Jesus, o Líder Perfeito

Spencer W. Kimball


Há muito mais a se dizer sobre a inigualável liderança do Senhor Jesus Cristo do que é possível escrever em um único artigo ou livro. Todavia, eu gostaria de ressaltar alguns dos atributos e qualidades que Ele possui e que demonstrou possuir de modo tão perfeito. Esses mesmos atributos e qualidades são importantes para todos nós, se for nosso desejo ser bem sucedidos de forma duradoura como líderes.



Princípios Imutáveis

Jesus sabia quem Ele era e porque estava nesta Terra. Isso significa que Ele era capaz de liderar com poder, sem incertezas ou fraquezas.



Jesus ministrava com base em princípios imutáveis, em vez de ir estabelecendo regras de acordo com as circunstâncias. Assim, Seu estilo de liderança era sempre correto e constante. Muitos líderes do mundo hoje são como camaleões-modificam suas cores e opiniões para adaptar-se às circunstâncias-o que somente tende a confundir seus seguidores e companheiros, que não podem ter certeza do curso a ser tomado. Aqueles que se agarram ao poder às custas de seus princípios, em geral acabam sendo capazes de fazer qualquer coisa para perpetuar-se nele.
Jesus sabia quem Ele era e porque estava nesta Terra. Isso significa que Ele era capaz de liderar com poder, sem incertezas ou fraquezas.


Jesus declarou várias vezes: "Vem, segue-me." Seu programa era do tipo "faça o que eu faço", e não "faça o que eu mando." Seu brilho inato lhe permitiria ser um espetáculo fulgurante, mas isso deixaria seus seguidores muito distantes. Ele caminhava e trabalhava com aqueles a quem deveria servir. Sua liderança não era mantida pelo distanciamento, pois Ele não temia a proximidade da amizade; Ele não temia que a proximidade pudesse desapontar Seus seguidores. O fermento da verdadeira liderança não engrandecerá outros a menos que estejamos com eles e sirvamos àqueles que devemos liderar.
Jesus mantinha a virtude de tal maneira que, quando essa proximidade permitia que alguém tocasse-lhe a barra dos vestidos, essa virtude fluía dele (veja Marcos 5:24-34).



Compreensão




Jesus era um líder que escutava, que amava os outros com um amor perfeito, escutando-os sem, porém, condescender. Um grande líder escuta não somente aos outros, mas também à sua consciência e às impressões vindas de Deus. Jesus era um líder paciente, que exortava e amava os que o seguiam. Quando Pedro tomou a espada e cortou a orelha do servo do sumo-sacerdote, Jesus disse: "Mete a tua espada na bainha." (João 18: 11). Sem enraivecer ou se mostrar perturbado, Jesus silenciosamente curou a orelha do servo (Veja Lucas 22:51). Sua reprovação a Pedro foi gentil, mas sem deixar de ser firme.



Por amar os que O seguiam, Ele era capaz de nivelar-se a eles a fim de ser sincero e direto. Ele reprovou Pedro às vezes porque o amava e Pedro, sendo um grande homem, crescia com cada reprimenda. Há um versículo maravilhoso no livro dos Provérbios do qual precisamos nos lembrar:



"Os ouvidos que escutam a repreensão da vida, no meio dos sábios farão sua morada.
O que rejeita a correção, menospreza a sua alma, mas o que escuta a repreensão adquire entendimento." (Prov. 15: 31-32)


Por amar os que O seguiam, Ele era capaz de nivelar-se a eles a fim de ser sincero e direto. Ele reprovou Pedro às vezes porque o amava e Pedro, sendo um grande homem, crescia com cada reprimenda.

Aquele que consegue receber a "reprovação da vida" é um líder sábio e também um seguidor sábio. Pedro era capaz de aceitar a repreensão porque sabia que Cristo o amava e, portanto, Jesus conseguia preparar Pedro para uma posição de responsabilidade no Reino. Jesus considerava o pecado um erro, mas, ao mesmo tempo, era capaz de compreender que o pecado se originava nas profundas necessidades insatisfeitas do pecador, o que lhe permitia condenar o pecado sem condenar o indivíduo. É possível demonstrarmos amor por outros, mesmo quando devemos corrigi-los. Precisamos olhar profundamente nas vidas das outras pessoas para ver as causas básicas de seus defeitos e dificuldades.

Liderança Altruísta

A liderança do Salvador era altruísta. Ele colocava a si mesmo e suas necessidades em segundo plano e ministrava os outros indo muito além do dever, incansavelmente, com amor e eficiência. Tantos problemas no mundo de hoje são causados pelo egoísmo e pelo egocentrismo. Muitos fazem exigências enormes à vida e aos outros a fim de atender suas necessidades. Tudo isso é o extremo oposto dos princípios e práticas exercidos com perfeição pelo exemplo primoroso de liderança, Jesus de Nazaré.



O estilo de liderança de Jesus enfatizava a importância do discernimento em relação aos outros sem procurar manipulá-los. Ele preocupava-se com a liberdade de escolha de seus seguidores. Mesmo Ele, naqueles momentos de tanta significação, teve de decidir-se voluntariamente a aceitar o Getsêmane e o Calvário. Ele nos ensinou que não pode haver crescimento sem a verdadeira liberdade. Um dos problemas da liderança manipuladora é que ela não se baseia no amor pelos outros, mas da necessidade de tirar proveito deles. Líderes desse tipo concentram-se em suas próprias necessidades e não nas dos outros.



Jesus via em perspectiva os problemas do povo. Ele conseguia calcular com precisão o efeito e o impacto de longo prazo de cada declaração, não apenas daqueles que as leriam, mas até mesmo de seu significado dois mil anos mais tarde. Freqüentemente os líderes deste mundo procuram resolver problemas imediatos procurando parar a dor do presente, criando, porém, dificuldades ainda maiores no futuro.



Responsabilidade

Jesus sabia como envolver seus discípulos no processo da vida. Ele lhes deu tarefas importantes e específicas para executarem a fim de procurarem seu próprio desenvolvimento. Outros líderes tentam ser tão onicompetentes e procuram fazer tudo por si mesmos, o que proporciona pouco crescimento aos outros. Jesus tem confiança suficiente em Seus seguidores para compartilhar com eles Sua obra, dando-lhes oportunidade de crescer. Essa é uma das maiores lições de sua forma de liderar. Se descartarmos as pessoas a fim de ter uma tarefa executada mais rápida e perfeitamente, a tarefa poderá ser bem executada, mas à custa do desenvolvimento dos seguidores, que é tão importante. Jesus sabe que a vida nesta Terra tem um propósito e que fomos aqui mandados para crescer. O crescimento, dessa maneira, torna-se tanto um dos meios quanto um dos objetivos da vida. Precisamos corrigir as pessoas positivamente, de um modo amoroso e útil, quando elas erram.



Jesus não temia fazer exigências daqueles que Ele liderava. Seu estilo de liderança não era condescendente ou fraco. Ele teve a coragem de chamar Pedro e outros e fazê-los largar suas redes de pescar e segui-Lo durante a estação de pesca, não depois dela ou depois da próxima pescaria, mas naquele momento! Jesus deixava as pessoas saberem que Ele acreditava nelas e em suas potencialidades, sendo assim possível para Ele ajudá-las a esforçar-se e a atingir grandes realizações. Tantos líderes seculares hoje são, de muitas maneiras, condescendentes e desprezam as pessoas, tratando-as como se devessem permanecer para sempre protegidas e mimadas. Jesus acreditava em seus discípulos, não só pelo que eles eram, mas também por aquilo que podiam tornar-se. Enquanto outros veriam em Pedro apenas um pescador, Jesus via nele um poderoso líder religioso-corajoso, forte-que deixaria sua marca sobre boa parte da humanidade. Amar as pessoas significa ajudá-las a crescer, fazendo exigências razoáveis, mas realistas.





Jesus apresentava às pessoas verdades e tarefas de acordo com sua capacidade. Ele não as assoberbava com mais do que eram capazes de suportar, mas dava-lhes o suficiente para esforçarem-se. Jesus preocupava-se com os elementos básicos da natureza humana e em ocasionar mudanças duradouras, não apenas mudanças superficiais.



Responsabilidade

Jesus ensinou-nos que somos responsáveis não somente por nossas ações, mas também por nossos pensamentos. Essa responsabilidade deve ser sempre lembrada. Vivemos numa época que enfatiza que "não há garantia contra o erro" e que também "não existe erro no comportamento humano". Sem dúvida, não é possível haver responsabilidade sem princípios bem definidos. Um bom líder saberá que é responsável perante Deus e perante aqueles que ele lidera. Ao exigir responsabilidade de si mesmo, ele fica em uma posição melhor para exigir o mesmo dos outros. As pessoas tendem a ter um desempenho no padrão estabelecido pelos seus líderes.

Uso Sábio do Tempo

Jesus nos ensinou também a importância de usarmos nosso tempo com sabedoria, o que não significa que não devamos ter tempo para o lazer, pois deve haver ocasiões para a contemplação e para renovação, embora o desperdício do tempo seja reprovável. Usar o nosso tempo com sabedoria é muito importante, o que não significa, entretanto, que devamos ser frenéticos ou impertinentes. O tempo não pode ser reciclado. Uma vez que o momento tenha passado, ele jamais voltará. A tirania da trivialidade consiste em desviar-nos das pessoas e dos momentos que têm real importância. Os detalhes podem tornar reféns as coisas de real significado e podem fazer com que essa tirania se torne freqüente. O uso sábio do tempo é, na realidade, o gerenciamento da nossa própria vida.

Liderança Secular

As pessoas que mais amamos, admiramos e respeitamos como líderes humanos são assim considerados precisamente porque personificam, de muitos modos diferentes, as qualidades que Jesus tinha em Sua vida e em Sua liderança.



Por outro lado, os líderes que historicamente têm tido um impacto trágico e negativo na humanidade são vistos assim exatamente por não possuírem, em qualquer grau, as qualidades do Homem da Galiléia. Enquanto Cristo era altruísta, eles eram egoístas. Naquilo que Jesus dava liberdade, eles exerciam controle. Enquanto Cristo estava preocupado em servir, eles preocupavam-se com status. Enquanto Cristo atendia às necessidades genuínas dos outros, eles pensavam apenas na satisfação de suas necessidades e desejos. Quando Jesus se mostrava pleno de compaixão equilibrada com justiça, eles em geral enchiam-se de crueldade e injustiça.

Usar o nosso tempo com sabedoria é muito importante, o que não significa, entretanto, que devamos ser frenéticos ou impertinentes.


Talvez nenhum de nós seja o perfeito exemplo de líder, mas todos podemos empreender sérios esforços para nos aproximarmos desse grande ideal.

Nosso Potencial

Um dos grandes ensinamentos do Homem da Galiléia, o Senhor Jesus Cristo, é que trazemos dentro de nós imenso potencial. Ao nos exortar para sermos perfeitos como Nosso Pai Celestial, Jesus não estava brincando ou caçoando de nós. Ele estava nos revelando uma verdade poderosa sobre nossas possibilidades e potencial. Essa é uma verdade quase chocante demais para levarmos em consideração. Jesus, que não podia mentir, procurou nos chamar para seguirmos o caminho da perfeição.


Não somos ainda perfeitos como Jesus o é, mas, a menos que aqueles que nos seguem nos vejam lutando e nos tornando melhores, eles não poderão seguir nosso exemplo e vão nos enxergar como hipócritas em relação àquilo que nos propomos fazer.


Cada um de nós tem mais oportunidades de fazer o bem e de ser bons do que somos capazes de aproveitar. Essas oportunidades estão por todo lado. Seja qual for a extensão do nosso círculo atual de influência, se melhorássemos um pouquinho nosso desempenho, esse círculo se ampliaria. Há muitos indivíduos à espera de serem tocados e amados, se apenas tivermos o cuidado de melhorar nosso desempenho.



Devemos lembrar-nos que todos os mortais que encontramos nos estacionamentos, escritórios, elevadores e outros lugares fazem parte daquela porção da humanidade que o Senhor nos deu para amar e servir. Pouco se nos adiantará discursarmos sobre a irmandade geral de toda a humanidade se não conseguirmos enxergar aqueles ao nosso redor como nossos irmãos e irmãs. Se nossa porção da humanidade nos parece pequena e pouco estimulante, precisamos lembrar-nos da parábola que Jesus nos deu para nos mostrar que a grandeza não é uma questão de tamanho ou escala, mas da qualidade de nossa vida. Se nos sairmos bem com as oportunidades e talentos que nos foram dados, Deus não o deixará de observar. E àqueles que se saem bem com as oportunidades que lhes são dadas, mais será dado!



As escrituras contêm muitos exemplos maravilhosos de líderes que, ao contrário de Jesus, não eram perfeitos, mas que ainda assim se saíram muito bem. Ler essas histórias freqüentemente nos faria muito bem. Esquecemo-nos que as escrituras nos apresentam séculos de experiência em liderança e, ainda mais importante, nos mostram os princípios imutáveis sobre os quais a verdadeira liderança deve operar para ser bem sucedida. As escrituras são o manual de instruções do futuro líder.

O Líder Perfeito

Não me desculpo por reconhecer alguns dos atributos de Jesus Cristo naqueles que procuram ser líderes bem sucedidos.


Se desejamos ser eminentemente bem sucedidos, Ele é o nosso padrão. Todas as qualidades nobres, perfeitas e belas da maturidade, do poder e da coragem encontram-se nessa única pessoa. Quando a multidão enfurecida, armada até os dentes, aproximou-se dele para prendê-lo, Ele a enfrentou com resolução, perguntando a seus perseguidores: “A quem buscais?”
Surpresa, a multidão murmurou Seu nome: “Jesus de Nazaré.”



“Sou eu”, respondeu Jesus Nazareno, com altivez, coragem e poder. Os soldados recuaram e caíram por terra.”



Perguntou-lhes ainda uma segunda vez: “A quem buscais?”, e quando repetiram Seu nome, Ele lhes disse: “Já vos disse que sou eu; se pois buscais a mim, deixai ir estes.” (João 18: 4-8).



Talvez o mais importante que eu possa dizer sobre Jesus Cristo, mais importante do que tudo o que já disse é que Ele vive. Ele realmente possui todas as virtudes e atributos dos quais as escrituras nos falam. Se chegarmos a saber isso, então conheceremos a realidade principal sobre o homem e sobre o universo. Se não aceitarmos essa verdade e essa realidade, então não teremos o princípio estabelecido ou as verdades transcendentais pelas quais é possivel viver vidas felizes e caridosas. Em outras palavras, ser-nos-á muito difícil ser líderes que fazem diferença se não reconhecermos a realidade do líder perfeito, Jesus Cristo e se não deixarmos que Ele seja a luz através da qual enxergamos nosso caminho!


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Acautelai-vos Do Orgulho





Presidente Ezra Taft Benson

Conferência Geral, Abril 1989

“Orgulho é o pecado universal, o grande vício... O orgulho é a grande Pedra de tropeço de Sião.”

Meus amados irmãos, alegro-me por estar convosco em mais uma gloriosa conferência geral da Igreja. Sou profundamente grato pelo amor, orações e serviço dos devotados membros da Igreja no mundo inteiro.
Gostaria de elogiar os santos fiéis que se empenham por inundar a terra e a própria vida com o Livro de Mórmon. Precisamos não só distribuir de forma monumental mais exemplares do Livro de Mórmon, mas temos de promover corajosamente mais de suas maravilhosas mensagens em nossa própria vida e por toda a terra.
Esse sagrado livro foi escrito para nós - para os nossos dias. Suas escrituras destinam-se a ser aplicadas por nós. (Vide 1 Néfi 19:23.)
O livro Doutrina e Convênios nos diz que o Livro de Mórmon é o “registro de um povo decaído”. (Vide D&C 20:9.) E por que ele caiu? Esta é uma das principais mensagens do Livro de Mórmon. Nos derradeiros capítulos desse registro, Mórmon dá a resposta nestes termos: “Eis que o orgulho desta nação, ou seja, do povo nefita, será a causa de sua destruição.” (Morôni 8:27.) E depois, para que não ignoremos essa significativa mensagem do Livro de Mórmon a respeito do povo decaído, o Senhor nos adverte em Doutrina e Convênios: “Precavei-vos contra o orgulho, para que não vos torneis como os nefitas de outrora.” (D&C 38:39.)
Peço sinceramente o beneficio de vossa fé e oraçoes ao procurar lançar luz sobre esta mensagem do Livro de Mórmon - o pecado do orgulho - mensagem esta que me vem acabrunhando a alma já há certo tempo. Sei que o Senhor quer que essa mensagem seja transmitida agora.
No conselho pré-mortal, foi o orgulho que derrubou Lúcifer, o “filho da manhã”. (2 Néfi 24:12-15; vide também D&C 76:25-27; Moisés 4:3.) No fim deste mundo, quando Deus purificar a terra pelo fogo, os orgulhosos serão queimados qual restolho e os mansos herdarão a terra. (Vide 3 Néfi 12:5, 25: 1; D&C 29:9; Joseph Smith 2:37; Malaquias 4:1.)
Em Doutrina e Convênios, o Senhor por três vezes usa a frase “acautelai-vos do orgulho”, inclusive falando ao segundo élder da Igreja, Olíver Cowdery, e Emma Smith, esposa do profeta. (D&C 23: 1; vide também 25:14; 38:39.)
O orgulho é um pecado muito mal compreendido, e muitos pecam por ignorância. (Vide Mosias 3:11; 3 Néfi 6:18.) Nas escrituras, o orgulho nunca é considerado justo - sempre é pecado. Portanto, não importa como o mundo empregue o termo, temos de compreender o sentido que Deus lhe dá para entendermos a linguagem dos escritos sagrados e deles tirar proveito. (Vide 2 Néfi 4:15; Mosias 1:3-7; Alma 5:61.)
Muitos de nós consideramos o orgulho egocentrismo, convencimento, jactância, arrogância ou soberba. Tudo isto faz parte do pecado, mas continua faltando a essência, o cerne.
O cerne do orgulho é a inimizade - inimizade para com Deus e para com o próximo. Inimizade quer dizer “ódio, hostilidade ou oposição”. E o poder pelo qual Satanás quer reinar sobre nós.
O orgulho é essencialmente competitivo por natureza. Lançamos nossa vontade contra a de Deus. Quando lançamos nosso orgulho contra Deus, é no sentido de “seja feita a minha vontade e não a tua”. Conforme dizia Paulo, eles “buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus”. (Filipenses 2:21.)
Nosso desejo de competir com a vontade de Deus, dá vazão desenfreada aos desejos, apetites e paixões. (Vide Alma 38:12; 3 Néfi 12:30.)
O orgulhoso não consegue aceitar que sua vida seja dirigida pela autoridade de Deus. (Vide Helamã 12:6.) Ele opõe sua percepção da verdade ao conhecimento maior de Deus, sua capacidade ao poder do sacerdócio de Deus, suas realizações às poderosas obras dele.
Nossa inimizade para com Deus assume muitos rótulos, como rebeldia, coração endurecido, obstinação, impenitência, soberba, suscetibilidade e incredulidade. Os orgulhosos querem que Deus concorde com eles. Não estão interessados em mudar de opinião para concordar com Deus.
Outro componente importante desse pecado predominante é a inimizade para com nossos semelhantes. Somos tentados diariamente a considerar-nos melhores que os outros e a diminuí-los. (Vide Helamã 6:17; D&C 58:41.)
Os orgulhosos fazem de todos os homens seus adversários, lançando seu intelecto, opiniões, obras, posses, talentos ou qualquer outro mecanismo de medida contra seus semelhantes. Nas palavras de C. S. Lewis: “O orgulho não se compraz em ter alguma coisa, somente em ter mais que o próximo... É a comparação que vos torna orgulhosos: o prazer de sentir-se acima dos outros. Tirando-lhe o elemento competitivo, desaparece o orgulho.” (Mere Christianity, New York: Macmillan, 1952, pp. 109-110.)
No conselho pré-terreno, Lúcifer apresentou sua proposta contra o plano do Pai, defendido por Jesus Cristo. (Vide Moisés 4:1-3.) Queria ser honrado mais que todos os outros. (Vide 2 Néfi 24:13.) Em suma, desejava em sua soberba destronar a Deus. (Vide D&C 29:36; 76:28.)
As escrituras estão repletas das graves conseqüências que o pecado do orgulho causou a pessoas, grupos, cidades e nações. “A soberba precede a ruína.” (Provérbios 16:18.) Causou a destruição do povo nefita e da cidade de Sodorna. (Vide Morôni 8:27; Ezequiel 16:49-50.)
Foi o orgulho que provocou a crucificação de Cristo. Os fariseus se enfureceram por Jesus declarar-se o Filho de Deus, o que ameaçava sua posição, e por isso tramaram sua morte. (Vide João 11:53.)
Saul tornou-se inimigo de Davi por orgulho. Ficou enciumado porque as mulheres israelitas saíram ao seu encontro cantando: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares.” (I Samuel 18:6-8.)
O orgulhoso teme mais o julgamento humano que o julgamento de Deus. (Vide D&C 3:6-7; 30:1-2; 60:2.) “O que os homens pensarão de mim?” pesa mais do que: “O que Deus pensará de mim?”
O Rei Noé estava disposto a libertar o Profeta Abinádi, mas o apelo ao seu orgulho da parte dos sacerdotes iníqüos mandou Abinádi para a fogueira. (Vide Mosias 17:11-12.) Herodes afligiu-se quando a esposa pediu que João Batista fosse decapitado, mas seu desejo orgulhoso de sobressair aos olhos “dos que estavam à mesa com ele” causou a morte de João. (Mateus 14:9; vide também Marcos
6:26.)
O temor do julgamento dos homens se manifesta na luta pela aprovação deles. O orgulhoso ama “a glória dos homens, (mais) do que a glória de Deus”. (João 12:42-43.) O pecado se manifesta nos motivos pelos quais agimos. Jesus disse que fazia “sempre” o que agradava a Deus. (Vide João 8:29.) Não faríamos melhor em ter o agrado de Deus por estímulo, do que procurar sobressair e fazer melhor que outra pessoa?
Certas pessoas orgulhosas estão mais preocupadas com o fato de seu salário ser superior ao de outra pessoa do que se o mesmo atende suas necessidades. Sua recompensa é estar um grau acima dos outros. Esta é a inimizade do orgulho.
Quando o orgulho toma conta de nosso coração, deixamos de ser independentes do mundo e escravizamos nossa liberdade ao julgamento humano. O mundo brada mais alto que os sussurros do Espírito Santo. O raciocínio humano prevalece sobre as revelações de Deus, e o orgulhoso larga a barra de ferro. (Vide 1 Néfi 8:19-28; 11:25; 15:23-24.)
Orgulho é o pecado que vemos facilmente nos outros, mas raramente reconhecemos em nós mesmos. Quase todos nós consideramos o orgulho como pecado de pessoas eminentes, corno os ricos e os instruídos, olhando de cima para o resto de nós. (Vide 2 Néfi 9:42.) Existe, porém, um mal muito mais comum entre nós: o orgulho dos que de baixo olham para cima. Este se manifesta de inúmeras maneiras, como críticas, maledicência, difamação, resmungos, viver acima das posses, inveja, cobiça, recusar gratidão e louvor capaz de edificar outra pessoa, e mostrar-se insensível e invejoso.
A desobediência é basicamente o orgulhoso desafio a alguma autoridade superior. Pode ser a de um pai ou mãe, líder do sacerdócio, professor ou, sobretudo, Deus. A pessoa orgulhosa detesta o fato de que alguém esteja acima dela, achando que isto a rebaixa.
O egoísmo é um dos aspectos mais comuns do orgulho. “Como isto me afeta” é o centro de tudo que importa - presunção, autocomiseração, auto-realização mundana, satisfação própria e egoísmo.
O orgulho resulta em combinações secretas destinadas a obter poder, proveito e a glória do mundo. (Vide Helamã 7:5; Éter 8:9, 16, 22-23; Moisés 5:31.) Esse fruto do pecado do orgulho, isto é, as combinações secretas, derrubou a civilização jaredita e a nefita, e tem sido e ainda será a causa da ruína de muitas nações. (Vide Éter 8:18-25.)
Outro aspecto do orgulho é a contenda. Discussões, disputas, domínio injusto, divergências entre gerações, divórcios, maus tratos conjugais, motins e tumultos enquadram-se todos nessa categoria de orgulho.
Contendas na família afastam o Espírito do Senhor, como também muitos membros de nossa família. A contenda varia de uma palavra ofensiva a conflitos mundiais. Dizem-nos as escrituras que “da soberba só provém a contenda”. (Provérbios 13: 10; vide igualmente Provérbios 28:25.)
As escrituras testificam que o orgulhoso se ofende facilmente e guarda ressentimento. (Vide 1 Néfi 16:1-3.) Ele se nega a perdoar a fim de manter o outro em débito e justificar sua mágoa.
Os orgulhosos não aceitam facilmente conselho ou repreensão. (Vide Provérbios 15:10; Amós 5: 10.) Usam a atitude defensiva para justificar e racionalizar suas fraquezas e falhas. (Vide Mateus 3:9; João 6:30-59.)
Os orgulhosos dependem do mundo para dizer-lhes se têm valor ou não. Sua auto-estima depende de onde se encontram, pretensamente, na escada do sucesso mundano. Sentem-se dignos de mérito como pessoa se houver um número suficiente de indivíduos abaixo deles em termos de realizações, talento, beleza ou inteligência. O orgulho é feio e diz: “Se tens sucesso, sou um fracasso.”
Se amarmos a Deus, fizermos sua vontade e temermos seu julgamento mais que o dos homens, teremos auto-estima.
O orgulho é um pecado amaldiçoador no verdadeiro sentido da palavra. Ele limita ou impede o progresso. (Vide Alma 12:10-11.) Os orgulhosos não se deixam ensinar. (Vide 1 Néfi 15:3, 7-11.) Não mudam de idéia para aceitar verdades porque fazê-lo implicaria admitir seu erro.
O orgulho afeta negativamente todas as nossas relações - nossas relações com Deus e seus servos, entre marido e esposa, pais e filhos, empregador e empregado, professor e aluno, e toda a humanidade. Nosso grau de orgulho determina como tratamos nosso Deus e nossos irmãos. Cristo quer elevar-nos até onde ele se encontra. Será que desejamos fazer o mesmo com os outros?
O orgulho debilita nosso sentimento de filiação para com Deus e fraternidade para com o homem. Ele nos separa e divide em “classes” de acordo com nossas “riquezas” e “oportunidades de instrução”. (3 Néfi 6:12.) É impossível haver unidade num povo orgulhoso, e se não formos um, não somos do Senhor. (Vide Mosias 18:21; D&C 38:27; 105:2-4; Moisés 7:18.)
Pensai no que o orgulho nos tem custado no passado e nos está custando hoje em nossa vida, nossa família e na Igreja.
Pensai no arrependimento possível em termos de vidas transformadas, casamentos preservados e lares fortalecidos, se o orgulho não nos impedir de confessar os pecados e abandoná-los. (Vide D&C 58:43.)
Pensai nos numerosos membros que se tornaram menos ativos na Igreja, porque foram ofendidos, e o orgulho não lhes permitiu perdoar ou fartar-se plenamente à mesa do Senhor.
Pensai nas dezenas de milhares a mais de jovens e casais que poderiam estar cumprindo missão, se o orgulho não os impedisse de entregar seu coração a Deus. (Vide Alma 10:6; Helamã 3:34-35.)
Pensai no crescimento da obra do templo, se o tempo dedicado a esse serviço sublime fosse mais importante que muitos interesses orgulhosos que reclamam nosso tempo.
O orgulho afeta todos nós em diversas ocasiões e vários graus. Agora podeis ver por que o edifício representativo do orgulho no sonho de Leí era grande e espaçoso, e enorme a multidão que nele entrava. (Vide 1 Néfi 8:26, 33; 11:35-36.)
Orgulho é o pecado universal, o grande vício. Sim, o orgulho é o pecado universal, o grande vício.
O antídoto para o orgulho é humildade - mansidão, submissão. (Vide Alma 7:23.) É o coração quebrantado e espírito contrito. (Vide 3 Néfi 9:20,12:19; D&C 20:37, 59:8; Salmos 34:18; Isaías 57:15, 66:2.) Conforme tão bem o colocou Rudyard Kipling:
Morrem os gritos e o clamor,
Passa dos reis o vão poder,
Mas teu divino esplendor,
Há de viver, há de viver.
Teus mandamentos, o Senhor,
Não nos permitas esquecer!
(“Deus de Meus Pais”, Hinos, n.º 58.)
Deus terá um povo humilde. Podemos escolher ser humildes ou podemos ser compelidos à humildade. Diz Alma: “Abençoados são os que se humilham sem a isso serem compelidos.” (Alma 32:16.)
Sejamos humildes por opção.
Podemos ser humildes voluntariamente vencendo a inimizade para com nossos irmãos, estimando-os como a nós próprios e alçando-os até onde estamos, ou mais alto ainda. (Vide D&C 38:24; 81:5; 84:106.)
Podemos ser humildes voluntariamente aceitando conselhos e punição. (Vide Jacó 4:10; Helamã 15:3; D&C 63:55, 101:4-5, 108:1, 124:61, 84; 136:31; Provérbios 9:8.)
Podemos ser humildes voluntariamente perdoando os que nos ofenderam. (Vide 3 Néfi 13:11, 14; D&C 64: 10.)
Podemos ser humildes voluntariamente prestando serviço abnegado. (Vide Mosias 2:16-17.)
Podemos ser humildes voluntariamente saindo em missão e pregando a palavra capaz de tornar outros humildes. (Vide Alma 4:19; 31:5; 48:20.)
Podemos ser humildes voluntariamente indo mais freqüentemente ao templo.
Podemos ser humildes voluntariamente confessando e abandonando o pecado, e nascendo de Deus. (Vide D&C 58:43; Mosias 27:25-26; Alma 5:7-14, 49.)
Podemos ser humildes voluntariamente amando a Deus, fazendo sua vontade e dando-lhe prioridade em nossa vida. (Vide 3 Néfi 11:11, 13:33; Morôni 10:32.)
Sejamos humildes por opção. Nós podemos sê-lo. Sei que podemos.
Meus queridos irmãos, temos de nos preparar para redimir Sião. Foi essencialmente o pecado do orgulho que nos impediu de estabelecer Sião nos dias do Profeta Joseph Smith. Foi o mesmo pecado que decretou o fim da consagração entre os nefitas. (Vide 4 Néfi 1:24-25.)
O orgulho é a grande pedra de tropeço no caminho de Sião. Repito. O orgulho é a grande pedra de tropeço no caminho de Sião.
Temos de limpar o vaso interior vencendo o orgulho. (Vide Alma 6:2-4; Mateus 23:25-26.) Temos de ceder “aos sussurros do Espírito Santo”, despojar-nos do “homern natural”, santificando-nos “pela expiação de Cristo, o Senhor”, e tornando-nos como “a criança, submisso, manso, humilde”. (Mosias 3:19; vide também Alma 13:28.)
Que assim procedamos e sigamos avante para cumprir nosso divino destino, é minha fervorosa oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

(A Liahona, julho de 1989, pp. 3-6)


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O Nascimento do Mormonismo e Sua Relação Com a Maçonaria


por Cesóstre Guimarães de Oliveira


Em 6 de abril de 1830, Joseph Smith Junior, Oliver Cowdery, Hyrum Smith, Peter Whitmer Junior, Samuel H. Smith e David Whitmer estabeleceram de forma oficial, conforme registrado em ata, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os membros da jovem Igreja posteriormente vieram a ser reconhecidos simplesmente como mórmons, isto aconteceu em função do Livro de Mórmon, um livro que relata a existência de povos que habitaram nas Américas por voltar de 1.000 a.C.
Já antes mesmo da organização da Igreja como uma instituição, os mórmons eram vitimas do preconceito descabido, motivado pela intolerância em aceitar a individualidade e direito a religião tão preservada pela maçonaria.
As novas doutrinas ensinadas e defendidas por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mormonismo) eram completamente estranhas ao contexto religioso histórico da época. Ensinamentos como casamento plural (por alguns outros, erroneamente chamado de poligamia), crença em um Deus com forma humana tangível e (que evoluiu até atingir a perfeição), possibilidade de evolução até chegar à perfeição divina, entre outras, estas crenças eram vistas com certa reprovação por parte dos seguidores do protestantismo e catolicismo contemporâneo dos precursores do mormonismo.
No principio, estas reprovações não passavam de simples discordâncias, mais com o rápido crescimento da Igreja estas opiniões acentuaram-se e passaram a ser ponto de origens de conflitos físicos e armados, entre as partes divergentes. Esta intolerância acentuou-se com a iniciação maçônica de Joseph Smith Junior em 15 de março de 1842 na Loja de Nauvoo - Illinois (EUA). Antes de Joseph, vários outros líderes da Igreja já haviam sido iniciados na maçonaria e outros, o eram até mesmo antes de ingressar na jovem Igreja, mas foi o ingresso de Joseph que desencadeou de forma mais acirrada a desconfiança, e conseqüentemente os ataques contra os mórmons.
Esta “associação” do mormonismo com a maçonaria proveu munição para os inimigos de ambos. Já que neste momento histórico a Maçonaria vivia (ainda) uma das maiores perseguições já acontecida nas Américas. Velhos inimigos da maçonaria viram nesta associação, mormonismo e maçonaria, uma oportunidade de livrarem-se dos seus maiores desafetos.
Os ânimos dos contrários à Maçonaria encontravam-se bastante inflamados em função do “misterioso” desaparecimento de William Morgan. Este, um sujeito inescrupuloso, que de forma maquiavélica se infiltrou entre os maçons da Batávia (NY), Após enganar alguns maçons, reivindicou certos direitos que não lhe pertenciam. Morgan era casado, tinha 52 anos, e era um artesão errante, já que o mesmo não fixava residência por muito tempo. Em suas andanças embora não iniciado, ele conseguiu se infiltrar na maçonaria, inclusive adentrando aos segredos mais bem guardados pela ordem, este foi um golpe forte na fraternidade. Em função disto, comunicados foram enviados as todas as Lojas americanas. Em um jornal de Canadaigua, cidade do estado de New York, foi publicado no dia 9 de agosto de 1826 o seguinte alerta: “Se um homem chamado William Morgan apresenta-se como Maçom na comunidade, é preciso cuidado, Morgan esteve entre nós em maio passado e sua conduta enquanto esteve aqui e em outros lugares exige muito cuidado... Morgan é um vigarista, é um homem muito perigoso. Existem muitas pessoas nesta cidade que ficariam felizes em ver morto esse que se auto-intitula capitão Morgan”.
A história é muita rica de detalhes quando se trata de esmiuçar a vida deste traidor da ordem. Antes de ser expulso, Morgan foi o pivô de grandes disputas dentro da ordem, em função de suas artimanhas maquiavélicas foi expulso, sendo lhe recomendado que nada comentasse com ninguém sobre maçonaria. Ignorando estas recomendações, trazendo a luz seu caráter e em represália, Morgan decidiu publicar um livro onde exporia aquilo que ele chamava de “segredos da Maçonaria”, e assim o fez.
Fazendo contato com o coronel David C. Miller que era o editor do Jornal Advocate, na Batavia, Morgan convenceu Miller de que conseguiriam arrecada 2 milhões de dólares com a venda dos livros, este valor embora seja uma quantia expressiva nos dias atuais, para aquele momento da história era uma quantia imensurável, a ganância logo tomou conta de ambos.
Analisando o conteúdo de seu livro, e comparando ao momento histórico maçônico americano, facilmente podemos concluir que este livro não era motivo suficientemente para incomodar a Maçonaria; já que, livros semelhantes ao de Morgan há muito tempo eram produzidos na Europa e facilmente encontrados nos Estados Unidos. Acredito que o sentimento de ser traído por alguém que havia confiado foi à principal motivação que levou os maçons da Batavia a planejar sumir com seu desafeto. A Loja da Batavia entre outros membros, contava com cinco juízes, o xerife da cidade, seis médicos e o prefeito, e estes decidiram agir para coibir os abusos de William Morgan. Na tentativa de intimidá-lo, Morgan foi preso sob acusação de estelionato, e na noite do dia seguinte alguém pagou sua dívida e Morgan foi liberto, e nunca mais foi visto.
William Morgan é constantemente descrito como uma figura patética, que assumiu proporções heróicas após seu desaparecimento. Aproveitando-se deste acontecimento, seu pseudo-sócio viu em seu desaparecimento a possibilidade de vir a ganhar mais dinheiro transformando o livro em febre generalizada. Este individuo imprimiu em sua gráfica 50 mil folhetos anunciando o desaparecimento com possível assassinato de William Morgan. No panfleto em nenhuma parte era feito acusação contra Maçonaria, mas era de conhecimento geral que Morgan havia violado algumas regras da Maçonaria, e isto irritara em muito aos membros da fraternidade. Já naquele tempo circulavam as histórias fantasiosas dos terríveis castigos impostos àqueles que divulgassem as práticas maçônicas.
Motivados por informações deturpadas e interesses obscuros, a opinião popular foi conduzida por inimigos declarados da maçonaria a desejar sua extinção do território americano. Em Pavillion a 19 quilômetros da cidade de Batávia um Pastor da Igreja Batista em um de seus sermões acusou a Maçonaria de: “obscura, infrutífera, desmoralizante, blasfema, homicida, anti-republicana, inimiga do cristianismo, contrária à glória de Deus e ao bem da humanidade”. Vários boatos apareceram, explicando o sumiço de Morgan, alguns diziam que William Morgan tivera sua garganta cortada, seu corpo jogado nas cataratas do Niágara, sua língua havia sido arrancada. Outros ainda diziam que ele havia sido enterrado nas areias do lago Ontário ainda em vida. Existiam também outras versões mais fantasiosas, destaco ainda uma que dizia que os maçons haviam inclinado uma arvore até parte de suas raízes ficarem fora da terra, então Morgan foi colocado sob estas raízes e a arvore foi replantada sobre seu corpo. Os inimigos da Maçonaria que há muito estavam em silencio, ressurgiram de todas as partes. Líderes religiosos e professores que eram maçons eram intimados a se afastarem da fraternidade sob pena de perderem seus empregos. Bastava ser Maçom para ser rejeitado como jurado, além disto, constantemente eram insultados nas ruas.
Figuras políticas que a muito haviam abraçado a Maçonaria, agora julgavam prudente se afastar da ordem, entre estes destaco o senador Henry Clay do Kentucky. O ex-presidente dos Estados Unidos John Quincy Adams disse que: "a maçonaria deveria ser abolida para sempre. Ela é errada, essencialmente errada - uma semente de mal que nunca poderá produzir qualquer bem. A existência de uma ordem como essa é uma nodoa na moral de qualquer comunidade".
Foi neste contexto de intolerância e preconceitos que surgiram os mórmons, e já neste período era grande a quantidade de Mórmons iniciados na Maçonaria, nomes de extrema relevância para o mormonismo tais como: Joseph Smith Junior, Brigham Young, John Taylor, Willford Woodruff e Lorenzo Snow abraçaram a milenar fraternidade, todos nesta mesma seqüência sucessória lideraram a Igreja por aproximadamente 71 anos, e jamais negaram ou omitiram sua condição de iniciados. A crescente associação dos mórmons com a fraternidade maçônica levou a opinião publica declarar guerra ao mormonismo e maçonaria, pois na visão dos leigos as duas organizações eram como se fosse uma só, e por isso eram ambas satânicas. O resultado de tanta campanha negativa foi trágico para ambas. Em 27 de julho de 1844 Joseph Smith Junior e seu irmão Hyrum Smith (que era o Venerável Mestre da Loja de Nauvoo) foram chacinados. É bom esclarecer que as acusações das quais Joseph e Hyrum Smith foram vitimas, eram falsas, já que nunca foi provada nenhuma das culpas que lhes foram imputadas.
Neste momento de turbulência para as duas organizações, aqueles que combatiam a fraternidade maçônica criam um partido político anti-maçônico, que como o nome sugere, seu principal objetivo era o fim da maçonaria no território americano, nesta empreitada o partido lançou um candidato a presidente dos Estados Unidos da América, não obtendo sucesso o partido foi perdendo forças à medida que os ânimos esfriavam, e posteriormente veio a deixar de existir.
Em função da crescente e aparente incontrolável perseguição muitos maçons adormeceram, em seqüências a isto várias Lojas bateram suas colunas por todos os estados americanos, inclusive um capítulo do Arco Real que deveria ser estabelecido em Illinois, não se concretizou por falta de homens livres e de bons costumes. Mais também este momento difícil vivido pela Maçonaria mostrou alguns homens convictos e comprometidos com a ordem, homens como Daniel B. Taylor presidente da Loja de Stone Creek no estado de Michigan, este bravo maçom manteve literalmente acesa as chamas da Maçonaria em sua hora mais negra. "Nas noites de reunião, escreveu o cronista dos maçons do estado, James Fairbairn Smith, "assim que a diligência chegava trazendo o correio, ele ia apanhar seu jornal e dirigia-se para a loja. Lá chegando, acendia uma vela junto à janela e sentava-se para ler. Se não viesse mais ninguém, o irmão Taylor esperava até dar a hora habitual de 'fechar a loja', e então apagava a vela, trancava a porta e ia para casa.
Em meio a tudo isto Joseph e Hyrum Smith foram chacinados na Cadeia de Liberty no Missouri, a suspeita do envolvimento de alguns maçons em suas mortes e desavenças posteriores a estes acontecimentos levaram os mórmons a momentaneamente querer se afastar da Maçonaria, embora os iniciados nunca tenham feito qualquer acusação formal ou informal à ordem. Após migrarem para o Oeste sob liderança do então Presidente da Igreja (Brigham Young), os mórmons fundaram Salt Lat City e posteriormente fizeram três tentativas de estabelecer Lojas Mórmons na nova cidade. Cartas solicitando filiação a Grande Loja do México, do Canadá e da Inglaterra foram enviadas, mas não obtiveram autorização de nenhuma das potencias, que temiam agravar o conflito já existente entre maçons não mórmons e os maçons membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Todas as tentativas foram rechaçadas, e finalmente os mórmons abriram mãos de sua herança maçônica, afastando-se silenciosamente da sublime ordem, aparentemente os algozes da Maçonaria e da Igreja haviam conseguido enfraquecer as relações entre as duas maiores e mais fortes organizações humanitárias da América.
Um longo silencio onde os líderes da Igreja não mais se manifestavam de forma oficial sobre a maçonaria durou até 1984 quando Spencer W. Kimball, líder da Igreja na época, em uma reunião com o Mestre Principal da Grande Loja do Lago Salgado (Utah) em um hotel de propriedade da Igreja afirmou: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nada tem contra qualquer organização que pratique atos louváveis”. Em contra partida o Mestre Principal disse: “A Maçonaria de Salt Lat City nada tem contra A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.
Este deveria ter sido o ponto final da discórdia entre as duas fraternidades, mais ao longo dos tempos, os mórmons foram forçados a se afastarem da Maçonaria. Uma reaproximação de forma oficial entre as duas grandes organizações, neste momento, ou até mesmo em momentos futuros, é algo que beira os passos do devaneio. Embora exista hoje uma quantidade expressiva de Mórmons Maçons (e eu sou um) espalhados pelo mundo, alguns tem se penitenciado ao ostracismo, escondendo dos irmãos de fé nossa condição de iniciados, talvez temam o mesmo preconceito do qual nós membros da Igreja temos sido vitimas por parte dos outros seguimentos do cristianismo.
Pacientemente espero pelo dia em que meus irmãos mórmons compreendam que o grande objetivo da maçonaria é a reconstrução do eu interior do ser humano, e que este objetivo se encaixa perfeitamente dentro daquilo que foi ensinado por nosso primeiro Profeta nesta nova dispensação, (Joseph Smith Junior). Pois recebemos através dele o ensinamento que diz: “... Se houver qualquer coisa virtuosa, amável ou louvável, nós a procuraremos.” (13º Regra de Fé).


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CAÇADORES DE MITOS: A “única Igreja verdadeira”

Publicado por Andrew Ainsworth
Em 21 de Janeiro de 2008
Traduzido por A.Flauber D.Barros
Em 5 de Março de 2009





Existem muitos mitos tanto dentro como fora da Igreja sobre os SUD declararem ser a “única Igreja verdadeira”. Esta declaração, feita assim torna difícil para pessoas de outras religiões para aceitá-la por razões óbvias. Mesmo alguns Mórmons podem resistir com este assunto porque também parece ser controverso aceitar a afirmação que nossa crença em um Deus justo e misericordioso que ama todos os seus filhos igualmente.
Eu não espero que seja “fácil” aceitar “única Igreja verdadeira” que assim se afirma. No entanto, eu acredito que membros da Igreja infelismente podem tornar mais difícil aceitar “uma igreja verdadeira” quando eles avançam direto em cima de algumas conclusões desnecessárias sobre o que realmente significa “única Igreja verdadeira”.
Para compreender perfeitamente o que “única Igreja verdadeira” “realmente significa, primeiramente precisamos ser claros sobre o sentido desta afirmação. Embora a Igreja SUD incorrigivelmente afirma ser a possuidora das chaves do sacerdócio, Mórmons não alegam nenhum monopólio da verdade ou comunicação com Deus. Ao contrário, Mórmons acreditam que chamados de Deus e líderes guiados de todas as crenças revelam a verdade aos seus filhos e completam seu grande trabalho e este Deus ama e guia à todos que com sinceridade o buscam, não importando de que religião ou credo eles façam parte. O texto que segue é minha tentativa de romper alguns dos muitos mitos sobre o que é a pérola “única igreja verdadeira” quer dizer através de palavras de líderes da Igreja e publicação mórmon.

Mito: Deus parou de se comunicar com a humanidade por centenas de anos durante “a Apostasia,” quando o sacerdócio não se encontrava sobre a face da terra.

‘Detonando’ o mito:
“A linha de autoridade do sacerdócio foi quebrada. Mas a humanidade não foi deixada em completa obscuridade ou completamente sem revelação ou inspiração. A idéia de que com a crucificação de Cristo os céus se fecharam e que se abriram com a Primeira Visão não é verdadeira. A Luz de Cristo estaria presente em todos os lugares para servir os filhos de Deus; o Espírito Santo visitaria almas que buscam. As orações dos justos não ficariam sem respostas.” Elder Boyd K. Packer [1]
“Desde antigamente . . . bons e grandes homens, não tendo o Sacedócio, mas possuindo profundidade de pensamento, grande sabedoria, e um desejo de elevar seus semelhantes, tem sido enviados pelo Todo-poderoso entre as nações, para dá-los, não a plenitude do Evangelho, mas uma porção da verdade para que eles possam ser capazes de recebê-lo e sabiamente utilizá-lo.” Elder Orson F. Whitney, quoted by Elder Howard W. Hunter [2]

Mito: Na época deJoseph Smith, as igrejas Cristãs eram completamente corrompidas e abomináveis perante o Senhor.

‘Detonando’ o mito:
“Santos do Últimos Dias bem informados não discutem que o Cristianismo histórico perdeu toda a verdade ou se tornou completamente corrompido. As igrejas ortodoxas podem ter perdido a ‘plenitude’ do evangelho, mas não perderam todo ou nem mesmo a maioria dele... A visão SUD atual, é de que as igrejas ortodoxas são incompletas e não corrompidas. E são suas crenças pós-biblicas que são mostradas na primeira visão de Joseph Smith como uma ‘abominação’ mas certamente não seus membros individualmente ou de sua fé na bíblia.” Stephen E. Robinson (como citado em www.lds.org)[3]

Mito: Porque os Mórmons são o único povo atualmente guiado por profetas verdadeiros com a autoridade do sacerdócio, eles são os únicos eleitos para receber inspiração Divina.

‘Detonando’ o mito:
“Nós afirmamos de que inspiração Divina não é limitada aos Santos dos Últimos Dias.” Elder James E. Faust[4]
“Todos os homens compartilham da herança de uma luz divina. Deus opera entre seus filhos em todas as nações, e aqueles que buscam a Deus lhe são permitidos mais luz e conhecimento, independente de sua raça, nacionalidade ou tradições culturais.” Elder Howard W. Hunter[5]
“Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro..” Book of Mormon[6]

Mito: Como povo do convênio de Deus, os Mórmons são os que foram escolhidos por Deus para executar sua grande e maravilhosa obra.

‘Detonando’ o mito:
“Deus usa mais de uma pessoa para a que seja cumprida sua grande e maravilhosa obra. Os Santos dos Últimos Dias não podem fazê-lo sozinho. É muito amplo, muito árduo para qualquer um. … Nós não temos nada contra os Gentios. Eles são nossos parceiros sob certo aspecto.” Elder Orson F. Whitney, citado por Elder Ezra Taft Benson[7]

Mito: Mesmo que líderes bem-intencionados de outras religiões e igrejas sejam servos vítimas do demônio eles estão enganando e levando os filhos de Deus para o mal caminho.

‘Detonando’ o mito:
“Nós cremos que a maioria dos líderes religiosos e seus seguidores são crentes sinceros que amam a Deus e compreendem e O servem com o melhor de suas habilidades. Nós devemos a estes homens e mulheres que mantêm a luz da fé e aprendizado vivos através dos séculos até hoje em dia . . . Nós lhe rendemos graças como servos de Deus.” Elder Dallin H. Oaks[8]
“Os grande líderes religiosos do mundo como Maomé, Confúcio e os Reformadores, assim como os filósofos incluindo Sócrates, Platão e outros, receberam uma porção da luz de Deus. Princípios morais foram dados a eles por Deus para iluminar nações inteiras e trazê-las a um nível maior de entendimento como indivíduos. … Nós cremos que Deus deu e dará a todas as pessoas conhecimento suficiente para ajudá-las em seus próprios caminhos a eterna salvação.” Elder James E. Faust[9]

Mito: As pessoas pertencem ou a Igreja SUD ou a “igreja do demônio,” também conhecida como a “grande e abominável Igreja.”

‘Detonando’ o mito:
“Nós temos que entender que. . . não são todos que aceitarão nossa doutrina da Restauração do evangelho de Jesus Cristo... Eles se preocupam com suas famílias, do mesmo modo que nós. Eles querem fazer do mundo um lugar melhor, assim como nós. Eles são bondosos, carinhosos, generosos e fiéis, assim como procuramos ser.” Elder M. Russell Ballard[10]

Mito: Se uma pessoa não entra para a Igreja depois de aprender a respeito, esta pessoa não é honesta em seu coração.

‘Detonando’ o mito:
“Talvez o Senhor precise de homens de fora de sua Igreja para ajudá-Lo. Eles. . . podem fazer coisas melhores pela causa de onde o Senhor os colocou, do que qualquer outro lugar. … Por conseguinte, eventualmente alguns destes recebem o testemunho da verdade; enquando outros se mantêm em suas crenças . . . as belezas e glórias do evangelho sendo cobertas de suas vistas por uma sábio propósito.” Elder Orson F. Whitney, citado por Elder Ezra Taft Benson[11]
________________________________________________________________
[1] Boyd K. Packer, “The Light of Christ,” Ensign, Apr. 2005, 11 (citado na página da igreja em: http://www.lds.org/ldsnewsroom/).
[2] Orson F. Whitney, Conference Report, Apr. 1921, pp. 32-33 [citado por Howard W. Hunter, "The Gospel-A Global Faith," Ensign, Nov 1991, 18].
[3] Craig L. Blomberg e Stephen E. Robinson, How Wide the Divide? A Mormon and an Evangelical in Conversation (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1997), 61 (citado na página da Igreja em http://www.lds.org/ldsnewsroom/).
[4] Elder James E. Faust, “Communion with the Holy Spirit,” Ensign, May 1980, 12 .
[5] Howard W. Hunter, “The Gospel-A Global Faith,” Ensign, Nov 1991, 18 .
[6] Alma 29:8
[7] Orson F. Whitney, Conference Report, April 1928, p. 59 [citado por Ezra Taft Benson, "Civic Standards for the Faithful Saints," Ensign, Jul 1972, 59].
[8] Dallin H. Oaks, “Apostasy and Restoration,” Ensign, May 1995, 84.
[9] Elder James E. Faust, “Communion with the Holy Spirit,” Ensign, May 1980, 12
[10] M. Russell Ballard, “Doctrine of Inclusion,” Ensign, Nov 2001, 35.
[11] Orson F. Whitney, Conference Report, April 1928, p. 59 [citado por Ezra Taft Benson, "Civic Standards for the Faithful Saints," Ensign, Jul 1972, 59].


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10 Coisas Que Todo Mórmon Deveria Saber

 
 
Andrew Ainsworth, para o site Mormon Matters
publicado em 13 de janeiro de 2008
Traduzido por A.Flauber D. Barros.'.
Enviado por Abdias Flauber Dias Barros


Em minha visão, as necessárias mudanças na cultura Mórmon não requer que membros da Igreja saiam de seus conselhos de liderança. Ao contrário, creio que as mudanças mais necessárias são aquelas que os membros da Igreja “apanham” (no sentido de entender) o que as Autoridades Gerais já lhe disseram. Em minha opinião, uma das mudanças mais necessárias na cultura Mórmon é eliminar a tendência dos membros da Igreja de elevar por deveras seus líderes e suas doutrinas a um estado de perfeição mítico e livre de imperfeição.
A seguinte lista de 10 coisas que acredito que todo Mórmon deveria saber para evitar desenvolver expectativas absurdas sobre a Igreja, sua doutrina e seus líderes. Você poderia considerer este coquetel de princípios estabelecidos como uma “vacina” para prevenir que os Santos dos Últimos Dias se tornem desiludidos por apenas uma simples dificuldade ou controvérsia sobre a Igreja.

1. Nossa compreensão é incompleta. Uma das Regras de Fé diz que Deus “... ainda revelará muitas grandes e importantes coisas pertencentes ao Reino de Deus.” (9ª. Regra de Fé.) As palavras-chave “ainda revelará” (significam que não aconteceram ainda), “muitas” (entenda-se não poucas), e “grandes e importantes coisas” (leia-se não apenas poucos detalhes). Logo, a Igreja oficialmente reconhece que não temos a compreensão completa; Nós não dizemos que sabemos tudo. Então, se uma doutrina em particular ou regra não faz sentido para você, pode ser que ainda nos falte uma peça importante do quebra-cabeça. E porque nossa compreensão é incomplete, devemos esperar por mudanças na doutrina da Igreja e regras à medida que a Igreja cresce “linha sobre linha, preceito sobre preceito” em direção a um maior entendimento dos caminhos de Deus.

2. Líderes da Igreja não alegam ser infalíveis. Elder Faust disse claramente: “Nós não fazemos alegações de que somos infalíveis ou de perfeição nos profetas, videntes e releladores” (James E. Faust, “Revelação Contínua,” Ensign, Nov 1989, 8.) Igualmente, Elder Hales disse: “Eu não sou um homem perfeito, e a infalibilidade não vêm com o chamado.” (Robert D. Hales, “The Unique Message of Jesus Christ,” Ensign, May 1994, 78.) Então devemos esperar que ocasionalmente achar nossos líderes sendo seres humanos, pecando e comentendo erros.

3. Nem tudo o que um líder da Igreja diz é inspirado por Deus. O profeta Joseph Smith tinha conhecimento disto “algumas revelações são de Deus: algumas são do homem: e algumas revelações são do opositor.” (B. H. Roberts, Comprehensive History of the Church, 1:163.) Similarmente o site oficial da Igreja recentemente declarou: “Um simples pronunciamento feito por um simples líder em uma simples ocasião muitas vezes representa uma pessoal, bem-considerada, opinião, mas não significa ser oficialmente aceita por toda a Igreja.”
(Veja http://newsroom.lds.org/ldsnewsroom/eng/commentary/approaching-mormon-doctrine.) Então não se impressione se um ‘bem-intencionado’ líder da Igreja erroneamente expressa sua opinião pessoal como se fosse doutrina.

4. As escrituras podem conter imperfeições humanas. Quando a inspiração divina é reduzida a linguagem humana imperfeita, devemos esperar que algumas coisas “se percam na tradução.” (Veja a 8ª. Regra de Fé ["o quanto seja correta sua tradução"]; Livro de Mórmon, página título ["E agora, se existem faltas elas são erros de homens; portanto, não condeneis as coisas de Deus..."].) Também, não se surpreenda se uma revelação ou tradução entregue a por um homem do início do século 19 soa como algo como um homem do início do século 19 diria. (D&C 1:24-25 ["estes mandamentos são meus e foram dados a meus servos em sua fraqueza, conforme a sua maneira de falar..., “... E se errassem, isso fosse revelado;”

5. Profetas não alegam que todas suas inspirações vêm de experiências de conversas face a face com Deus. Quando dizemos que o profeta fala por Deus, Não necessariamente significa que tudo o que ele diz foi dito por Deus diretamente, face a face. Melhor, profetas esclareceram que sua inspiração normalmente vem do Espírito Santo. Elder Packer declarou: “Esta instrução vem através de pensamentos, como sentimentos, através de impressões e insinuações. Nem sempre é fácil descrever inspiração. As escrituras nos ensinam que nós poderemos “sentir” as palavras de comunicação espiritual mais do que ouví-las, e ver com os espirituais mais do que com os olhos mortais. Os padrões de revelação não são dramáticos. A voz da inspiração ainda é uma voz doce, uma voz pequena. Não precisa estar em transe, nem de uma declaração formal. É mais silenciosa e simples que isto.” (Boyd K. Packer, “Revelation in a Changing World,” Ensign, Nov 1989, 14.) Então, como primeiro ponto, devemos esperar algumas imperfeições sempre que alguém toma a decisão de uma tarefa de grandes proporções de reduzir pensamentos divinos em termos humanos. E porque existe algum “espaço para interpretação” em dicernir impressões espirituais, devemos esperar que líderes da Igreja divirjam em suas percepções e visões.

6. Algumas vezes Deus dá aos líderes da Igreja a discrição de tomar suas próprias decisões de acordo com o seu ‘melhor julgamento’. Brigham Young ensinou: “Se eu pergunto a [Deus] para me dar sabedoria concernente a qualquer requisito da minha vida, ou sobre o meu próprio rumo, ou dos meus amigos, minha família, meus filhos, ou àqueles que eu presido, e não obtenho nenhuma resposta Dele, então faço o melhor que meu julgamento irá me ensinar, ele irá limitar e honrar minha decisão.” (Teachings of the Presidents of the Church: Brigham Young, p. 46; see also Hel. 10:5-10, D&C 80:3.) Em outras palavras, às vezes Deus deixa líderes de A Igreja decidirem o que fazer e os coloca seu selo divino de aprovação nele. Então, não se surpreenda se a decisão de um líder da Igreja parecer um reflexo do seu julgamento pessoal em oposição a uma instrução divina.

7. Erros doutrinários podem existir na Igreja. Elder Merrill C. Oaks dos Setenta declarou: “Nossa proteção de doutrinas errôneas está numa crença primordial de revelação contínua do nosso profeta atual” (Merrill C. Oaks, “The Living Prophet: Our Source of Pure Doctrine,” Ensign, Nov 1998, 82.) Eu entendo que esta declaração de ser um conhecimento que erros doutrinários podem existir na Igreja, mas felizmente, estes erros serão identificados e corrigidos com o tempo através de revelação. É Claro, a possibilidade de erros existentes na Igreja não nos deve surpreender se lembrarmos dos pontos de 1 a 6 acima.

8. Nenhum dos pontos acima deve minar nosso testemunho de que as escrituras são a “palavra de Deus,” ou de que os líderes da Igreja são inspirados por Deus. O fato de que um livro de escrituras ou profeta pode se equivocar sobre uma ou mais coisas não os impede de serem inspirados sobre muitas, muitas outras coisas. Nada diz que o dicernimento espiritual de um profeta precisa ser perfeito ou ele seria uma fraude. Como Elder Faust declarou: “Eu testifico humildemente que eu sei que o Senhor ainda guia esta Igreja através de seus servos, mesmo com quaisquer imperfeições pessoais.” (James E. Faust, “Continuous Revelation,” Ensign, Nov 1989, 8.) A idéia que podemos ignorar tudo que um livro de escritura ou um líder da Igreja diz ele tem que ser provado que aquilo ou ele estava errado sobre uma ou mais coisas, é o mesmo que o ditado popular “jogar o bebê fora junto com a água do banho”.

9. Questionando e examinando as declarações de líderes da Igreja não é somente permitido, mas encorajado. Brigham Young disse: “Eu temo mais que estas pessoas tenham tanta confiança em seus líderes que elas não irão perguntar a si mesmas a Deus mesmo que sejam guiados por Ele. Temo que eles se acomodem em um estado de cegueira de auto-proteção, confiando que seus eternos destinos estejam nas mãos destes líderes com a confiança imprudente que por si só frustaria os propósitos de Deus em sua salvação, e debilitaria esta influência que eles poderiam dar a seus líderes, que eles podem sabem por si mesmos, através de revelações de Jesus, que eles foram guiados da forma correta. Deixe cada homem e mulher saber, através dos sussuros do Espírito de Deus por eles mesmos, se seus líderes estão andando no caminho que o Senhor ordena ou não.” (Journal of Discourses, 9:150 [quoted by James E. Faust, "Continuous Revelation," Ensign, Nov 1989, 8].) É claro, existe uma grande diferença entre indagações motivadas por um sincere desejo de saber a verdade e um esforço pre-determinado de provar que a Igreja está errada. A primeira opção é encorajada, enquanto que a segunda é falsa.

10. É leviano concluir que líderes da Igreja estão “errados” sobre algo que não compreendemos ou não concordamos. Humildade e honestidade intelectual requer que reconheçamos que nós somos capazes de pelo menos cometer enganos em nosso julgamento como líderes da Igreja. Em consequência, seria insensato concluir que líderes da Igreja estão “errados”sobre algo ou que certo ensinamento é “falso”. O máximo que devemos dizer é que nós não entendemos algo, ou que sobre aquilo ainda não recebemos testemunho da veracidade de algo. Isto pode parecer semantic, mas existe uma importante diferença entre dizendo a um lider da Igreja “você está errado” ou “você está ensinando uma falsa doutrina”, ou o oposto dizendo, “Eu não entendo a sua posição” ou “Eu tenho um ponto de vista diferente.” Então aqui está o paradox: enquanto nós reconhecemos a possibilidade (e probabilidade) de erros existente na Igreja, sabedoria e humildade devem evitar cada um de nós de concluir que nosso julgamento e dicernimento spiritual é superior ao de nossos líderes da Igreja. Em consequência, nenhum de nós deve concluir que possuímos o julgamento superior necessário para identificar estes erros; esta tarefa está designada aos nossos líderes.


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