Destes Farei Meus Líderes, Presidente James E. Faust - Excelente!!!

~ segunda-feira, 11 de outubro de 2010



Conferencia Geral, outubro de 1980


É com humildade que aproveito a ocasião para falar ao sacerdócio hoje à noite. Gostaria de dirigir-me aos líderes da Igreja, e principalmente aos futuros líderes, os jovens do Sacerdócio Aarônico. Muitos de vocês receberão responsabilidades muito antes do que esperam. Não parece ter passado muito tempo desde que fui presidente de um quórum de diáconos. No que diz respeito ao crescimento rápido e mundial da Igreja, a liderança é um de seus maiores desafios.

Os líderes recebem e dão designações 

Há mais ou menos um ano, assisti a uma reunião de um quórum de élderes. Os membros da presidência eram jovens bons e capazes, mas quando chegou a hora de partilhar as
responsabilidades do quórum e fazer com que o trabalho fosse feito, limitaram-se a escolher os que estavam presentes e se voluntariavam. Nenhuma designação foi feita.

Um dos primeiros princípios que devemos ter em mente é que o trabalho do Senhor progride por meio de designações. Os líderes recebem e dão designações. Esta é uma parte básica do importante princípio de delegação. Ninguém aprecia um voluntário bem disposto mais do que eu, mas o trabalho total não pode ser feito como o Senhor deseja que seja meramente por aqueles que se apresentam nas reuniões. Muitas vezes fico imaginando como seria a Terra, se o Senhor, durante a Criação, tivesse deixado que o trabalho fosse feito somente por voluntários.

Se considerarmos o cumprimento de designações assim como a honra de edificarmos o reino de Deus, uma oportunidade e privilégio, certamente daremos a cada membro do quórum, designações e desafios. Tal envolvimento deve incluir, com discrição e sabedoria, aqueles que talvez mais necessitem disso—os irmãos inativos ou parcialmente ativos. As designações sempre devem ser feitas com o maior amor, consideração e bondade. As pessoas chamadas devem ser tratadas com respeito e apreço.

As Autoridades Gerais regularmente recebem designações da Primeira Presidência e do Presidente do Conselho dos Doze. Quer sejam elas feitas por escrito, como acontece na maioria dos casos, ou pessoalmente, vêm sempre acompanhadas de frases como: “se for do seu agrado” ou “se lhe for conveniente” ou “será que o irmão poderia fazer isto ou aquilo?” Elas nunca são apresentadas como se fossem uma ordem ou mandamento.


Seguir o exemplo do Salvador

Desde que estive no Egito, durante a Segunda Guerra Mundial, tenho-me interessado por ruínas antigas. É fascinante observar a razão por que algumas colunas ainda estão em pé, enquanto outras já caíram. As que ainda não caíram, geralmente permaneceram porque têm que agüentar um peso em cima. Acredito que existe um princípio paralelo na liderança. Aqueles que permanecem fiéis ao seu sacerdócio são,
freqüentemente, os que têm de agüentar o peso da responsabilidade. Os que se envolvem são aqueles que se mostram mais prontos a se comprometer. Portanto, o líder de quórum bemsucedido sentirá o desejo de ter e dar aos membros do seu quórum a oportunidade de servir em algum tipo de chamado adequado às circunstâncias.

O curso de liderança mais completo foi dado pelo próprio Salvador: “E disse-lhes: Vinde após mim (…)”. (Mateus 4:19) O líder não pode pedir a outros que façam o que ele não está disposto a fazer. O curso mais certo é seguir o exemplo do Salvador, e estamos seguros quando escutamos e seguimos as instruções de Seu profeta, o Presidente da Igreja.

O bom líder “muito espera, muito inspira”

Há alguns anos, eu estava viajando na Missão Rosario Argentina, na parte norte daquele país. Quando viajávamos pela estrada, passamos por uma grande boiada. O gado se movimentava pacificamente e sem dificuldade. Os animais estavam quietos. Não havia cachorro. Na frente, conduzindo a boiada, estavam três vaqueiros a cavalo, cada um deles uns quinze ou vinte metros de distância um do outro. Os três vaqueiros
estavam afundados na sela, completamente à vontade, certos de que o gado haveria de segui-los. Na parte de trás da boiada, via-se um único vaqueiro. Ele também estava afundado na sela, como se estivesse dormindo. A boiada toda se movimentava calma e pacificamente, completamente dominada. Essa experiência me mostrou ser óbvio que a liderança consiste três quartos em mostrar o caminho, e um quarto em seguir.

O líder em si, quando dirigir, não tem que ser bombástico e barulhento. Aqueles que são chamados para dirigir no ministério do Mestre, não são chamados para ser chefes ou ditadores. São chamados para serem pastores. Devem estar constantemente treinando outros para tomar oseu lugar e se tornarem maiores líderes que seus mestres. O bom líder muito espera, muito inspira e muito incentiva aqueles que lidera.

O líder tem que fazer com que as coisas aconteçam e que as vidas sejam afetadas. Algo deve movimentar-se e mudar. Ele deve ver que aqueles que estão abaixo de si não falhem. Mas isto deve ser feito à maneira do Senhor. Ele deve ser o instrumento nas mãos do Altíssimo para modificar vidas. Precisa saber onde está agora. Aonde está indo e como vai chegar lá.

Escutar

O líder deve ser um bom ouvinte. Deve estar disposto a ouvir conselhos. Precisa mostrar um interesse e amor genuínos por aqueles que estão sob sua mordomia. Nenhum líder do sacerdócio jamais pode ser eficiente, a menos que tenha sempre em mente as insuperáveis chaves de liderança encontradas na seção 121 de Doutrina e Convênios:

“Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido;

Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo—

Reprovando prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo.” (D&C 121:41–43)

De acordo com minha experiência, o Espírito Santo raramente reprova com firmeza. Toda a reprovação deve ser feita gentilmente, no esforço de convencer a pessoa reprovada de que aquilo é feito em seu próprio interesse. (…)

Auxílio Divino

Tendo fé no Senhor e humildade, o líder do sacerdócio pode esperar confiante a assistência divina na solução de seus problemas. Esforço e meditação podem ser necessários, mas a recompensa é certa. A resposta pode vir como veio a Enos: “(…) A voz do Senhor me veio outra vez à mente (…)”, disse ele. (Enos 1:10) Ou, pode ser por meio de um sentimento no peito, de acordo com a seção 9 de Doutrina e Convênios.


Depois de receber essa certeza divina e por meio do poder do Espírito Santo, o líder humilde pode então prosseguir num curso inabalável, com a convicção absoluta em mente e no coração de que aquilo que está sendo feito está certo e é aquilo que o próprio Salvador haveria de fazer. (…)

A maioria das pessoas chamadas para liderar a Igreja sentem-se inadequadas, por falta de experiência, de habilidade, de aprendizado e educação. Eis uma das muitas descrições de Moisés: “E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. (Números 12:3)

Lembro de que anos atrás, o Presidente John Kelly, que presidia a Estaca de Fort Worth Texas, chamou o Irmão Felix Velasquez para ser o presidente do ramo espanhol. Este bom homem trabalhava, se me recordo bem, como inspetor da estrada de ferro. Quando o Presidente Kelly o chamou para o trabalho, ele respondeu: “Irmão, eu não posso ser presidente do ramo espanhol. Eu não sei ler”. O Presidente Kelly então lhe prometeu que, se aceitasse o chamado e trabalhasse diligentemente para magnificá-lo, seria apoiado e abençoado. Com a ajuda do Senhor, esse homem humilde, por meio de seus esforços diligentes, conseguiu aprender a ler. Serviu bem como presidente de ramo e durante muitos anos subseqüentes e até a época atual, está trabalhando no sumo conselho daquela estaca. O Senhor abençoa Seus servos de muitas formas. (…)

Conselhos: “Uma característica marcante”


Quero referir-me agora a uma característica marcante da liderança por meio do sacerdócio, no governo da Igreja. Quero citar o Presidente Stephen L. Richards, que disse:

“De acordo com meu entendimento, uma característica marcante do governo da Igreja são os conselhos. (…) Dificilmente se passa um dia em que eu não veja a sabedoria de Deus na criação de conselhos para governar o Seu Reino. No espírito em que trabalhamos, os homens podem reunir-se com pontos de vista aparentemente divergentes e antecedentes completamente diversos, e, sob a operação daquele espírito, aconselhando-se juntos, podem chegar a um acordo.” (Conference Report, outubro de 1953, p. 86; grifo do autor.)


Aconselharem-se uns aos outros como líderes é a chave para o funcionamento bem-sucedido de uma presidência ou bispado. Mas, o que acontece, se for difícil ou não houver união ao se decidir algo? O Presidente Joseph F. Smith deu o seguinte conselho:

“Quando os bispos e seus conselheiros não concordam entre si, ou quando os presidentes e
seus conselheiros têm alguma dificuldade quanto a sentimentos ou medidas que devem tomar, é seu dever reunir-se e em humildade orar ao Senhor até que Ele lhes revele o que deve ser feito, e possam enxergar a verdade de uma mesma forma, a fim de poderem dirigir-se unidos ao povo.” (Doutrina do Evangelho, p. 140)

Ser um exemplo de retidão pessoal

As pessoas que lideram nesta Igreja precisam dar um bom exemplo de retidão pessoal. Devem buscar a orientação constante do Santo Espírito. Devem ter a sua vida e sua casa em ordem. Devem ser honestos e rápidos no pagamento de suas contas. Devem ser exemplares em toda a sua conduta. Devem ser homens de honra e integridade. Quando procuramos a direção constante do Espírito Santo, o Senhor nos responde.

Ao servir como supervisor de área na América do Sul, uma experiência inesquecível aconteceu em Montevidéu, Uruguai. Eu queria trocar algum dinheiro porque morava no Brasil na época; portanto, o Irmão Carlos Pratt me levou a uma casa de câmbio no centro de Montevidéu. Apresentou-me a um dos empregados, que me disse que poderiam trocar mil dólares para mim. Eu não possuía mil dólares em mão, mas sim um cheque emitido por um banco de Salt Lake City. A casa de câmbio nunca havia feito qualquer
negócio comigo antes. Aliás, eles nunca me haviam visto antes e não podiam esperar ver-me novamente. Não tinham meios de verificar se eu possuía mil dólares em depósito no banco que havia emitido o cheque, mas aceitaram o meu cheque sem hesitação, baseados tão somente no fato de eu ser mórmon e terem feito negócios anteriores com outros mórmons. Mostrei-me agradecido e feliz por merecer sua confiança. (…)

“Confirma teus irmãos”

Ao dar a Pedro algum treinamento como líder, o Salvador lhe disse: “(…) Quando te converteres, confirma teus irmãos”. (Lucas 22:32)


É interessante o fato de Ele ter usado a palavraconfirma. É muito difícil confirmar sem ser bom em comunicação. Os problemas surgem, muitas vezes, não porque o plano seja falho, mas porque a comunicação é inadequada. (…)

Os líderes do sacerdócio recebem a rara oportunidade de fazer entrevistas. Especificamente, por meio de contatos pessoais e entrevistas, o líder pode realizar o seguinte:

1. Inspirar e motivar.
2. Delegar e confiar.
3. Cobrar relatos e dar acompanhamento.
4. Ensinar por meio do exemplo e de preceitos.
5. Mostrar sua apreciação com generosidade.

Às vezes os líderes seguram muito forte as rédeas, limitando, freqüentemente, os talentos naturais e dons daqueles que foram chamados para trabalhar ao seu lado.

A liderança nem sempre produz uma sinfonia harmoniosa de fé, habilidade e talento em grupo, produzindo o máximo de eficiência e poder. Às vezes, ela se torna um solo bastante audível. O Presidente Lee ensinou um significado mais amplo da escritura “Portanto agora todo homem aprenda seu dever e a agir no ofício para o qual for designado com toda diligência”. (D&C 107:99) Além de fazer com que todos nós aprendamos
nossos deveres, os líderes devem deixar, ou permitir, que seus associados sejam inteiramente eficientes em seus próprios ofícios e chamados, e que seus assistentes sejam completamente investidos da devida autoridade. (…)

Oro para que, ao trabalharem diligentemente, sob a direção do Espírito Santo, aqueles que foram e serão chamados como líderes possam ter uma visão mais clara do seu dever, que possam estabelecer metas mais objetivas e seguir um curso mais reto.

Meu testemunho é que esta Igreja cresce e é bem-sucedida, porque estamos sob a influência guiadora do santo sacerdócio de Deus. Acredito que nossos líderes podem gerar o grande poder espiritual necessário para guiar o trabalho de Deus por meio de revelação pessoal à qual fazem jus devido à sua retidão. O conselho do Senhor a Josué é inestimável: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não pasmes nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares”. (Josué 1:9)

Que possa ser assim é o que eu oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém.





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