lâmpadas preparadas e acesas e tendo convosco óleo, para que estejais prontos na vinda do Esposo—porque eis que em verdade, em verdade vos digo que depressa venho.” (D&C 33:17–18)

Testifico de Jesus Cristo, que Ele virá como prometeu e oro para que estejamos preparados para encontrá-Lo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Conferencia Geral, abril de 2004.


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Por Que Servimos?, Élder Dallin H. Oaks

Discurso proferido na 154ª Conferência Geral Semi Anual, 6 de Outubro de 1984 (A Liahona, Janeiro de 1985, pp. 12-15)

A Serviço do Senhor


Meus queridos irmãos e irmãs, por não ser próprio eu começar meu serviço na Igreja antes de concluir meus deveres judiciais no governo estadual, não falei na conferência de abril, na qual fui apoiado. Portanto, esta conferência semi-anual é minha primeira oportunidade de dirigir-me a todos os membros da Igreja, expressando minha aceitação do chamado para o Conselho dos Doze.

Estou emocionado com este chamado. Tendo sido “chamado por Deus, por profecia e pela imposição de mãos por quem possua autoridade.” (Regras de Fé 1:5), deixo alegremente minhas atividades profissionais para passar o resto da vida no serviço do Senhor. Devotar-me-ei de todo o coração, poder, mente e força à grande confiança em mim depositada, particularmente às responsabilidades de uma testemunha especial do nome de Jesus Cristo em todo o mundo.



Por que Servimos?

Muitos homens e mulheres foram chamados ao serviço da Igreja em abril deste ano. Oito irmãos foram chamados como autoridades gerais, e seis irmãs para a presidência da Sociedade de Socorro e das Moças. Mais de duzentos homens foram chamados como bispos, e acima de mil e setecentos irmãos e irmãs como missionários de tempo integral. Nesse mesmo mês, dezenas de milhares foram chamados como oficiais e professores e para outras funções nas diversas organizações da Igreja pelo mundo afora. Os irmãos chamados em abril uniram-se a milhões de outros já servindo em funções semelhantes na Igreja Restaurada.

Ao pensar em meu próprio chamado e no dos milhões de outros já em serviço, fui levado a ponderar esta pergunta: Por que servimos?



Servir é Imperativo.



Servir é imperativo para os que amam Jesus Cristo. Aos seguidores que buscavam posição eminente em Seu reino, o Salvador ensinou: “E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.” (Mateus 20:27). Noutra ocasião, Ele falou sobre atender às necessidades do faminto, despido, enfermo e preso, concluindo Seu ensinamento com estas palavras: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:40).

Na revelação moderna, o Senhor nos mandou: “Socorre os fracos, ergue as mãos que pendem e fortalece os joelhos enfraquecidos.” (D&C 81:5). Noutra seção de Doutrina e Convênios, Ele nos instrui a nos “ocupar-se zelosamente numa boa causa, e fazer muitas coisas de (nossa) livre e espontânea vontade e realizar muita retidão.” (D&C 58:27). Os portadores do Sacerdócio de Melquisedeque fazem convênio de usar os poderes a ele inerentes em benefício do próximo. Na verdade, servir é uma obrigação assumida por todos os membros da Igreja de Jesus Cristo.

Se servimos ao próximo ou a Deus, é o mesmo. (Ver Mosias 2:17.) Se O amamos, devemos guardar Seus mandamentos e apascentar Suas ovelhas. (Ver João 21:16-17.)

O Senhor Olha para o Coração.

Pensando em serviço, lembramo-nos geralmente do que fazemos com as mãos. As escrituras, porém, ensinam que o Senhor atenta tanto para nossos pensamentos como para nossos atos. Um dos primeiros mandamentos de Deus a Israel foi que deviam amá-Lo e “servi-Lo de todo o coração e alma”. (Ver Deuteronômio 11:13.) Quando Samuel, o profeta, recebeu a incumbência de escolher e ungir um dos filhos de Jessé como novo rei de Israel, o Senhor mandou que rejeitasse o primogênito, embora fosse um homem de bela aparência, dizendo: “Não atentes para sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”. (I Samuel 16:7)

Diz um conhecido provérbio que como o homem imagina em sua alma, assim ele é. (Provérbios 23:7) E lemos também: “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito”. (Provérbios 16:2)

A revelação moderna declara que o Senhor requer do homem não apenas atos, mas “requer o coração e uma mente solícita”. (D&C 64:34)

Numerosas escrituras ensinam que nosso Pai Celestial conhece nossos pensamentos e intentos do coração. (Ver D&C 6:16; Mosias 24:12; Alma 18:32.) Morôni ensina que para terem mérito, nossas obras precisam ser feitas pelo motivo certo. Se um homem oferecer uma dádiva ou uma oração a Deus e esta não for feita com real intento, de nada lhe aproveitará. “Porque eis que não lhe é imputado por justiça.” (Morôni 7:6-7)

O Profeta Alma ensinava igualmente que, se tivermos endurecido o coração contra a palavra de Deus, “não nos atreveremos a olhar para o nosso Deus” até o juízo final, porque “todas as nossas palavras nos condenarão (...) e nossos pensamentos também”. (Alma 12:14).



Por que servimos?



Essas escrituras deixam claro que, para que nosso serviço na Igreja e ao próximo seja puro, é necessário considerar não só como servimos, mas também por quê.



As pessoas servem-se mutuamente por diversas razões, sendo que algumas destas são melhores que outras. Possivelmente ninguém de nós sirva sempre por uma única razão. Sendo seres imperfeitos, quase todos nós provavelmente servimos por uma série de razões, combinação esta que poderá mudar de tempos em tempos à medida que crescemos espiritualmente. Todos, entretanto, devemos procurar servir pelas melhores e mais sublimes razões.



Quais são algumas das razões de servirmos? À guisa de ilustração e sem pretender alongar-me, gostaria de sugerir seis delas, falando delas em ordem crescente, das mais insignificantes até a mais importante.



1. Para receber Riquezas ou Honra?



Alguns servem na esperança de recompensas terrenas. Tal pessoa poderá servir na Igreja ou por meio de atos pessoais de misericórdia com intuito de conseguir preeminência ou cultivar contatos que a favoreçam materialmente. Outros servem, talvez, para obter honrarias, destaque ou poder mundano.

As escrituras têm um nome para o serviço no evangelho “para adquirir riquezas e honrarias”; chamam-no de “artimanha sacerdotal”. (Alma 1:16) Dizia Nefi: “Artimanha sacerdotal é o homem pregar e estabelecer-se como uma luz para o mundo, a fim de obter lucros e louvor do mundo; não procura, porém, o bem-estar de Sião”. (2 Nefi 26:29) Nestes últimos dias, recebemos ordem de “esforçar-nos para erguer e estabelecer a causa de Sião”. (D&C 6:6) Infelizmente, nem todos os que produzem obras nesse sentido tencionam realmente edificar Sião ou fortalecer a fé do povo de Deus. Pode haver outros motivos.

O serviço ostensivamente altruísta mas que na realidade visa lucros ou renome, certamente inclui-se na condenação do Salvador aos que parecem “exteriormente justos aos homens, mas interiormente (estão) cheios de hipocrisia e de iniqüidade”. (Mateus 23:28) Um serviço assim não merece qualquer recompensa no evangelho.

“Deveis dar esmolas aos pobres”, diz o Salvador, “mas guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai que está nos céus.”(3 Nefi 13:1; ver também Mateus 6:1-2.) E o Salvador continua, dizendo:

“Quando pois, derdes esmolas, não toqueis trombeta diante de vós, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.” (3 Nefi 13:2; ver também Mateus 6:2.)

Mas aqueles que servem sem alarde, mesmo “em segredo” qualificam-se para a promessa do Salvador de que “teu Pai, que vê em oculto, recompensar-te-á abertamente”. (3 Nefi 13:18; ver também Mateus 6:4.)



2. Para Conseguir Boas Amizades?



Outra razão para servir – provavelmente mais meritória que a primeira, ainda assim, porém buscando recompensa terrena – é a motivada pelo desejo pessoal de boas amizades. Sem dúvida fazemos bons amigos servindo na Igreja, mas será por isto que servimos?

Conheci uma pessoa que servia ativamente na Igreja até que um amigo e colega de trabalho socialmente importante se mudou. Assim que ele se foi da ala, essa pessoa parou de servir. Neste caso, o obreiro do evangelho estava disposto a servir só enquanto seus companheiros fossem aceitáveis.

As pessoas que servem unicamente visando boas companhias mostram-se mais seletivas na escolha de seus amigos do que o Mestre quanto aos Seus servos ou companheiros. Jesus chamou a maioria de Seus servos dentre as camadas humildes. E conviveu com pecadores. E rebatia as críticas nesse sentido dizendo: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento”. (Lucas 5:31-32).

A primeira seção de Doutrina e Convênios, que fala do povo dos últimos dias, dá uma descrição que parece incluir todos os que servem na esperança de alguma recompensa terrena: “Não buscam ao Senhor para estabelecer sua justiça, mas todo homem anda em seu próprio caminho, segundo a imagem do seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo, e cuja substância é a de um ídolo”. (D&C 1:16).

Essas duas razões para servir são interesseiras e egocêntricas, e indignas de um santo. Conforme diz o Apóstolo Paulo, nós que somos suficientemente fortes para suportar as debilidades dos fracos, não devemos fazê-lo para ‘agradar a nós mesmos’. (Romanos 15:1). Motivos que visam recompensa terrena são nitidamente inferiores em caráter e mérito às outras razões que discutirei.



3. Medo da Punição?



Alguns talvez sirvam por medo de castigos. As escrituras estão repletas de descrições da condição miserável dos que deixam de seguir os mandamentos de Deus. O Rei Benjamin ensinava a seu povo que a alma do transgressor impenitente seria tomada de “um vivo sentimento de sua própria culpa, que o leva a recuar diante da presença do Senhor e enche-lhe o peito de culpa e dor e angústia, como um fogo inextinguível, cuja chama se eleva para sempre.”. (Mosias 2:38) Tais descrições oferecem sem dúvida incentivo suficiente para guardar o mandamento de servir. Entretanto, servir por medo é na melhor das hipóteses um motivo inferior.



4. Dever ou Lealdade?



Outras pessoas podem servir por senso de dever ou por lealdade a amigos, família ou tradições. São aqueles a quem eu chamaria de bons soldados, que fazem instintivamente o que lhes é pedido sem questioná-lo e às vezes sem pensar muito nos motivos de seu serviço. Tais pessoas formam o grosso de qualquer organização voluntária, e produzem um grande bem. Todos nós já nos beneficiamos com as boas obras dessas pessoas. Os que servem por senso de dever ou lealdade a várias causas louváveis são os bons e honrados homens e mulheres da Terra.

O serviço do tipo que acabo de descrever é digno de louvor e certamente faz jus a bênçãos, particularmente se feito com boa vontade e alegria. Como dizia o Apóstolo Paulo na segunda epistola aos Coríntios:

“E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” (2 Coríntios 9:6-7) Disse um autor anônimo: “Deus aceita a obediência voluntária, mas odeia aquilo que é forçado, pois é mais um tributo que uma oferta.”



5. Esperança de uma Recompensa Eterna?



Embora os que servem por temor ou pelo senso de dever se qualifiquem, sem dúvida, para as bênçãos do céu, existem razões mais sublimes para servir.

Uma delas é a esperança de uma recompensa eterna. Esta esperança – a expectativa de desfrutar os frutos do nosso labor – é uma das mais poderosas fontes de motivação. Como razão para servir, envolve necessariamente fé em Deus e no cumprimento de Suas profecias. As escrituras são ricas em promessas de recompensa eterna. Numa revelação dada ao Profeta Joseph Smith em junho de 1829, por exemplo, diz o Senhor: “Se guardares meus mandamentos e perseverares, até o fim, terás vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus.” (D&C 14:7)



6.1 O Motivo mais Elevado para Servir



O último motivo de que falarei é, em minha opinião, o maior de todos. Com relação ao servir, é o que as escrituras chamam de “Caminho mais excelente”. (I Coríntios 12:31).

“A caridade é o puro amor de Cristo.” (Morôni 7:47). O Livro de Mórmon nos ensina que esta virtude “é de todas a maior”. (Morôni 7:46). O Apóstolo Paulo confirma e ilustra esta verdade em seu grande ensino sobre os motivos do servir:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse [caridade], seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres (...) e não tivesse [caridade], nada disso me aproveitaria” (I Coríntios 13:1-3).

Sabemos por estas palavras inspiradas que até mesmo os mais sublimes atos de serviço – como dar todos os nossos bens para sustentar os pobres – de nada nos aproveitaria se nosso serviço não fosse motivado pelo puro amor de Cristo.

Para que nosso serviço tenha o máximo de eficácia, tem de ser feito por amor a Deus e a Seus filhos. O Salvador aplicou esses princípios no Sermão da Montanha, no qual nos ordena que amemos nossos inimigos, bendigamos os que nos maldizem, façamos o bem aos que nos odeiam e oremos pelos que nos maltratam e perseguem. (Ver Mateus 5:44.) Ele explica assim este mandamento:

“Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os publicanos também assim?” (Mateus 5:46-47)



6.2 O Ideal de Perfeição



Este princípio – que devemos servir por amor a Deus e aos nossos semelhantes e não visando vantagem pessoal ou qualquer motivo inferior – é reconhecidamente um padrão sublime. O Salvador deve tê-lo visto assim, pois ligou Seu mandamento de amor abnegado e total diretamente ao ideal da perfeição. Logo o versículo seguinte do Sermão da Montanha contém este grande mandamento: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:48)



O princípio do servir é confirmado na seção 4 de Doutrina e Convênios:



“Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia.” (D&C 4:2)



6.3 Servir de Todo o Coração e Mente



Este mandamento nos ensina que não basta servir a Deus com todo nosso poder e força. Aquele que vê nosso coração e conhece nossos pensamentos, exige mais que isso. Para podermos comparecer sem culpa perante Deus no último dia, precisamos servi-Lo também com todo nosso coração e mente.

Servir de todo o coração e mente é um grande desafio para todos nós. Esse serviço tem de ser isento de qualquer ambição egoísta e motivado unicamente pelo puro amor de Cristo.

Se encontramos dificuldades em servir por amor, o Livro de Mórmon pode ajudar-nos. Depois de ressaltar a importância da caridade, o Profeta Morôni aconselha:

“Portanto, meus amados irmãos, rogai ao Pai com toda a energia de vosso coração que sejais cheios desse amor, que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho Jesus Cristo.” (Morôni 7:48)

O serviço das pessoas imbuídas desse amor satisfará a grande prova mencionada no salmo 24:

“Quem subirá ao monte do Senhor? Ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração.” (Salmos 24:3-4).

Eu sei que Deus espera que nos esforcemos para purificar nosso coração e nossos pensamentos, para que nos sirvamos mutuamente pela melhor e mais sublime razão, o puro amor de Cristo.

Acima de tudo, sei que Deus vive, e sei que Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, morreu pelos nossos pecados e é o nosso Salvador. E sei que Deus restaurou a plenitude do Evangelho por meio do Profeta Joseph Smith nestes últimos dias. Em nome de Jesus Cristo. Amém.”


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Vocês Foram Salvos?, Élder Dallin H. Oaks


Como Entendemos o "conceito" de Salvação. Os membros da Igreja utilizam as palavras salvo e salvação em, pelo menos, seis acepções diferentes.


O que respondemos quando alguém nos pergunta: "Você foi salvo?" Essa pergunta, comum na conversa de alguns cristãos, pode ser intrigante para os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, porque normalmente não é assim que falamos. Tendemos a falar de "salvo" ou de "salvação" como um acontecimento futuro e não como algo que já aconteceu.

Bons cristãos às vezes dão um sentido diferente a termos básicos do evangelho como, por exemplo, salvo ou salvação. Se respondermos ao que a pessoa quis dizer quando nos perguntou se estamos "salvos", provavelmente nossa resposta será "sim". Se ao respondermos levarmos em consideração os diversos significados que damos às palavras salvo e salvação, nossa resposta tanto pode ser "sim" quanto "sim, mas com algumas condições".

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Pelo que sei, o que os bons cristãos que empregam essa expressão querem dizer é que estamos "salvos" quando dizemos ou confessamos sinceramente que aceitamos Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Esse significado se baseia nas palavras que o Apóstolo Paulo ensinou aos cristãos em sua época:

"Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.

Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." (Romanos 10:910)

Para os santos dos últimos dias as palavras "salvo" e "salvação" nesse ensinamento significam uma relação atual de convênio com Jesus Cristo, em que nos é assegurada a salvação das conseqüências do pecado, se formos obedientes. Todos os membros sinceros da Igreja estão "salvos" nesse sentido. Nós nos convertemos ao evangelho restaurado de Jesus Cristo, passamos pelo arrependimento e o batismo e renovamos os convênios do batismo tomando o sacramento.

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Os membros da Igreja utilizam as palavras salvo e salvação em, pelo menos, seis acepções diferentes. De acordo com alguns deles, nossa salvação está garantida: já estamos salvos. Segundo outros, temos de falar da salvação como um acontecimento futuro (ex.: I Coríntios 5:5) ou como algo que depende de acontecimentos futuros (ex.: Marcos 13:13). Em todos esses significados, porém, a salvação se dá somente em Jesus Cristo e por meio Dele.

Primeiro, todos os mortais foram salvos da morte permanente por intermédio da ressurreição de Jesus Cristo. "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo." (I Coríntios 15:22)

No que se refere à salvação do pecado e suas conseqüências, nossa resposta à questão de termos ou não termos sido salvos é "sim, mas com algumas condições". Nossa terceira regra de fé declara em que acreditamos:

"Cremos que, por meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade pode ser salva por obediência às leis e ordenanças do Evangelho." (Regras de Fé 1:3)

Muitos versículos da Bíblia dizem que Jesus veio para tirar os pecados do mundo. (Ex.: João 1:29; Mateus 26:28) O Novo Testamento cita com freqüência a graça de Deus e a salvação pela graça. (Ex.: João 1:17; Atos 15:11; Efésios 2:8) Contudo, nele também há muitos mandamentos que se referem especificamente ao comportamento pessoal e à importância das obras. (Ex.: Mateus 5:16; Efésios 2:10; Tiago 2:1417) Além disso, o Salvador ensinou que devemos perseverar até o fim para sermos salvos. (Ver Mateus 10:22; Marcos 13:13.)

Baseando-nos na Bíblia como um todo e nos esclarecimentos que recebemos por meio das revelações modernas, testificamos que ser purificado dos pecados por intermédio da Expiação de Cristo depende da fé individual do pecador, que se deve manifestar por meio da obediência ao mandamento dado pelo Senhor de arrepender-se, ser batizado e receber o Espírito Santo. (Ver Atos 2:3738.) "Na verdade, na verdade te digo", ensinou Jesus, "que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." (João 3:5; ver também Marcos 16:16 e Atos 2:3738.) Os crentes que já passaram pelo renascimento exigido por intermédio de quem tem autoridade já foram salvos do pecado, com algumas condições, mas não serão salvos definitivamente até que tenham terminado a provação mortal com o arrependimento contínuo que é necessário, a fidelidade, o serviço e a perseverança até o fim.

Alguns cristão acusam os santos dos últimos dias que dão essa resposta de negarem a graça de Deus, por afirmarem que ganham a própria salvação. Respondemos a essa acusação com as palavras dos profetas do Livro de Mórmon. Néfi ensinou: "Pois trabalhamos diligentemente ( . . . ) a fim de persuadir nossos filhos ( . . . ) a acreditarem em Cristo e a reconciliarem-se com Deus; pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer". (2 Néfi 25:23) O que é "tudo o que pudermos fazer"? Certamente isso inclui o arrependimento (ver Alma 24:11) e o batismo, guardar os mandamentos e perseverar até o fim. Morôni rogou: "Sim, vinde a Cristo, sede aperfeiçoados nele e negai-vos a toda iniqüidade; e se vos negardes a toda iniqüidade e amardes a Deus com todo o vosso poder, mente e força, então sua graça vos será suficiente; e por sua graça podeis ser perfeitos em Cristo ( . . . )". (Morôni 10:32)

Não somos salvos em nossos pecados, como em uma salvação incondicional em que confessemos a Cristo e depois, inevitavelmente, pequemos durante o restante da vida. (Ver Alma 11:3637.) Somos salvos de nossos pecados (ver Helamã 5:10), pela renovação contínua de nosso arrependimento e purificação por intermédio da graça de Deus e de Seu bendito plano de salvação. (Ver 3 Néfi 9:2022.)

Às vezes a pergunta acerca de alguém ter sido salvo ou não é colocada em termos de se a pessoa "nasceu de novo". "Nascer de novo" é uma referência conhecida à Bíblia e ao Livro de Mórmon. Conforme observamos anteriormente, Jesus ensinou que quem não "nascer de novo" (João 3:3) da água e do Espírito, não poderia entrar no reino de Deus. (Ver João 3:5.) O Livro de Mórmon tem muitos ensinamentos a respeito da necessidade de "nascer de novo" ou "nascer de Deus". (Ex.: Mosias 27:25; ver vers. 2426; Alma 36:24, 26; Moisés 6:59.) De acordo com nossa compreensão dessas escrituras, nossa resposta à pergunta acerca de termos nascido de novo certamente é "sim". Nascemos de novo quando estabelecemos uma relação de convênio com nosso Salvador, nascendo da água e do Espírito e tomando sobre nós o nome de Jesus Cristo. Renovamos esse renascimento no Dia do Senhor, quando tomamos o sacramento.

Os membros da Igreja afirmam que as pessoas que nascem de novo desse modo são filhos e filhas gerados espiritualmente por Jesus Cristo. (Ver Mosias 5:7; 15:913; 27:25.) Entretanto, para recebermos as bênçãos relativas à condição dos que nasceram de novo, temos de guardar nossos convênios e perseverar até o fim. Nesse meio tempo, por intermédio da graça de Deus, nascemos de novo como novas criaturas com uma nova descendência espiritual e nova perspectiva de uma herança gloriosa.

O quarto significado de ser salvo é ser salvo das trevas de desconhecer Deus, o Pai, e Seu Filho, Jesus Cristo, o propósito da vida e destino dos homens e mulheres. O evangelho que conhecemos pelos ensinamentos de Jesus Cristo foi-nos dado para essa salvação. "Eu sou a luz do mundo", ensinou Jesus, "quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida." (João 8:12; ver também João 12:46.)

Para os membros da Igreja, ser "salvo" significa ser salvo ou libertado da segunda morte (que é a morte espiritual final) pela garantia de um reino de glória no mundo futuro. (Ver I Coríntios 15:4042.) Assim como a ressurreição é universal, afirmamos que todas as pessoas que viverem na face da Terra, com raras exceções, têm, nesse sentido, a salvação garantida. Lemos nas revelações modernas:

"E este é o evangelho, as alegres novas ( . . . )

Que ele veio ao mundo, sim, Jesus, para ser crucificado pelo mundo e para tomar sobre si os pecados do mundo e para santificar o mundo e purificá-lo de toda iniqüidade;

Para que, por intermédio dele, fossem salvos todos os que o Pai havia posto em seu poder e feito por meio dele;

Ele que glorifica o Pai e salva todas as obras de suas mãos, exceto os filhos de perdição, que negam o Filho depois que o Pai o revelou." (D&C 76:4043; grifo do autor.)

O profeta Brigham Young ensinou essa doutrina quando declarou que "todo aquele que não rejeitar por meio do pecado a oportunidade de ser salvo, vindo a tornar-se um anjo do diabo, será levantado para herdar um reino de glória". (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young, 1997, p. 288.) Essa acepção da palavra salvação eleva toda a raça humana por meio da graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. De acordo com esse sentido da palavra, todos deveriam responder: "Sim, fui salvo. Glória a Deus pelo evangelho e a dádiva e graça de Seu Filho!"

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Por último, em outro uso comum aos santos dos últimos dias e exclusivo deles, as palavras salvo e salvação são empregadas para denominar a exaltação ou vida eterna. (Abraão 2:11) Nesse sentido às vezes emprega-se a expressão "plenitude da salvação". (Ex.: McConkie, The Mortal Messiah, 1:242.) Essa salvação exige mais do que o arrependimento e batismo por intermédio da autoridade competente do sacerdócio. Exige também que se façam convênios sagrados, inclusive o casamento eterno, no templo de Deus e a fidelidade a eles, perseverando-se até o fim. Se empregarmos a palavra salvação no sentido de "exaltação", é precipitação de qualquer de nós dizer que fomos "salvos" na mortalidade. Essa condição de glória só pode ser alcançada após o julgamento final Daquele que é o Juiz Supremo dos vivos e dos mortos.

Sugeri que uma resposta breve à pergunta acerca de se um membro fiel da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi salvo, ou nasceu de novo, deve ser um "sim" categórico. O relacionamento de convênio que temos com o Salvador nos coloca na condição de "salvos" ou de "nascidos de novo" que as pessoas que fazem essa pergunta têm em mente. Alguns profetas modernos também empregaram "salvação" ou "salvos" nessa mesma acepção de presente. O Presidente Brigham Young disse:

"É a presente salvação e a presente influência do Espírito Santo o que precisamos todos os dias para nos manter salvos. ( . . . )

Quero a salvação agora. ( . . . ) A vida é para nós, e devemos recebê-la hoje, em vez de esperar pelo Milênio. Sigamos um curso que nos salve hoje." (Discourses of Brigham Young, comp. John A. Widtsoe, 1954, pp. 1516.) O Presidente David O. McKay falou do evangelho restaurado de Jesus Cristo nessa mesma acepção de "aqui, neste momento". (Gospel Ideals, 1953, p. 6.)

Para terminar, falarei de outra pergunta importante que se faz aos membros e líderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: "Por que vocês mandam missionários para pregar a quem já é cristão?" Às vezes, fazem-nos essa pergunta com curiosidade; ali outras, com ressentimento.

A experiência mais marcante que já tive a esse respeito aconteceu há alguns anos, no que era chamado de "bloco socialista". Depois de muitos anos de hostilidade comunista à religião, esses países, repentina e miraculosamente receberam certa liberdade religiosa. Quando essa porta se abriu, muitas religiões cristãs enviaram missionários. Como parte de nossos preparativos para fazer o mesmo, a Primeira Presidência enviou membros do Quórum dos Doze Apóstolos para reunir-se com o governo e líderes religiosos nesses países. Nossa designação era a de apresentarmo-nos e explicarmos o que nossos missionários fariam.

O Élder Russell M. Nelson e eu fomos chamados por um líder da Igreja Ortodoxa de um desses países. Ali estava um homem que havia ajudado a manter a luz do cristianismo brilhando nas décadas de escuridão da repressão comunista. Escrevi em meu diário que ele era um homem caloroso e afável, que percebi ser um servo do Senhor. Digo isso para que não pensem que houve qualquer arrogância ou contenda na conversa de quase uma hora que tivemos. Nossa visita foi agradável e cordial, cheia da boa-vontade que deveria ser característica da conversa entre homens e mulheres que amam o Senhor e procuram servi-Lo, cada um conforme o próprio entendimento.

Nosso anfitrião falou-nos das atividades de sua igreja durante a fase de repressão comunista. Descreveu as várias dificuldades pelas quais sua igreja e a obra que ela realizava passavam desde que saíram dessa fase e começaram a tentar recuperar a posição que tinham anteriormente na vida do país e no coração do povo. Nós nos apresentamos e falamos de nossas crenças básicas. Explicamos que, em breve, estaríamos enviando missionários para seu país e dissemos como eles realizariam seu trabalho.

Ele perguntou: "Seus missionários pregarão somente aos descrentes, ou tentarão pregar aos crentes também?" Respondemos que nossa mensagem era para todos, tanto para os crentes quanto para os descrentes. Demos duas razões para essa resposta: a primeira era uma questão de princípios e a outra uma questão prática. Dissemos a ele que pregávamos tanto a crentes quanto a descrentes porque nossa mensagem, o evangelho restaurado, traz um acréscimo relevante ao conhecimento, à felicidade e paz da humanidade. Por uma questão prática, pregamos o evangelho tanto a crentes quanto a descrentes por não ser possível diferenciarmos uns dos outros. Lembro-me de ter perguntado a esse importante líder: "Quando estamos diante de uma congregação e olhamos para o rosto das pessoas, como podemos saber a diferença entre os que são verdadeiros crentes e os que não são?" Ele sorriu de soslaio e eu senti que concordava e havia compreendido a questão.

Por intermédio dos missionários e dos membros, a mensagem do evangelho restaurado está sendo levada a todo o mundo. Aos não-cristãos, damos testemunho de Cristo e falamos das verdades e ordenanças de Seu evangelho restaurado. Aos cristãos, fazemos o mesmo. Mesmo que um cristão tenha sido "salvo" estritamente no sentido comum do qual falamos anteriormente, ensinamos que há mais a aprender e mais a experimentar. Como recentemente disse o Presidente Hinckley: "Não [somos] de discussão. Não debatemos. Na verdade, simplesmente dizemos aos outros: 'Venham com tudo de bom que já têm e veremos se podemos acrescentar algo'. ("The BYU Experience", Devocional na BYU, 4 de novembro de 1997.)

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias oferece a todos a oportunidade de aprender a plenitude do evangelho de Jesus Cristo, conforme restaurado nestes últimos dias. Oferecemos a todos os filhos de Deus o privilégio de receber todas as ordenanças da salvação e exaltação.

Convidamos todos a ouvirem essa mensagem e convidamos todos os que recebem o testemunho confirmador do Espírito a dar ouvidos a ela. Que esses ensinamentos são verdadeiros, testifico em nome de Jesus Cristo. Amém.


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