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Destes Farei Meus Líderes, Presidente James E. Faust - Excelente!!!




Conferencia Geral, outubro de 1980


É com humildade que aproveito a ocasião para falar ao sacerdócio hoje à noite. Gostaria de dirigir-me aos líderes da Igreja, e principalmente aos futuros líderes, os jovens do Sacerdócio Aarônico. Muitos de vocês receberão responsabilidades muito antes do que esperam. Não parece ter passado muito tempo desde que fui presidente de um quórum de diáconos. No que diz respeito ao crescimento rápido e mundial da Igreja, a liderança é um de seus maiores desafios.

Os líderes recebem e dão designações 

Há mais ou menos um ano, assisti a uma reunião de um quórum de élderes. Os membros da presidência eram jovens bons e capazes, mas quando chegou a hora de partilhar as
responsabilidades do quórum e fazer com que o trabalho fosse feito, limitaram-se a escolher os que estavam presentes e se voluntariavam. Nenhuma designação foi feita.

Um dos primeiros princípios que devemos ter em mente é que o trabalho do Senhor progride por meio de designações. Os líderes recebem e dão designações. Esta é uma parte básica do importante princípio de delegação. Ninguém aprecia um voluntário bem disposto mais do que eu, mas o trabalho total não pode ser feito como o Senhor deseja que seja meramente por aqueles que se apresentam nas reuniões. Muitas vezes fico imaginando como seria a Terra, se o Senhor, durante a Criação, tivesse deixado que o trabalho fosse feito somente por voluntários.

Se considerarmos o cumprimento de designações assim como a honra de edificarmos o reino de Deus, uma oportunidade e privilégio, certamente daremos a cada membro do quórum, designações e desafios. Tal envolvimento deve incluir, com discrição e sabedoria, aqueles que talvez mais necessitem disso—os irmãos inativos ou parcialmente ativos. As designações sempre devem ser feitas com o maior amor, consideração e bondade. As pessoas chamadas devem ser tratadas com respeito e apreço.

As Autoridades Gerais regularmente recebem designações da Primeira Presidência e do Presidente do Conselho dos Doze. Quer sejam elas feitas por escrito, como acontece na maioria dos casos, ou pessoalmente, vêm sempre acompanhadas de frases como: “se for do seu agrado” ou “se lhe for conveniente” ou “será que o irmão poderia fazer isto ou aquilo?” Elas nunca são apresentadas como se fossem uma ordem ou mandamento.


Seguir o exemplo do Salvador

Desde que estive no Egito, durante a Segunda Guerra Mundial, tenho-me interessado por ruínas antigas. É fascinante observar a razão por que algumas colunas ainda estão em pé, enquanto outras já caíram. As que ainda não caíram, geralmente permaneceram porque têm que agüentar um peso em cima. Acredito que existe um princípio paralelo na liderança. Aqueles que permanecem fiéis ao seu sacerdócio são,
freqüentemente, os que têm de agüentar o peso da responsabilidade. Os que se envolvem são aqueles que se mostram mais prontos a se comprometer. Portanto, o líder de quórum bemsucedido sentirá o desejo de ter e dar aos membros do seu quórum a oportunidade de servir em algum tipo de chamado adequado às circunstâncias.

O curso de liderança mais completo foi dado pelo próprio Salvador: “E disse-lhes: Vinde após mim (…)”. (Mateus 4:19) O líder não pode pedir a outros que façam o que ele não está disposto a fazer. O curso mais certo é seguir o exemplo do Salvador, e estamos seguros quando escutamos e seguimos as instruções de Seu profeta, o Presidente da Igreja.

O bom líder “muito espera, muito inspira”

Há alguns anos, eu estava viajando na Missão Rosario Argentina, na parte norte daquele país. Quando viajávamos pela estrada, passamos por uma grande boiada. O gado se movimentava pacificamente e sem dificuldade. Os animais estavam quietos. Não havia cachorro. Na frente, conduzindo a boiada, estavam três vaqueiros a cavalo, cada um deles uns quinze ou vinte metros de distância um do outro. Os três vaqueiros
estavam afundados na sela, completamente à vontade, certos de que o gado haveria de segui-los. Na parte de trás da boiada, via-se um único vaqueiro. Ele também estava afundado na sela, como se estivesse dormindo. A boiada toda se movimentava calma e pacificamente, completamente dominada. Essa experiência me mostrou ser óbvio que a liderança consiste três quartos em mostrar o caminho, e um quarto em seguir.

O líder em si, quando dirigir, não tem que ser bombástico e barulhento. Aqueles que são chamados para dirigir no ministério do Mestre, não são chamados para ser chefes ou ditadores. São chamados para serem pastores. Devem estar constantemente treinando outros para tomar oseu lugar e se tornarem maiores líderes que seus mestres. O bom líder muito espera, muito inspira e muito incentiva aqueles que lidera.

O líder tem que fazer com que as coisas aconteçam e que as vidas sejam afetadas. Algo deve movimentar-se e mudar. Ele deve ver que aqueles que estão abaixo de si não falhem. Mas isto deve ser feito à maneira do Senhor. Ele deve ser o instrumento nas mãos do Altíssimo para modificar vidas. Precisa saber onde está agora. Aonde está indo e como vai chegar lá.

Escutar

O líder deve ser um bom ouvinte. Deve estar disposto a ouvir conselhos. Precisa mostrar um interesse e amor genuínos por aqueles que estão sob sua mordomia. Nenhum líder do sacerdócio jamais pode ser eficiente, a menos que tenha sempre em mente as insuperáveis chaves de liderança encontradas na seção 121 de Doutrina e Convênios:

“Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido;

Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo—

Reprovando prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo.” (D&C 121:41–43)

De acordo com minha experiência, o Espírito Santo raramente reprova com firmeza. Toda a reprovação deve ser feita gentilmente, no esforço de convencer a pessoa reprovada de que aquilo é feito em seu próprio interesse. (…)

Auxílio Divino

Tendo fé no Senhor e humildade, o líder do sacerdócio pode esperar confiante a assistência divina na solução de seus problemas. Esforço e meditação podem ser necessários, mas a recompensa é certa. A resposta pode vir como veio a Enos: “(…) A voz do Senhor me veio outra vez à mente (…)”, disse ele. (Enos 1:10) Ou, pode ser por meio de um sentimento no peito, de acordo com a seção 9 de Doutrina e Convênios.


Depois de receber essa certeza divina e por meio do poder do Espírito Santo, o líder humilde pode então prosseguir num curso inabalável, com a convicção absoluta em mente e no coração de que aquilo que está sendo feito está certo e é aquilo que o próprio Salvador haveria de fazer. (…)

A maioria das pessoas chamadas para liderar a Igreja sentem-se inadequadas, por falta de experiência, de habilidade, de aprendizado e educação. Eis uma das muitas descrições de Moisés: “E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. (Números 12:3)

Lembro de que anos atrás, o Presidente John Kelly, que presidia a Estaca de Fort Worth Texas, chamou o Irmão Felix Velasquez para ser o presidente do ramo espanhol. Este bom homem trabalhava, se me recordo bem, como inspetor da estrada de ferro. Quando o Presidente Kelly o chamou para o trabalho, ele respondeu: “Irmão, eu não posso ser presidente do ramo espanhol. Eu não sei ler”. O Presidente Kelly então lhe prometeu que, se aceitasse o chamado e trabalhasse diligentemente para magnificá-lo, seria apoiado e abençoado. Com a ajuda do Senhor, esse homem humilde, por meio de seus esforços diligentes, conseguiu aprender a ler. Serviu bem como presidente de ramo e durante muitos anos subseqüentes e até a época atual, está trabalhando no sumo conselho daquela estaca. O Senhor abençoa Seus servos de muitas formas. (…)

Conselhos: “Uma característica marcante”


Quero referir-me agora a uma característica marcante da liderança por meio do sacerdócio, no governo da Igreja. Quero citar o Presidente Stephen L. Richards, que disse:

“De acordo com meu entendimento, uma característica marcante do governo da Igreja são os conselhos. (…) Dificilmente se passa um dia em que eu não veja a sabedoria de Deus na criação de conselhos para governar o Seu Reino. No espírito em que trabalhamos, os homens podem reunir-se com pontos de vista aparentemente divergentes e antecedentes completamente diversos, e, sob a operação daquele espírito, aconselhando-se juntos, podem chegar a um acordo.” (Conference Report, outubro de 1953, p. 86; grifo do autor.)


Aconselharem-se uns aos outros como líderes é a chave para o funcionamento bem-sucedido de uma presidência ou bispado. Mas, o que acontece, se for difícil ou não houver união ao se decidir algo? O Presidente Joseph F. Smith deu o seguinte conselho:

“Quando os bispos e seus conselheiros não concordam entre si, ou quando os presidentes e
seus conselheiros têm alguma dificuldade quanto a sentimentos ou medidas que devem tomar, é seu dever reunir-se e em humildade orar ao Senhor até que Ele lhes revele o que deve ser feito, e possam enxergar a verdade de uma mesma forma, a fim de poderem dirigir-se unidos ao povo.” (Doutrina do Evangelho, p. 140)

Ser um exemplo de retidão pessoal

As pessoas que lideram nesta Igreja precisam dar um bom exemplo de retidão pessoal. Devem buscar a orientação constante do Santo Espírito. Devem ter a sua vida e sua casa em ordem. Devem ser honestos e rápidos no pagamento de suas contas. Devem ser exemplares em toda a sua conduta. Devem ser homens de honra e integridade. Quando procuramos a direção constante do Espírito Santo, o Senhor nos responde.

Ao servir como supervisor de área na América do Sul, uma experiência inesquecível aconteceu em Montevidéu, Uruguai. Eu queria trocar algum dinheiro porque morava no Brasil na época; portanto, o Irmão Carlos Pratt me levou a uma casa de câmbio no centro de Montevidéu. Apresentou-me a um dos empregados, que me disse que poderiam trocar mil dólares para mim. Eu não possuía mil dólares em mão, mas sim um cheque emitido por um banco de Salt Lake City. A casa de câmbio nunca havia feito qualquer
negócio comigo antes. Aliás, eles nunca me haviam visto antes e não podiam esperar ver-me novamente. Não tinham meios de verificar se eu possuía mil dólares em depósito no banco que havia emitido o cheque, mas aceitaram o meu cheque sem hesitação, baseados tão somente no fato de eu ser mórmon e terem feito negócios anteriores com outros mórmons. Mostrei-me agradecido e feliz por merecer sua confiança. (…)

“Confirma teus irmãos”

Ao dar a Pedro algum treinamento como líder, o Salvador lhe disse: “(…) Quando te converteres, confirma teus irmãos”. (Lucas 22:32)


É interessante o fato de Ele ter usado a palavraconfirma. É muito difícil confirmar sem ser bom em comunicação. Os problemas surgem, muitas vezes, não porque o plano seja falho, mas porque a comunicação é inadequada. (…)

Os líderes do sacerdócio recebem a rara oportunidade de fazer entrevistas. Especificamente, por meio de contatos pessoais e entrevistas, o líder pode realizar o seguinte:

1. Inspirar e motivar.
2. Delegar e confiar.
3. Cobrar relatos e dar acompanhamento.
4. Ensinar por meio do exemplo e de preceitos.
5. Mostrar sua apreciação com generosidade.

Às vezes os líderes seguram muito forte as rédeas, limitando, freqüentemente, os talentos naturais e dons daqueles que foram chamados para trabalhar ao seu lado.

A liderança nem sempre produz uma sinfonia harmoniosa de fé, habilidade e talento em grupo, produzindo o máximo de eficiência e poder. Às vezes, ela se torna um solo bastante audível. O Presidente Lee ensinou um significado mais amplo da escritura “Portanto agora todo homem aprenda seu dever e a agir no ofício para o qual for designado com toda diligência”. (D&C 107:99) Além de fazer com que todos nós aprendamos
nossos deveres, os líderes devem deixar, ou permitir, que seus associados sejam inteiramente eficientes em seus próprios ofícios e chamados, e que seus assistentes sejam completamente investidos da devida autoridade. (…)

Oro para que, ao trabalharem diligentemente, sob a direção do Espírito Santo, aqueles que foram e serão chamados como líderes possam ter uma visão mais clara do seu dever, que possam estabelecer metas mais objetivas e seguir um curso mais reto.

Meu testemunho é que esta Igreja cresce e é bem-sucedida, porque estamos sob a influência guiadora do santo sacerdócio de Deus. Acredito que nossos líderes podem gerar o grande poder espiritual necessário para guiar o trabalho de Deus por meio de revelação pessoal à qual fazem jus devido à sua retidão. O conselho do Senhor a Josué é inestimável: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não pasmes nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares”. (Josué 1:9)

Que possa ser assim é o que eu oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém.







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Força Em Conselho, M. Russell Ballard, do Quorum dos Doze Apóstolos




Quando unimos esforços, criamos um sinergismo espiritual, que se traduz em maior eficácia decorrente de nossa ação conjunta e cooperação.



01. Nesta conferência, as Autoridades Gerais ensinaram verdades simples e preciosas a respeito do evangelho de Jesus Cristo, proferidas deste púlpito. Presto testemunho de que ouvimos "a vontade do Senhor, ... a mente do Senhor, ... a palavra do Senhor, ... a voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação" (D&C 68:4).

02. Como o próprio Senhor disse no prefácio ao livro de Doutrina e Convênios: "O que eu, o Senhor, falei, disse e não me escuso ; e ainda que passem os céus e a terra, a minha palavra não passará, mas será inteiramente cumprida, seja pela minha própria voz, ou pela de meus servos, não importa" (D&C 1:38). Sentimos não ter ouvido a voz do Presidente Benson, do Presidente Hunter e Elder Ashton, nesta conferência.

03. Peço ajuda ao Senhor, pois desejo ensinar um importante princípio com o mesmo espírito e clareza dos irmãos que me precederam.

04. Deus reuniu um grande conselho no mundo pré-mortal para apresentar seu glorioso plano para nosso bem-estar eterno. A igreja do Senhor é organizada em conselhos, em todos os níveis, desde o Conselho da Primeira Presidência e o Quorum dos Doze Apóstolos, até os conselhos da estaca, da ala, do quorum, da organização auxiliar e da família.

05. O Presidente Stephen L. Richards disse: "A sabedoria do governo da Igreja resume-se na utilização de conselhos. Tenho experiência suficiente para saber o valor de um conselho. Raramente se passa um dia sem que eu comprove a sabedoria do Senhor na criação de conselhos para governar seu reino. Não hesito em assegurar-vos que, quando vos reunis em conselho da maneira esperada, Deus vos dará as soluções aos problemas que enfrentais" (Conference Report, outubro de 1953, p . 86).

06. Como membro dos Doze, sirvo em diversos conselhos e comitês gerais da Igreja. Reúno-me com diversos líderes das auxiliares. Juntos, aconselhamo-nos, examinamos as escrituras e oramos pedindo orientação enquanto procuramos aprender como as auxiliares podem abençoar e fortalecer de modo mais eficaz os membros da Igreja.

07. Em muitos aspectos, os conselhos gerais da Igreja funcionam de modo muito parecido com os conselhos da estaca e ala. Todos os conselhos da Igreja devem incentivar a conversa franca e aberta, consultando-se e procurando manter a comunicação clara e concisa. Os conselhos devem discutir objetivos e preocupações, tendo a compreensão mútua por meta final.

08. Os conselhos de estaca e ala são a ocasião ideal para que os líderes de todas as organizações conversem entre si e se fortaleçam. O enfoque principal das reuniões de conselho de estaca e ala deve ser coordenar atividades e deveres, não apenas marcar datas.

09. Nessas reuniões, os líderes do sacerdócio e das auxiliares devem estudar juntos suas responsabilidades e descobrir maneiras de fazer com que os programas da Igreja ajudem os membros a viver o evangelho no lar. Nos dias atuais, as pessoas e famílias precisam do auxílio sábio e inspirado da Igreja para combater os males do mundo.

10. Em recente reunião de conselho com as presidências das auxiliares femininas, as irmãs disseram-me que um número muito pequeno de mulheres da Igreja expressam interesse em receber o sacerdócio. Elas, porém, querem ser ouvidas e valorizadas, e desejam fazer contribuições significativas a estaca, ala e membros, para servir ao Senhor e ajudar no cumprimento da missão da Igreja.

11. Por exemplo, estivemos conversando, há pouco tempo, sobre a dignidade de nossos jovens para cumprir missão. A Presidente Elaine Jack disse: "Elder Ballard, as irmãs da Igreja podem dar boas sugestões sobre como preparar melhor os jovens para a missão, se forem consultadas. Afinal de contas somos as mães desses jovens!" As sugestões das irmãs podem também ajudar na questão da freqüência ao templo e em muitos outros problemas com que os líderes do sacerdócio tenham que se defrontar.

12. Irmãos, rogo-vos que procureis a contribuição vital das irmãs nas reuniões de conselho. Incentivai todos os membros do conselho a darem sugestões e idéias sobre como a estaca ou ala pode ser mais eficaz no trabalho de proclamar o evangelho, aperfeiçoar os santos e redimir os mortos.

13. O ideal seria que todos os membros de qualquer conselho da Igreja ou da família pudessem relatar suas preocupações e sugerir soluções baseadas nos princípios do evangelho. Creio que a Igreja e as famílias seriam fortalecidas, se os presidentes de estaca e bispos utilizassem as reuniões de conselho para encontrar resposta para questões como melhorar as reuniões sacramentais, melhorar a reverência, concentrar a atenção nas crianças, fortalecer os jovens, ajudar os solteiros, incluindo os viúvos e divorciados, ensinar e integrar pesquisadores e membros novos, melhorar o ensino do evangelho e muitas outras semelhantes.

14. Durante o último semestre, realizamos reuniões especiais de treinamento em cada conferência de estaca para debater os padrões morais de nossos jovens. Os participantes eram membros dos conselhos de estaca e ala. Todas as questões dirigidas a mim na sessão de perguntas poderiam ter sido debatidas de modo mais apropriado em uma reunião de conselho de ala. Contudo, os que raramente levantaram as questões sentiam ter a oportunidade de fazer perguntas, expressar suas preocupações e dar sugestões nas reuniões de conselho de suas alas.

15. Nestes tempos perigosos, precisamos que os oficiais da Igreja, homens e mulheres, se esforcem em conjunto, pois requer-se vigilância absoluta por parte dos que receberam o encargo de cuidar deste reino. Cada um de nós tem enormes responsabilidades, mas igualmente importante é a responsabilidade de nos reunirmos em conselho, num esforço conjunto de resolver os problemas e abençoar todos os membros da Igreja. Quando unimos esforços, criamos um sinergismo espiritual, que se traduz em maior eficácia decorrente de nossa ação conjunta ou cooperação, e cujo resultado é maior que a soma das partes individuais.

16. O antigo ético Esopo costumava ilustrar a força do sinergismo mostrando uma vara e pedindo a um voluntário da platéia que tentasse quebrá-la. Naturalmente, o voluntário conseguia quebrar a vara facilmente. Então Esopo ia acrescentando outras varas até que o voluntário não mais conseguia quebrá-las. A moral da demonstração de Esopo era simples: Juntos podemos gerar sinergismo que nos torna muito mais fortes do que quando estamos sozinhos.

17. Deus nunca desejou que seus filhos ficassem sozinhos. As crianças têm os pais e os pais têm a Igreja, as escrituras, os profetas e os apóstolos vivos e o Espírito Santo para ajudá-los a compreender os princípios corretos e aplicá-los no desempenho de suas responsabilidades familiares.

18. O Apóstolo Paulo ensinou que o Salvador organizou a Igreja de modo completo, com apóstolos, profetas e outros oficiais e mestres para "o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo: “Até que todos cheguemos à unidade da fé" (Efésios 4:12-13). Paulo comparou os membros da Igreja e suas várias responsabilidades ao corpo: "Porque também o corpo não é um membro, mas muitos. Agora pois há muitos membros, mas um só corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele" (I Coríntios 12:14, 18, 20-21, 26).

19. As escrituras nos ensinam claramente que apesar de termos diferentes chamados e estes mudarem periodicamente, todos esses chamados são importantes para o funcionamento da Igreja. Precisamos que os quoruns do sacerdócio assumam seu papel e cumpram seu dever divinamente comissionado, assim como precisamos que a Sociedade de Socorro, a Primária, a Organização das Moças, a Escola Dominical e o comitê de atividades cumpram suas funções de vital importância. Precisamos também que os oficiais e membros de todas essas organizações inspiradas trabalhem juntos, auxiliem-se mutuamente no que for preciso para o benefício de pessoas e famílias.

20. Não se trata do trabalho de determinado homem ou mulher; é o trabalho de Deus, que está centralizado na expiação do Senhor Jesus Cristo. Tenho algumas sugestões específicas que, se seguidas, creio poderem ajudar-nos a sermos mais eficazes em nossas famílias e em chamados na Igreja.

21. Primeiro, concentrai-vos nos princípios fundamentais. Com toda certeza aprendemos a respeito desses princípios fundamentais nesta conferência. Os que ensinam devem apresentar a doutrina pura. Ensinai pelo Espírito, utilizando as escrituras e o material didático aprovado. Não alongueis nem debatais assuntos especulativos e questionáveis. Estudai os ensinamentos desta conferência nas reuniões de noite familiar e nas conversas da família: elas fortalecerão vosso lar. Num mundo repleto de pecado, conflito e confusão, podemos encontrar paz e segurança no conhecimento e cumprimento das verdades reveladas do evangelho.

22. Segundo, concentrai-vos nas pessoas. Coordenar atividades e marcar datas de eventos é algo que precisa ser feito, mas muitas reuniões de conselho começam e terminam nesse ponto. Em lugar de uma longa lista de planos e relatórios das organizações, a maior parte do tempo da reunião de conselho deve ser utilizada para se considerar as necessidades dos membros. Ao fazê-lo, o sigilo é extremamente importante. Os membros do conselho devem guardar sigilo absoluto sobre todos os assuntos discutidos nas reuniões de conselho.

23. Terceiro, incentivai a livre expressão. Isso é essencial para que o propósito do conselho seja alcançado. Os líderes e pais devem criar um ambiente que favoreça a franqueza, em que todas as pessoas se sintam importantes e todas as opiniões sejam valorizadas. O Senhor admoestou : "Que cada um fale a seu tempo, e que todos ouçam as palavras do que fala, para que quando todos houverem falado, todos se achem edificados" (D&C 88 :122, grifo nosso) . Os líderes devem reservar um tempo adequado para a reunião de conselho, lembrando-se de que devem ouvir pelo menos o tanto quanto falam.

24. Quarto, a participação é um privilégio. Esse privilégio é acompanhado de responsabilidades: responsabilidade de trabalhar dentro dos limites da organização, de estar preparados, de compartilhar, de defender vigorosamente o que consideramos ser o certo. Igualmente importante, porém, é a responsabilidade de apoiar e defender a decisão final do líder do conselho, mesmo que não concordemos plenamente com ela.

25. O Presidente David O. McKay contou-nos a respeito de uma reunião do Conselho dos Doze Apóstolos em que foi debatido um assunto de extrema importância. Ele e outros apóstolos sentiam fortemente que determinadas medidas precisavam ser tomadas e estavam preparados para expressar esse sentimento na reunião com a Primeira Presidência. Para sua surpresa, o Presidente Joseph F. Smith não os consultou, como de costume, sobre aquele assunto. Em vez disso, "ele ergueu-se e disse: 'Esta é a vontade do Senhor'. Apesar de não estar em completa harmonia com o que havíamos decidido...", escreveu Presidente McKay, "o Presidente dos Doze ... foi o primeiro a erguer-se, dizendo: 'Irmãos, proponho que esta se torne a opinião e a decisão deste Conselho'. 'Reitero a proposta', disse outro, e ela foi unânime. Não se passaram seis meses para que a sabedoria daquele líder fosse manifestada" (Cospe/ Ideais, Salt Lake City: Improvement Era, 1953, p . 264). Quando o líder do conselho chega a uma decisão, os membros do conselho devem apoiá-lo integralmente.

26. Quinto, liderai com amor. Jesus ensinou que o primeiro e maior mandamento da lei é "amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. E o segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22 :37, 39). Os líderes do sacerdócio devem liderar com "persuasão, ... longanimidade, ... mansuetude e ternura, ... amor não fingido; ... benignidade, e conhecimento puro (D&C 121:41-42). Estes são os princípios que devem guiar nosso relacionamento com o próximo na igreja de Jesus Cristo.

27. Os portadores do sacerdócio nunca devem esquecer que não têm o direito de usar a autoridade do sacerdócio como uma clava sobre a cabeça dos membros da família e nos chamados da Igreja. O Senhor disse a Joseph Smith que "quando tentamos encobrir os nossos pecados ou satisfazer o nosso orgulho, nossa vã ambição, exercer controle ou domínio ou coação sobre as almas dos filhos dos homens, em qualquer grau de injustiça, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa; e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade daquele homem"(D&C 121:37).

28. Em outras palavras, qualquer homem que invoca os poderes especiais do céu para os próprios interesses egoístas e procura usar o sacerdócio em qualquer grau de injustiça, na Igreja ou no lar, simplesmente não compreende a natureza de sua autoridade. O sacerdócio destina-se ao serviço, não à opressão; à compaixão, não à coerção; ao cuidado, não ao controle. Os que discordam estão agindo fora dos limites da autoridade do sacerdócio. Felizmente, a maioria de nossos pais e líderes do sacerdócio lideram com amor, assim como a maioria de nossas mães e líderes das auxiliares.

29. A liderança fundamentada no amor é acompanhada de inacreditável poder. Ele é real e produz resultados duradouros na vida dos filhos do Pai Celestial. Que Deus vos abençoe, irmãos, para que chegueis a um consenso e unidade inspirados ao vos reunirdes em conselho no intuito de servir uns aos outros. Somente assim a Igreja e as famílias começarão a se aproximar do pleno potencial de realização do bem entre os filhos de Deus na terra.

30. Sei que Deus vive e que Jesus é o Cristo. Sei que podemos desempenhar melhor nosso trabalho reunindo-nos em conselho, com união e amor. Que sejamos abençoados ao fazê-lo é a minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo, amém. (A Liahona, Janeiro de 1994, pp. 82–84.)


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