Sinais que você realmente é pobre



1 - Aproveitar o copo de requeijão para tomar cerveja , refri ...




2 - Entrar na loja de R$1,99 e querer achar um presente legal



3 - Andar pendurado na porta do ônibus.



4 - Lamber a tampa metálica do iogurte.



5 - Colocar palha de aço na antena da TV



6 - Sair correndo e se matar para pegar o ônibus que já está saindo do ponto.



7 - Subir na laje para mexer na antena e ficar gritando: - Melhorou?



8 - Aproveitar garrafa plástica de refrigerante e guardá-la com água na geladeira



9 - Fazer jogo de futebol com os times "camisa" e "sem camisa".



10 - Secar tênis e roupas atrás da geladeira.



11 - Colocar maiô ou biquíni e tomar sol na represa , na laje ou atrás da casa



12 - Entrar de loja em loja perguntando os preços e dizer que está só dando uma olhada



13 - Comprar carro novo e não tirar os plásticos para dizer que é novo



14 - Amarrar cachorro com fio de luz



15 - Decorar vaso com flor desidratada



16 - Receber visita e mostrar a casa toda



17 - Convidar amigos para um churrasco do seu aniversário e pedir para cada um trazer uma coisa (lingüiça, carne, carvão,...).



18 - Consertar tira da sandália havaiana com grampo de cabelo ou pregador de roupas



19 - Fazer barra de calça com fita crepe.



20 - Guardar cueca furada para passar cera no carro





21 - Ir ao estádio de futebol, entrar na geral e pular para as sociais



22 - Guardar sobras de sabonetes para depois fazer uma bola só



23 - Copiar modelo de roupa na vitrine para depois fazer em casa



24 - Usar pregador de roupas para fechar saco de arroz, açúcar, etc



25 - Correr a casa inteira com chinelo havaiana na mão atrás de barata



26 - Ir ao trabalho de bicicleta e dizer que é só para manter a forma



27 - Esquentar a ponta da caneta esferográfica para ver se ela volta a funcionar



28 - Ficar balançando lâmpada queimada para ver se ela volta a funcionar



29 - Ir ao restaurante e, antes de pedir a comida, perguntar se aceita ticket



30 - Tirar cera do ouvido com a chave do carro ou com a tampa da caneta



31 - Passar fio dental e depois cheirar para se o dente está podre

geraligado.com.br


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Os Dez Mandamentos Do Mestre Familiar




1) Marcareis com antecedência todas as visitas que fizerdes

2) Orareis juntos antes de sairdes para fazer as visitas

3) Preparareis uma mensagem apropriada para cada família

4) Sereis pontuais em vossas visitas

5) Sereis cordiais e demonstrareis interesse naquilo que as famílias fizerem e falarem durante a visita

6) Vossas visitas serão breves

7) Orareis com cada família antes de terminar a visita (se o dono da casa consentir)

8) Fareis contatos ou visitas se achardes serem necessárias

9) Fareis visitas, enviareis cartões e telefonareis, lembrando os aniversários de cada membro da família ou outras ocasiões especiais

10) Ficareis alertas a toda e qualquer emergência e outras formas de poder ser úteis as vossas famílias


Share/Bookmark ~ quinta-feira, 15 de julho de 2010 3 Comentários

Preparação Para a Sacramental


Você às vezes sai da reunião sacramental sentindo-se um pouco insatisfeito? Se isso acontece, o problema pode não ser a reunião. Para tirar o máximo de proveito da reunião sacramental, é necessário que você também acrescente algo a ela.




COMECE CORRETAMENTE

Comece a preparar-se antes de chegar à capela. Procure:



 Lembrar-se de manter a santidade do dia do Senhor antes que o domingo chegue. Confira ao dia um tom espiritual.

 Durma o suficiente na noite de sábado para o domingo. Cochilando nas reuniões você certamente não aprenderá muito.

 Levante-se da cama suficientemente cedo, assim não terá que se apressar. Chegue à capela em tempo de encontrar um bom lugar e desfrutar a reunião desde o começo.

 Vista sua melhor roupa. Fazer isso irá ajudá-lo a manter o espírito de reverencia, o que será especialmente importante se você for administra o sacramento.

 Seja reverente ao entrar na capela. Se você encontrar amigos, cumprimente-os amavelmente, mas lembre-se de onde você está.

 Ore para que consiga manter a atenção, entender os oradores e sentir o Espírito, e para que seja capaz de lembrar-se do que aprendeu e aplicar na sua vida.



DURANTE A REUNIAO

Agora, com a mente e o coração preparados, você está pronto para aprender (Mosias 2:9). Experimente estas idéias:



 Ponha de lado qualquer coisa que possa distraí-lo. Não fique rabiscando ou brincando com seus pertences.

 Procure não reagir a bebes chorando ou outros barulhos. A menos que possa ajudar, ignore pequenas perturbações.

 Demonstre reverencia pelo sacramento. Tomamos o sacramento para renovar nossos convênios e para lembrarmos da expiação de Jesus Cristo. Preste atenção às orações. Enquanto o pão e água são distribuídos, pense no que eles representam e no que Jesus fez pro nós.

 Ouça atentamente os oradores. Pense que eles estão falando diretamente para você. Procure descobrir se o Senhor está-lhe enviando uma mensagem por meio deles.

 Evite a clássica postura de tédio (cotovelos sobre os joelhos e mãos no queixo ou no banco da frente). Isso pode distrair o orador – e é mais apropriado para um cochilo do que para um momento de aprendizagem.

 Durante o discurso, tente sentir o Espírito Santo testificando a verdade. Ouça com os ouvidos e com o coração. Preste atenção a seus sentimentos e impressões.

 Tome nota do que achar que valha a pena rever posteriormente. Pode até mesmo carregar um caderno ou diário das reuniões da Igreja. Você se lembrará de muito mais coisas que aprendeu, se escrevê-las.

 Se for reunião de jejum e testemunho, pense no seu próprio testemunho e em como obteve.

 Não olhe para o relógio. Contar os minutos só fará a reunião parecer mais longa. Isso pode também intimidar o orador.

 Leve a mensagem consigo. Os discursos da reunião sacramental não são feitos só para o domingo. Tenha-os em mente durante a semana, lendo as anotações que fez e esforçando-se verdadeiramente para aplicar as mensagens em sua vida.



ESCRITURAS CONCERNENTES AO SACRAMENTO

A fim de preparar-se para a reunião, ou para voltar sua atenção para ela durante o sacramento, consulte as seguintes escrituras:



Mateus 26:26-29
Mosias 5:2
João 6:48-58
3 Néfi 18:1-7
I Corintios 11:23-29
Moroni 4 e 5
Mosias 18:10 (promessas do batismo)
Moroni 6:5-6
D&C 27:2


Share/Bookmark ~ quarta-feira, 14 de julho de 2010 0 Comentários

A Preparação para a Segunda Vinda, Élder Dallin H. Oaks


Na revelação moderna, temos a promessa de que se estivermos preparados não precisaremos temer. (Ver D&C 38:30.) Meu primeiro contato com esse princípio foi há 60 anos, quando me tornei escoteiro e aprendi o lema: “Esteja preparado”. Hoje, senti que deveria falar sobre a necessidade da preparação para um evento futuro, de suprema importância para cada um de nós: a Segunda Vinda do Senhor.


As escrituras estão repletas de referências sobre a Segunda Vinda, um acontecimento ansiosamente esperado pelos justos, mas que os iníquos temem ou rejeitam. Os fiéis de todas as épocas refletiram a respeito da seqüência e do significado dos diversos eventos que foram profetizados, tanto os que ocorreriam antes, como aqueles que ocorreriam depois desse marco na história do mundo.

Quatro fatos são indiscutíveis para os santos dos últimos dias: (1) O Salvador retornará à Terra em poder e grande glória para reinar pessoalmente durante um milênio de retidão e paz. (2) Na época de Sua vinda, os iníquos serão destruídos e os justos ressuscitarão. (3) Ninguém sabe quando Ele virá, mas (4) os justos são instruídos a estudar os sinais da Segunda Vinda e a preparar-se para ela. Gostaria de falar a respeito do quarto item dessa lista: os sinais da Segunda Vinda e o que devemos fazer para nos preparar para este evento.

I.

O Senhor declarou: “Aquele que me teme estará esperando que venha o grande dia do Senhor, sim, os sinais da vinda do Filho do Homem”, sinais que serão mostrados “em cima nos céus e embaixo na Terra”. (D&C 45:39–40)

O Salvador ensinou a esse respeito na parábola da figueira cujos ramos tenros mostram que o verão está próximo. “Igualmente”, quando os eleitos virem os sinais de Sua vinda, “[saberão] que ele está próximo, às portas”. (Joseph Smith—Mateus 1:38–39; ver também Mateus 24:32–33; D&C 45:37–38.)

As profecias bíblicas e as modernas falam de muitos sinais da Segunda Vinda, como estes:

1. A plenitude do evangelho será restaurada e pregada a todo o mundo como testemunho para todas as nações;

2. Falsos Cristos e falsos profetas enganarão a muitos;

3. Guerras e rumores de guerras, uma nação contra a outra;

4. Terremotos em diversos lugares;

5. Fome e doenças;

6. Uma praga terrível; uma doença desoladora cobrirá a terra;

7. A iniqüidade irá multiplicar-se;

8. A Terra estará em tumulto;

9. O coração dos homens falhará.

(Ver Mateus 24:5–15; Joseph Smith—Mateus 1:22, 28–32; D&C 45:26–33.)

Numa outra revelação, o Senhor declara que alguns desses sinais representam Sua voz chamando Seu povo ao arrependimento:

“Escutai, ó nações da Terra, e ouvi as palavras do Deus que vos criou. (…)

Quantas vezes vos chamei pela boca de meus servos e pelo ministério de anjos e por minha própria voz; e pela voz de trovões e pela voz de relâmpagos e pela voz da tempestade; e pela voz dos terremotos e grandes chuvas de pedra; e pela voz da fome e pestilências de toda espécie, (…)[e] quis salvar-vos com salvação eterna, mas vós não o quisestes!” (D&C 43:23, 25)

Esses sinais da Segunda Vinda estão todos ao nosso redor e parecem cada vez maiores e mais freqüentes. Por exemplo, no The World Almanac and Book of Facts 2004 [O Almanaque Mundial e o Livro dos Fatos 2004], a lista dos maiores terremotos duplicou nas décadas de 1980 e 1990, se comparados às duas décadas anteriores (pp. 189–190). Ele indica também um aumento significativo dos mesmos nos primeiros anos deste século. A lista das grandes enchentes e ondas gigantescas provocadas por maremotos, dos furacões, tufões e tempestades de neve no mundo todo também cresceu nos últimos anos (pp.188–189). Esses aumentos podem ser ignorados hoje, devido a mudanças no critério usado para medir essas catástrofes há 50 anos, mas o número crescente de desastres naturais nas últimas décadas é assustador.

II.

Outro sinal dos tempos é a coligação dos fiéis. (Ver D&C 133:4.) Nos primeiros anos desta última dispensação, a coligação de Sião abrangia algumas localidades nos Estados Unidos: as pessoas se dirigiam a Kirtland, Missouri, Nauvoo e ao cume dos montes. Essas reuniões sempre levavam à provável construção de templos. Com a criação das estacas e a construção dos templos na maioria dos países onde há um grande número de membros da Igreja, o mandamento atual não é mais de se reunirem num só local, mas de congregarem-se em estacas no seu próprio país. Ali podem desfrutar de todas as bênçãos da eternidade na casa do Senhor. Em seu próprio país, podem obedecer ao mandamento do Senhor de fazer crescer o povo do Senhor e fortalecer suas estacas. (Ver D&C 101:21; 133:9, 14.) Dessa forma, as estacas de Sião são “uma defesa e um refúgio contra a tempestade e contra a ira, quando for derramada, sem mistura, sobre toda a Terra”. (D&C 115:6)

III.

Embora sejamos impotentes para alterar o fato da Segunda Vinda e incapazes de saber exatamente quando ela ocorrerá, podemos acelerar nossa própria preparação e tentar influenciar a preparação daqueles que nos rodeiam.

Uma parábola que contém um ensinamento importante sobre esse assunto, porém difícil de se colocar em prática, é a parábola das dez virgens. Sobre essa parábola, o Senhor disse: “E nesse dia, quando eu vier em minha glória, cumprir-se-á a parábola de que falei, concernente às dez virgens”. (D&C 45:56)

Essa parábola, no capítulo 25 de Mateus, mostra o contraste entre a situação das cinco virgens loucas e das cinco prudentes. Todas as dez foram convidadas para a festa de casamento, mas apenas metade delas estava preparada com óleo em sua lâmpada quando o noivo chegou. As cinco que estavam preparadas entraram para a festa, e a porta foi fechada. As outras cinco que não se prepararam chegaram depois. A porta fora fechada, e o Senhor não permitiu que entrassem, dizendo: “[vos] não conheço”. (v. 12) “Vigiai”, conclui o Salvador, “porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir”. (v. 13)

A mensagem dessa parábola é assustadora. As dez virgens obviamente representam os membros da Igreja de Cristo, pois todas foram convidadas para a festa de casamento e sabiam o que lhes seria exigido para poderem entrar quando o noivo chegasse. Mas apenas a metade estava preparada quando Ele veio.

A revelação moderna contém o seguinte ensinamento, dado pelo Senhor aos primeiros líderes da Igreja:

“E depois de vosso testemunho vêm ira e indignação sobre o povo.

Pois depois de vosso testemunho vem o testemunho de terremotos, (…)

E (…) o testemunho da voz de trovões e da voz de relâmpagos e da voz de tempestades e da voz das ondas do mar, arremessando-se além de seus limites.

E todas as coisas estarão tumultuadas; e certamente o coração dos homens lhes falhará; pois o temor tomará conta de todos.

E anjos voarão pelo meio do céu, clamando em alta voz, soando a trombeta de Deus, dizendo: Preparai-vos, preparai-vos, ó habitantes da Terra; pois é chegado o julgamento de nosso Deus. Eis que vem o Esposo; saí para encontrá-lo.” (D&C 88:88–92)

IV.

Irmãos e irmãs, como ensina o Livro de Mórmon, “esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para encontrar Deus; (…) o dia desta vida é o dia para os homens executarem os seus labores”. (Alma 34:32) Estamos nos preparando?

Em Seu prefácio das revelações modernas o Senhor declara: “Preparai-vos, preparai-vos para o que está para vir, porque o Senhor está perto”. (D&C 1:12)

O Senhor também advertiu: “Sim, que o clamor alcance todos os povos: Despertai e erguei-vos e saí ao encontro do Esposo; eis que o Esposo vem; saí para encontrá-lo. Preparai-vos para o grande dia do Senhor.” (D&C 133:10; ver também D&C 34:6.)

Somos sempre lembrados do fato de que não sabemos o dia nem a hora de Sua vinda. No capítulo 24 de Mateus, Jesus ensinou:

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.” (Mateus 24:42–44) “Mas estaria preparado.” (Joseph Smith—Mateus 1:47)

“Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis”. (Mateus 24:42–44; ver também D&C 51:20.)

E se esse dia fosse amanhã? Se soubéssemos que iríamos encontrar o Senhor amanhã—devido a uma morte prematura ou por causa de Sua vinda inesperada—o que faríamos hoje? Que confissões faríamos? O que deixaríamos de fazer? Que problemas de relacionamento teríamos que solucionar? A quem perdoaríamos? Que testemunhos iríamos prestar?

Se faríamos essas coisas nessa ocasião, por que não agora? Por que não buscar a paz enquanto podemos encontrá-la? Se nossas lâmpadas de preparação estão quase vazias, vamos repor o óleo imediatamente.

Precisamos preparar-nos tanto física como espiritualmente para os eventos profetizados para a Segunda Vinda. A preparação que normalmente negligenciamos é aquela menos visível e a mais difícil—a espiritual. Um kit de suprimentos para 72 horas pode ser muito importante em situações de emergência no plano material, mas, como aprenderam as virgens loucas, para sua tristeza, um kit de preparação espiritual de 24 horas tem um valor muito maior e muito mais duradouro.

V.

Estamos vivendo na época profetizada “em que a paz será tirada da Terra” (D&C 1:35), em que “todas as coisas estarão tumultuadas” e “o coração dos homens lhes falhará”. (D&C 88:91) Há muitas causas temporais para o tumulto, tais como guerras e desastres naturais, mas a maior causa de tumulto nos dias de hoje é a situação espiritual das pessoas.

Se examinarmos o que acontece ao nosso redor com lentes espirituais e sob uma perspectiva eterna, vemos o cumprimento da profecia de que “o diabo terá poder sobre seu próprio domínio”. (D&C 1:35) Nosso hino diz que “as hostes inimigas se aprestam a lutar”, e é verdade. (“Juventude da Promessa”, Hinos, nº 182, 2ª estrofe.)

O mal que costumava ficar escondido e restrito a certos locais, hoje é exibido com orgulho. As raízes e os baluartes da civilização estão sendo questionados e atacados. Os países rejeitam sua herança religiosa. As responsabilidades ligadas ao casamento e à família são desprezadas por representarem obstáculos à satisfação pessoal. Os filmes, as revistas e a televisão que moldam nossas atitudes estão repletos de histórias e imagens que retratam os filhos de Deus como animais hostis ou, quando muito, como um ser trivial em busca de pouco mais do que mero prazer. E muitos de nós aceitam isso como entretenimento.

Os homens e mulheres que se sacrificaram heroicamente para combater os governos iníquos no passado foram moldados por valores que estão desaparecendo das escolas públicas. O bom, o verdadeiro e o belo estão sendo substituídos pelo ruim, pela indiferença e pela extravagância. Não é de se admirar que muitos de nossos jovens e adultos estejam envolvidos com pornografia, coloquem piercing em várias partes do corpo, busquem egoisticamente satisfazer seus desejos, comportem-se de modo desonesto, vistam roupas fora do padrão, usem linguagem obscena e busquem prazer sexual degradante.

Um número cada vez maior de pessoas influentes na opinião pública e seus adeptos negam a existência do Deus de Abraão, Isaque e Jacó e reverenciam apenas os deuses do secularismo. Muitas que têm poder e influência negam o certo e o errado definido por decreto divino. Mesmo entre aqueles que professam acreditar no certo e no errado, há “os que ao mal chamam bem, e ao bem mal”. (Isaías 5:20; 2 Néfi 15:20) Muitos também negam a responsabilidade individual e são dependentes dos outros, procurando, como as virgens loucas, viver de coisas emprestadas e luz emprestada.

Tudo isso é lamentável à vista do Pai Celestial, que ama todos os Seus filhos e proíbe qualquer coisa que impeça qualquer pessoa de voltar a Sua presença.

Qual é a situação de nossa preparação pessoal para a vida eterna? O povo de Deus sempre foi um povo que faz convênios. Até que ponto estamos cumprindo esses convênios, inclusive as promessas sagradas que fizemos nas águas do batismo, ao receber o santo sacerdócio e ao entrarmos nos templos de Deus? Somos pessoas que prometem, mas não cumprem, que crêem, mas não praticam?

Estamos obedecendo ao mandamento do Senhor que diz: “Permanecei em lugares santos e não sejais movidos até que venha o dia do Senhor; pois eis que depressa vem”? (D&C 87:8) Quais são esses “lugares santos”? Com certeza incluem o templo e seus convênios cumpridos fielmente. Sem dúvida refere-se ao lar onde os filhos são amados e os pais são respeitados. Incluem também nossos chamados e responsabilidades que nos foram dados pela autoridade do sacerdócio, inclusive a missão e os chamados cumpridos fielmente nos ramos, nas alas e nas estacas.

Como ensinou o Salvador em Sua profecia sobre a Segunda Vinda, abençoado é o “servo fiel e prudente” que estiver cumprindo seu dever quando o Senhor vier. (Ver Mateus 24:45–46.) O profeta Néfi ensinou a respeito desse dia, dizendo: “os justos (…) não precisam temer”. (1 Néfi 22:17; ver também 1 Néfi 14:14; D&C 133:44.) A revelação moderna promete que “o Senhor terá poder sobre seus santos”. (D&C 1:36)

Estamos cercados de dificuldades por todos os lados (ver II Coríntios 4:8–9), mas com fé em Deus, confiamos nas bênçãos que Ele prometeu àqueles que cumprem Seus mandamentos. Temos fé no futuro e estamos nos preparando para ele. Tomando emprestado uma metáfora do mundo das competições atléticas, não sabemos quando o jogo vai acabar, e não sabemos qual será o placar final, mas com certeza sabemos que, quando o jogo finalmente terminar, nosso time será o vencedor. Continuaremos nesse caminho “até que os propósitos de Deus sejam cumpridos e o grande Jeová diga que o trabalho está terminado”. (History of the Church, vol. 4, p. 540)

“Portanto”, diz o Salvador, “sede fiéis, orando sempre, mantendo vossas lâmpadas preparadas e acesas e tendo convosco óleo, para que estejais prontos na vinda do Esposo—porque eis que em verdade, em verdade vos digo que depressa venho.” (D&C 33:17–18)

Testifico de Jesus Cristo, que Ele virá como prometeu e oro para que estejamos preparados para encontrá-Lo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Conferencia Geral, abril de 2004.


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A Vida Pré-Mortal Do Homem


Traduzido do original em Inglês por Evandro M. Faustino


E toda planta do campo, antes de estar na Terra, e toda erva do campo, antes de brotar. Pois eu, o Senhor Deus, criei todas as coisas das quais falei espiritualmente, antes que elas existissem fisicamente na face da Terra.... E eu, o Senhor Deus, havia criado todos os filhos dos homens; e ainda não havia homem para lavrar a terra, pois no céu os criei... todas as coisas foram criadas antes; mas espiritualmente foram elas criadas e feitas de acordo com minha palavra.. Pois era [vegetação] espiritual no dia em que eu a criei. (Moisés, 3:5,7,9)

A Bíblia descreve a vida pré-mortal de Cristo, mas existem somente poucas alusões à existência pré-mortal e espiritual do homem.[1] Por exemplo, o Senhor disse a Jeremias, “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jeremias 1:5). Clemente de Alexandria (cerca de 160-215) citou esta passagem e notou que “tais profecias alusões podem nos tornar destinados aos olhos de Deus para a fé antes da fundação do mundo; mas agora bebês, através de recentes cumprimentos da vontade de Deus, no qual somos nascidos agora para o chamado e salvação” (O Instrutor 1:7).[2] Um texto primitivo Judeu, Pesikta Rabbati 27/28:1 fala de Deus dizendo a Jeremias, “Mesmo antes de Eu criar o mundo tu eras ferro forjado para tal tarefa.” [3] Alguns críticos modernos tem interpretado a passagem de Jeremias como uma referência do pré-conhecimento divino ao invés de significar a existência pré-mortal de Jeremias.[4] Mas este não pode ser o significado de João 9:1-2, onde lemos que Jesus e seus discípulos “viram um homem cedo de nascimento. E seus discípulos lhe perguntaram, dizendo, Mestre, quem pecou, este homem, ou seus pais, para que nascesse cego?” O texto claramente implica que eles acreditavam que o homem poderia pecar antes de seu nascimento.[5]

A idéia de que humanos tiveram uma existência espiritual é claramente mostrada em Moisés 3:5 e é sugerida em Moisés 6:51, onde o Senhor diz, “Eu fiz o mundo e os homens antes que existissem na carne.” O Senhor disse a Joseph Smith que “O homem também estava no princípio com Deus” (D & C 93:29) e que ele foi criado “antes que o mundo fosse feito” (D & C 49:17). “Pois pelo poder de meu Espírito Eu as criei; sim, todas as coisas, tanto espirituais como temporais—Primeiro as espirituais, depois as temporais, o que é o começo de minha obra; e também, primeiro as temporais e depois as espirituais, o que é o fim de minha obra” (D & C 29:31-32). O Cristo pré-mortal disse ao irmão de Jarede, “todos os homens foram criados, no princípio, a minha própria imagem”(Éter 3:15). Talvez a descrição mais clara da existência pré-mortal do homem é encontrada na visão de Abraão do conselho dos espíritos (Abraão 3:22-23), que é também confirmada nos capítulos 21-22 do Apocalipse de Abraão. Estes textos serão abordados no capitulo 6, Pré-ordenação.

Vários dos primitivos textos não-canônicos apóiam a crença SUD da vida pré-mortal do homem. Por exemplo, um dos manuscritos do Mar Morto, 4Qtanhumim (também chamado 4Q176), diz, “Porque ele criou cada um [espírito] das gerações eternas, [e com] seu mandamento [ele estabeleceu] todos os caminhos. A terra ele criou [com sua (mão) direita] antes dela existir.” [6] O palavreado é muito semelhante aquele encontrado em Moisés 3:5, citado no início deste capítulo. O livro de Jubileus, também conhecido através dos Manuscritos do Mar Morto, declara que , no primeiro dia, Deus criou “todos os espíritos de suas criaturas que estão nos céus e na terra” (Jubileus 2:2).[7]

O Zohar Judaico ensina o mesmo conceito. De acordo com o Zohar Exodus 150a, o jardim do Éden foi feito como “uma exata semelhança de seu protótipo, o Paraíso acima... Todas as imagens e formas de todas as coisas neste mundo foram de lá moldadas, todas tendo a similitude das coisas deste mundo. E esta é a habitação dos santos espíritos, aqueles que têm vindo a este mundo , e também todos aqueles que não vieram ainda para este mundo.” [8] O Zohar Levítico 61b fala do Rabi Hiya explicando Eclesiastes 3:15 (“O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou”) como segue:

Assim todos aqueles que deveriam vir para este mundo, estavam diante Dele completamente preparados. Temos aprendido, também, que todos os homens de todas as gerações permaneceram de pé diante Dele em suas semelhanças antes deles virem para o mundo, e mesmo todas as almas dos homens foram mapeadas diante Dele no firmamento na similitude de suas formas neste mundo. Tudo, também, que eles aprenderam neste mundo eles já conheciam antes que viessem a ele...Temos aprendido que todos os verdadeiros virtuosos, antes que viessem ao mundo foram preparados acima e chamado por seus nomes.[9]



O Zohar Exodus 53b diz que “Quando à hora chegou em que Moisés, o fiel Pastor e profeta estavam para descer neste mundo, Deus produziu um santo espírito das profundezas de uma pedra de safira onde estava escondido, e o coroou com coroas, e o iluminou com duzentas e quarenta oito luzes, e o colocou diante Dele e lhe deu responsabilidade da totalidade de Sua própria família, com cento e setenta e três chaves.” [10]



A ORIGEM DO ESPÍRITO DE ADÃO



A vida pré-mortal do homem é também insinuada pelas palavras de Abraão 5:7, onde lemos que “os Deuses formaram o homem do pó da terra, e tomou seu espírito (isto é, o espírito do homem), e o colocou nele.” [11]De acordo com Ka’ab ‘al-Ahbar, um Judeu primitivo convertido ao Islã, Deus mandou o espírito de Adão entrar no corpo que tinha sido criado.[12] O texto Falasha Tĕ’ĕzĕza Sanbat indica que depois que Deus fez o corpo de Adão, “Deus viu seu corpo, e que sua alma não tinha ainda entrado nele.” [13]

Abraão 5:7 traça um paralelo com Gênesis 2:7, embora Gênesis não insinua que o espírito de Adão já existia antes de seu corpo. Contudo, é precisamente este entendimento que é encontrado em vários textos primitivos Judeus. Por exemplo, de acordo com Pirqe Rabbi Eliezer 11, quando Deus formou Adão, “ele soprou com o fôlego da alma de Sua boca, e a alma foi lançada nele, assim com está dito, ‘E ele soprou em suas narinas o fôlego da vida.’” [14] A mesma história é encontrada em Pirque Rabbi Eliezer 34.[15] No Zohar Levítico 7a, lemos que “quando este mundo foi feito de acordo com o modelo celestial e que o primeiro homem foi plantado na terra... Deus desejou trazer para baixo a santa alma dos céus para a terra a fim de que elas pudessem ser unidas e conectadas.” [16]

Um dos textos Cristãos Gnósticos descoberto em Nag Hammadi diz que depois que o corpo de Adão foi criado, “o espírito adiantou-se da Terra Adamantina (relativa a Adão); ele desceu e veio habitar dentro dele, e aquele homem tornou-se uma alma vivente. Seu nome foi chamado Adão” (A Realidade dos Governantes II,4 88.13-16).[17] Outro dos textos Nag Hammadi fala de Adão dizendo a seu filho Sete, “Quando Deus me criou da terra juntamente com Eva sua mãe, E andei com ela em uma glória que ela tinha visto no aeon [mundo] do qual nós tínhamos saídos,” após o qual “a glória em nossos corações(s) nos deixou, eu e sua mão Eva, juntamente com o primeiro conhecimento que soprou dentro de nós” (Apocalipse de Adão V,5 64.6-12,24-28; veja também 65.9-15).[18]

Os Mandeus tem uma tradição similar concernente a Adão, em que um ministro (mensageiro) veio dizer a Adão como ele poderia re-conquistar o mundo de onde ele veio e sentar-se em tronos preparados para ele.[19]



TRADIÇÃO PRIMITIVA CRISTÃ

Um texto Cristão atribuído a Clemente de Roma (que morreu em 90 A.D.) fala de Pedro declarando que “neste relato o mundo exigiu longos períodos, até que o número de almas que foram predestinados para enchê-lo pudesse estar completo” (Homilia Clementina 3:26).[20] O apóstolo mais tarde disse, “Os corpos de homens tem almas imortais, que foram vestidas com o fôlego de Deus; e tendo saído de Deus, eles são da mesma substância” (Homilias Clementinas 16:16).[21] Um documento relacionado ao assunto cita Pedro dizendo, “Depois de todas estas coisas Ele fez o homem, em cujo benefício, Ele havia preparado todas as coisas, cuja espécie interna é mais velha, e por causa do homem, e com este propósito todas as coisas que existem foram feitas”.(Reconhecimentos de Clemente 1:28).[22] Uma nota de rodapé pelos tradutores Presbiterianos desta passagem diz o seguinte sobre as palavras espécie interna “Isto é, sua alma, de acordo com a doutrina da existência pré-mortal das almas.” [23]

O filósofo Cristão Justino Mártir do segundo século A.D. notou que “almas são necessariamente geradas” (Diálogo com Trifo 5), contudo existiam antes de tomar residência em um corpo mortal (Diálogo com Trifo 4).[24]

O apóstolo Paulo notou que o Senhor preferia Jacó a Esaú mesmo antes dos gêmeos terem nascidos (Gênesis 25:23-26) e que o Senhor falou de seu amor por Jacob e seu ódio por Esaú (Malaquias 1:2-3). Origines, um teólogo Cristão do início do terceiro século A.D., recorreu ao uso desta informação de Paulo emRomanos 9:12-13 e aludiu ao pronunciamento de Paulo sobre vasos de honra e desonra (2 Timóteo 2:20), escrevendo o seguinte:

Pois o Criador cria vasos de honra e vasos de desonra, não desde o início de acordo com Seu pré-conhecimento, uma vez que Ele não condena ou justifique estas coisas de antemão, mas (Ele cria) aqueles em vasos de honra que purgaram a si próprios, e aqueles em vasos de desonra que se deixaram permanecer despurgados: portanto, isto é em conseqüência de causas mais velhas (que operaram) na formação dos vasos para honra e desonra, por isto um foi criado para a honra, e o outro para a desonra. Mas se uma vez admitimos que houve certas causas mais velhas (no trabalho) na formação de um vaso em honra, e de um em desonra, que absurdo existe em retornar ao assunto da alma, e (na suposição) que uma causa mais antiga por Jacó ser amado e por Esaú ser odiado existiu com respeito a Jacó antes de assumir um corpo, e com respeito a Esaú antes que fosse concebido no útero de Rebeca ? (De Principiis 3.1.20, versão Grega).[25]



Orígenes manteve que a escolha do Senhor sobre Jacó ao invés de Esaú foi baseada “[N]os desertos de sua vida anterior” (De Principiis 2.9.7).[26] Em seuComentário sobre João 2:25, ele citou a Oração de José, na qual Jacó diz, “Eu sou um anjo de Deus, um espírito ministrador, e Abraão e Isaque foram criados antes de qualquer obra de Deus.” Ele então perguntou, “como se explica isto se não consideramos as obras feita antes desta vida, pode ser dito que não existe retidão com Deus quando o mais velho serve o mais novo e é odiado (por Deus) antes que ele tenha feito qualquer coisa digna de escravidão ou de ódio”?[27]

Orígenes mais adiante apoiou este conceito ao notar que João o Batista estava “cheio com o Espírito Santo, mesmo no útero de sua mãe” (Lucas 1:15) e saltou de alegria dentro do útero de sua mãe quando Maria, recém grávida com Jesus, veio visitar (Lucas 1:39-44), sugerindo que seu espírito veio a ser antes de seu nascimento e foi abençoado com discernimento profético (De Principiis 2.9.7).[28] Em outro lugar, ele argumentou que João Batista,

...foi enviado, do céu ou do Paraíso, ou de algum outro aposento para este lugar na terra...João foi enviado de uma outra região quando ele entrou em seu corpo, cujo objetivo era de que com sua entrada nesta vida ele devesse prestar testemunho da verdade.” Adiante anotou “aquele que minuciosa e cuidadosamente se conduz de acordo com a Escritura contra aquilo que é forçado, casual, ou de procedimento caprichoso, deve necessariamente assumir que a alma de João era mais velha que seu corpo, e subsistiu por si mesmo antes de ser enviado ao ministério da testemunha da luz ... Pois se aquela doutrina geral da alma é para ser recebida, a saber, que não é mostrada ao mesmo tempo com o corpo, mas é antes dela, e é então, por várias causas, revestida com carne e sangue; então as palavras ‘enviado de Deus’ não parecerão ser aplicáveis somente a João. (Comentário no Evangelho de João 2.24).” [29]

Orígenes argumentou contra a idéia que a alma foi formada ao mesmo tempo em que o corpo é habitado, dizendo que “é provado que foi implantada estritamente de fora” (De Principiis 1.7.4).[30] Ele manteve que Deus instruiu a alma antes dela ter entrado em seu corpo terreno (Comentário sobre João 20.7.51). Mais adiante, aludindo ao estado pré-mortal do homem, ele escreveu:

...Devido a causas que tem existido previamente, um ofício diferente é preparado pelo Criador para cada um em proporção ao grau de seu mérito, neste solo (terra), certamente, que cada um, com respeito a ter sido criado por Deus um espírito racional e de entendimento, tem de acordo com os movimentos de sua mente e sentimentos de sua alma, ganho para si mesmo um maior ou menor mérito, e tem se tornado um objeto de amor a Deus, ou então um de desgosto a Ele...E isto é, no meu parecer, que será visto de maneira mais clara finalmente, se cada um, seja na esfera celestial ou terrestrial ou seres infernais, ser dito ter as causas de sua diversidade em si mesmo e anteriormente a seu nascimento mortal. (De Principiis 2.9.7) [31]

Ao se referir a “seres celestiais (dos céus) ou terrestres (da terra) ou infernais [literalmente “abaixo da terra,” i.e., condenados ao inferno],” Orígenes insinuou uma crença que os espíritos de Deus criados no início habitavam em três diferentes lugares, alguns dos quais permanecem em seu lar celestial original, enquanto outros têm vindo à terra, e ainda outros têm se tornado demônios. Suas palavras são mais explícitas no De Principiis 18.1. onde ele escreveu:

....nem nós devemos supor que isto é o resultado de um acidente que um determinado ofício seja designado a um anjo específico ...Pois nós não devemos imaginar que eles obtiveram estes ofícios de uma outra forma, a não ser por seus próprios méritos, e pelo zelo e qualidades excelentes que eles separadamente demonstraram antes que este mundo fosse formado; para que logo após na ordem dos arcanjos , este ou aquele ofício foi designado para cada um, enquanto outros mereceram se inscrever na ordem de anjos, e agir sob este ou aquele arcanjo, ou este líder ou cabeça de uma ordem. Coisas estas que foram arranjadas, como eu tenho dito, não indiscriminadamente e fortuitamente, mas pela mais apropriada e justa decisão de Deus, que as arranjou de acordo com desertos...Todas estas coisas, asseguradamente, é para se dar crédito, não são realizadas por acidente ou acaso, ou porque eles (os anjos) foram criados, a menos que nesta perspectiva o Criador pudesse ser acusado de parcialidade; mas é para se crer que eles foram conferidos por Deus, o justo e imparcial governante de todas as coisas, concordando com os méritos e qualidades e vigor mental de cada espírito individual.[32]



No texto De Principiis1.8.4, Orígenes descreveu as “posições” daqueles espíritos portando “os ofícios angélicos,” e então continuou a falar de “espíritos malignos, ou demônios, não da perspectiva de sua natureza essencial [os quais] tem obtido estes graus no mal em proporção a suas condutas, e do progresso que eles fizeram na iniqüidade. E esta é a segunda ordem de criaturas racionais, que tem se devotado à iniqüidade.” Ele então mencionou que “a terceira ordem de criaturas racionais é aquela daqueles que são julgadas de acordo com Deus para povoar a raça humana, i.e., as almas dos homens, assumidas em conseqüências de seu progresso moral na ordem dos anjos; de quem nós vemos alguns assumirem em grandes números; aqueles, a saber, que tem sido feito filhos de Deus, ou os filhos da ressurreição.” [33]

Um Alexandrino, contemporâneo de Orígenes, foi o presbítero Pierius. Seus escritos não sobreviveram, embora alguns de seus ensinamentos foram reportados por Cristãos posteriores. Photius, um escritor do século nove, notou que Pierius concordou com Orígenes “no assunto da ‘preexistência das almas’”(Biblioteca).[34]

Tiranius Rufino (início do quinto século A.D.) foi acusado de seguir os ensinamentos de Orígenes com respeito à existência pré-mortal da alma, mas se defendeu ao dizer que ele simplesmente havia traduzido as obras de Orígenes para o Latim e não tomou uma posição neste assunto. (Apologia dirigida a Anastásio, Bispo de Roma 1.6-7; apologia dirigida a Apronianus 1.10).[35] Contudo, ele escreveu que “antes da fundação do mundo, as almas existiram nos céus, e então, por razões conhecidas somente por Deus, fomos trazidos para este vale de lágrimas, fomos inseridos neste corpo de morte” (Apologia dirigida a Apronianus 1.43).[36]

Tertuliano, outro dos contemporâneos de Orígenes, notando que alguns Gnósticos acreditavam que a alma veio dos céus e retornará, argumentou que as almas vieram a existir na hora do nascimento. Ele rejeitou a idéia da alma perder memória de sua existência pré-mortal com Deus, mas ao fazê-lo, e confirma que outros Cristãos ensinaram este conceito (Tratado sobre a Alma 5-8, 22-24).[37] Por outro lado, Clemente de Alexandria escreveu que “antes da fundação do mundo nós éramos, porque [estávamos] destinados a estar Nele, pre-existíamos aos olhos de Deus antes, - nós, as criaturas racionais do Verbo de Deus, em cujo relato nós passamos a existir no início; Pois ‘no início era o Verbo’” (Exortação ao Pagão 1, citando João 1:1) [38] Sua declaração encontra apoio nas palavras de Cristo a Joseph Smith, “E estava no início com o Pai, e Eu sou o Primogênito...Vós estivestes também no início com o Pai” (D & C 93:22-23).

Outros escritores primitivos Cristãos, que escreveram sobre a existência pré-mortal do espírito do homem, incluem João de Jerusalém (final do quarto século A.D.),[39] Nemésius de Emesa (final do quarto século A.D.),[40] e Photius de Constantinopla (nono século A.D.).[41]



GNOSTICISMO CRISTÃO

Alguns dos textos Cristãos Gnósticos descobertos em Nag Hammadi, Egito, em 1945, insinua a crença em uma existência pré-mortal. Por exemplo, no textoApocalipse de Tiago 1,2 10.15-21, Cristo relata dizendo a Tiago, “Em verdade vos digo, se eu tivesse sido enviado aqueles que me ouvem, e se Eu tivesse falado com eles, Eu nunca teria descido para a terra,” [42] enquanto em 5.23-30, ele disse, “Se vós considerardes quanto tempo o mundo existiu de vós, e quanto tempo existirá depois de vós, descobrirás que sua vida é um único dia e seus sofrimentos uma única hora. Pois o que é bom não entra no mundo.” [43]

Em outro dos textos de Nag Hammadi, Cristo declara que “é a Igreja consistindo de muitos homens que existia antes dos aeons, a qual é chamada, no próprio sentido, ‘os aeons dos aeons.’ Esta é a natureza dos santos espíritos imperecíveis” (Tratado Tripartidário 1,5 58:29-35).[44] O texto mais adiante declara, “Como o mundo ele os gerou, subsistindo espermaticamente, e aqueles a quem ele estava por gerar não haviam ainda se formado por ele (Tratado Tripartidário 1,5 60:34-61:1)”.[45] Um texto relacionado declara que:

O Pai imortal sabe que a deficiência da verdade veio a existir entre as esferas eternas e seu universo, quando ele desejou trazer ao zero os ministrantes da perdição através das criaturas que eles tinham modelado ele enviou vossa similitude ao mundo da perdição, a saber, os abençoados pequenos espíritos inocentes. Eles não são alheios ao conhecimento. Pois todo conhecimento é revestido em um anjo que aparece diante deles; ele não é sem poder na companhia do pai. E ele os proveu com conhecimento. (Na Origem dos Mundos 124:5-14) [46]

Este conceito também é encontrado em D& C 93:38-39: “Todo espírito do homem, no princípio, era inocente; e tendo-o Deus redimido da queda, o homem se tornou outra vez, em seu estado de infância, inocente diante de Deus. E aquele ser iníquo pela desobediência e por causa da tradição de seus pais, vem e tira dos filhos dos homens a luz e a verdade.” Que este conceito era conhecido por muitos dos primitivos Cristãos “Ortodoxos” é evidente através de um comentário de Ciro, bispo de Jerusalém (morreu 386 a.D.), quem escreveu, “E aprenda isto também, que as almas, antes de virem para este mundo, não haviam cometido nenhum pecado, mas tendo vindo sem pecado, nós pecamos agora através de nossa própria vontade” (Leitura Catequéticas 4.19).[47]

No texto Gnóstico Evangelho de Tomé, ditado 4 (II,2 33.5-9), o Cristo ressurreto diz a seus discípulos, “O homem antigo em dias não hesitará perguntar a uma pequena criança de sete dias de idade sobre o lugar da vida, e ele viverá,” sugerindo que o bebê tem recentemente chegado da presença de Deus, como está em João 2:13.[48] No ditado 49 (II,2 41.27-47.4), ele disse, “Abençoado são os solitários e eleitos, pois tu encontrarás o reino. Pois tu és de lá, e para lá retornarás...Se eles disserem a ti, ‘De onde viestes?’, diga a eles, ‘Nós viemos da luz...Nós somos os filhos dela, e nós somos os eleitos do Pai vivente.’” “[49] Outro texto da mesma coleção diz:

...é adequado que a alma se regenere e torne-se novamente como ela era anteriormente. A alma então se move por sua própria iniciativa. E ela recebeu a natureza divina do pai para seu rejuvenescimento, para que ela possa ser restaurada ao lugar onde ela estava originalmente. Esta é a ressurreição que vem dos mortos. Este é o resgate do cativeiro. Esta é a jornada direcionada para cima para ascensão aos céus. Este é o caminho da ascensão ao Pai. (Exegese sobre a alma II.6 134.6-15) [50]

O texto Siríaco Hino da Pérola, um primitivo texto Cristão anexado ao Evangelho de Tomas, é uma alegoria no plano de salvação. Ele conta do filho de um rei que foi enviado abaixo na terra por seus Pais para encontrar uma pérola que ele deveria retirar e retornar a seu depositário celestial. Durante sua estada, ele torna-se corrompido com as coisas mundanas, mas uma carta dos céus o relembra de sua realeza e de seu propósito. Removendo suas vestimentas, ele retorna a seus entes queridos com a pérola e coloca sua túnica de glória que tinha removido antes de sair para sua jornada.[51]

TRADIÇÃO JUDAICA

Muitos textos Judeus primitivos contêm alusões de uma vida pré-mortal.[52] Por exemplo, de acordo com Pirque de Rabbi Eliezer 16, Rebeca foi destinada a ser a noiva de Isaque desde a hora em que ele estava no útero de sua mãe; se ela era mais jovem do que ele, isto implicaria uma crença na predestinação.Pirque de Rabbi Eliezer 34 é mais explícito, citando Eclesiastes 12:7 como evidência que a alma de uma pessoa falecida retorna aos céus, de onde ela tem vindo (cf. Alma 40:11).[53] O autor do apócrifo Sabedoria de Salomão escreve, “Pois eu era uma criança engenhosa, e tinha um bom espírito. E antes, sendo bom, eu vim para um corpo sem mácula.” Sabedoria de Salomão 8:19, Versão do Rei Tiago).

Abot de Rabbi Nathan (versão A) 31, discutindo as palavras do Senhor a Caim quando ele havia matado Abel (Gênesis 4:10, “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.”), diz que “embora ele derramou o sangue de alguém, é dito [no texto Hebreu] damim (“ sangues”) no plural. Que nos ensina que o sangue dos filhos de Abel e filhos dos filhos e de todos seus descendentes até o fim de todas as gerações destinadas a provir dele – todos eles permaneceram de pé chorando diante daquele Um que é Santo, abençoado seja Ele.”[54] Uma vez que a Bíblia nunca fala que Abel teve descendência, a passagem sugere uma crença na existência pré-mortal de espíritos, os quais o Senhor pretendia que nascessem na linhagem de Abel.

Na versão J do livro conhecido como 2 Enoque, um anjo informa o patriarca, “todas as almas dos homens, qualquer delas que ainda não tenham nascido, e seus lugares, preparados para a eternidade. Pois todas as almas são preparadas para eternidade, antes da composição da terra” (2 Enoque J 23:4-5).[55]Mais tarde, o Senhor diz a ele, “Mesmo antes que qualquer pessoa estivesse no útero de sua mãe, individualmente Eu preparei um lugar para cada alma...pois com muita antecedência um lugar foi preparado lá pra cada alma humana.” (2 Enoque J 49:2-3).[56] O verso paralelo na versão A diz, “antes de qualquer pessoa existir, um lugar de julgamento foi preparado para ela, e a balança e o peso e os meios em que cada pessoa será testada foram preparadas lá com antecedência.” [57] Enoque também declarou, “Veja como Eu tenho escrito todas as ações de cada pessoa antes da criação” (2 Enoque 53:2).[58] A menos que isto implique na crença da predestinação, esta passagem deve se referir aos atos realizados antes da criação. Um texto Eslavônico do século treze intituladoMerilo Pravednoe, inclui partes de 2 Enoque que variam com o texto padrão. O relato mostra Enoque descrevendo o lugar de julgamento e pensamento, “Feliz é aquele que nunca nasceu, ou (que), tendo nascido, nunca pecou contra a face do Senhor, para que ele não viesse a este lugar.” [59] Isto também, implica que seres humanos existiram antes de seus nascimentos.[60]

Em 3 Enoque, o anjo Metraton mostra ao Rabi Ismael “as almas dos justos que já tinham sido criados e retornaram, e as almas dos justos que ainda não foram ainda criados” [i.e., na carne], e através daquela experiência Ismael entende que a passagem em Isaias 57:16 (em que se lê “o espírito se vestirá em minha presença, e as almas que Eu criei”.) referem-se, respectivamente, “às almas dos justos que já tinham sido criadas no reservatório de [mortais] seres” e “às almas dos justos que não tinham ainda sido criadas no reservatório” (3 Enoque 43:1-3).[61] A passagem implica que, a fim de retornar à presença de Deus, o espírito pré-mortal deve ser revestido com um corpo mortal.

Um texto Judeu primitivo sugere que a ressurreição dos mortos não acontecerá até que todas as almas selecionadas a vir para a terra tiverem nascidas. Dizem que Deus disse a Baruque, o escriba de Jeremias, “Pois assim como vós não tendes esquecido o homem que existe e que morrera, Eu me lembro daqueles que virão. Pois quando Adão pecou e a morte foi decretada contra aqueles que estavam para nascer, a multidão daqueles que iriam nascer, estava contada.[62] E para aquele número um lugar estava preparado onde os viventes pudessem viver e onde os mortos pudessem ser preservados. Nenhuma criatura viverá novamente a menos que o número que foi designado seja completo.” (2 Baruque 23:3-5).[63] A mesma idéia é expressada em 4 Esdras 4:35-37.[64]

De acordo com Midrash Rabbah Gênesis 24:3-4 e o Midrash Rabbah Levítico 15:1, o livro do qual alguns excertos foram apagados em Salmos 69:28 é o Livro das Gerações de Adão mencionado em Gênesis 5, que contém os nomes de todas as almas que Deus criou. Os textos também observam que o Messias Real não viria até que todos tivessem nascido.[65] O texto Midrash Rabbah Êxodo 40:2-3 indica que os nomes de todos que foram destinados a viver na terra foram incluídos no registro dado a Adão.[66]

Midrash Rabbah Gênesis 14:6 fala de Abraão dizendo que “ele era digno de ser criado antes de Adão” mas “o Senhor criou [no passado] Abraão no meio das gerações” a fim de que ele pudesse ser uma benção àqueles que o precederam bem como àqueles vieram depois.[67] Esta passagem sugere sobre a existência pré-mortal de Abraão e Adão; de outra maneira, não teria sido possível falar da dignidade de Abraão antes de Adão ser colocado na terra.

O Talmude declara que “O Filho de Davi [i.e. o Messias] somente virá quando todas as almas destinadas a [habitar] corpos [terrenos] forem exauridas” (TB Yehamot 62ª, 63b,[68] repetida em Nidah 13b[69] e Abodah Zarah 5a).[70] O Zohar Gênesis 90b-91b cita esta história (entre outras) como evidência de que as almas têm a mesma forma como os corpos que elas ocupam neste mundo e que Adão realmente viu as almas em sua forma pré-mortal.[71] Que os espíritos de todos que nascem neste mundo existiram nos céus antes de seu nascimento mortal é afirmado por todo o Zohar.[72] O Zohar Êxodo 1 1a-b diz, “nós fomos ensinados que na hora em que o corpo de um justo é nascido no mundo, aquele Um que é Santo convoca Gabriel, que tira do Paraíso a alma ordenada para aquele santo e a[73] comanda a descer no corpo dela, a qual está para nascer neste mundo; e ele, Gabriel, é então apontado como guardião daquela alma.” [74]

De acordo com o Zohar Levítico 68a-b “Quando as almas santas descem dos céus para a terra e os virtuosos do mundo se retiram do Rei e da Matrona, poucos são aqueles que às vezes permanecem diante do Rei; e, em quem o Rei se digna em olhar. Pois, como temos dito, na hora em que Deus soprou o espírito em todas as hostes celestiais, eles todos vieram a existir, mas alguns foram retidos até que aquele Santo, abençoado seja Ele, os envie para baixo, e estes tem domínio tanto acima quanto abaixo.”[75]

Os termos “Rei” e “Matrona” denotam, respectivamente, Deus e sua esposa; o termo “Matrona” deriva do termo Latim para “Mãe.” O Zohar Gênesis 245bcontém uma passagem que se assemelha ao Hino da Pérola Cristão mencionado anteriormente:

As almas dos justos são superiores a todas as hostes celestes e habitações. Você poderia perguntar, se elas são tão transcendentes de ambos os lados (macho e fêmea), porque elas vêm a este mundo para serem logo após removidas dele? Imagine um rei que teve um filho a quem ele enviou a uma aldeia pra ser criado até que ele pudesse aprender as maneiras do palácio do rei. Quando o rei ouviu que seu filho já estava crescido, através de seu amor por ele, ele enviou a Matrona, sua mãe até ele, e o trouxe ao palácio, onde ele se regozijou com ele todos os dias de sua vida. Então, Aquele UM que é Santo, abençoado seja ele, teve um filho da Matrona, a saber, a santa alma celestial. Ele a enviou para a aldeia, a saber, para este mundo, para ser criada nele, e aprender as maneiras do palácio do rei. Quando o rei descobriu que seu filho havia crescido, e que já era hora de trazê-lo de volta ao palácio, por seu amor a ele, o rei enviou a Matrona ao palácio para buscá-lo. Uma alma não deixa este mundo até que a Matrona venha até ele e o traga até o palácio do rei, onde ele permanece para sempre.[76]

O Talmude contém uma oração matinal que provê evidências de uma crença na existência pré-mortal da alma: “Meu Deus, a alma que tu puseste em mim é pura. Tu a formaste em mim. Tu a sopraste em mim. Tu a manténs dentro de mim. Tu a tirarás de mim um dia, mas a restaurará a mim no devido tempo. Desde que a alma esteja em mim, eu te agradeço ó Senhor meu Deus e Deus de meus pais, mestre de todas as idades, senhor de todas as almas” (TB Berachot 60b).[77]

Textos Judeus Medievais falam do reservatório celestial (às vezes chamada guf, “corpo”) onde os espíritos são mantidos até a hora deles nascerem na terra. Entre os textos que abordam este conceito são Sepher ha-Razim,[78] Bahir 184,[79]Shi ur Qomah,[80]o Zohar,[81] Sifre 143b, Sefer Hparshiyot, and Midrash Ki Tov.[82] O Talmude da Babilônia ensina o mesmo (TB Hagigah 12b-13a; Yebamot 62ª, 63b, Niddah 13b). O texto medieval Revelação de Moisés fala de um anjo que “estava ensinando as almas que foram criadas por Deus na época da Criação e quando elas foram colocadas no Paraíso.” [83]

Alguns primitivos textos insinuam que as almas de todos aqueles que não eram ainda nascidos estavam presentes na revelação da lei de Moisés no Monte Sinai.[84] Crônicas de Jeramel 9:1 cita um texto mais antigo, Yitsirath ha-velad, no sentido que Deus criou todos os espíritos no princípio e o chama do Jardim do Éden quando é hora de lhes dar um corpo.[85] A idéia também é encontrada no Zohar Êxodo 13a-b, que observa que cada um dos espíritos deve aparecer diante do trono celestial antes de descer para a terra.[86] O Zohar Levítico 13a-b diz que “Quando aquele Um que é Santo, abençoado seja Ele, seleciona uma alma para enviá-la à terra, Ele grava sobre ela muitas advertências e ameaças para manter Seus mandamentos, e Ele também a leva para um mil e oito mundos para ver as glórias daqueles que se devotaram ao Torá [lei], e que permanecem diante do rei em uma túnica de esplendor na forma que eles possuíram neste mundo, contemplando a glória do Rei e sendo coroados com muitos diademas. Quando é hora de descer à terra, ela faz sua morada no Paraíso terrestrial por trinta dias para ver a glória do Mestre da retidão, e então ascende às suas moradas acima e logo após desce para a terra. Antes dela entrar no corpo de um homem, o santo Rei a coroa com sete coroas.” [87]

Várias passagens do Zohar indicam que, antes de ser enviadas à terra, a alma é trazida do reservatório para aparecer diante de Deus, que faz a promessa de estudar sua lei na mortalidade.[88] Outras passagens indicam que um ou mais anjos acompanham cada alma até a terra.[89] O Zohar Levítico 43a-b diz que antes da vir a nascer na mortalidade, a alma é mostrada os lugares em que os justos e os iníquos irão, para inspirá-la a escolher retidão.[90] O Zohar Êxodo 96b declara que quando Aquele UM que é Santo, abençoado seja Ele, veio para criar o mundo, Ele sentiu satisfação em formar todas as almas que seriam destinadas e enviadas aos filhos dos homens, e cada uma era moldada diante dele na figura do corpo que ela iria habitar logo em seguida. Ele examinava cada uma , e viu que algumas delas se corromperiam em suas jornadas no mundo.

Quando a hora era chegada, Aquele Um que é Santo decretava dizendo: “Vá, desça neste tal e tal lugar, em tal e tal corpo.” Mas muitas vezes casualmente aquela alma respondia, “Senhor do mundo, eu estou satisfeita em estar aqui neste mundo, e não desejo sair para algum outro lugar onde eu serei escravizada e me tornar suja.” Então o Santo responderia: “A partir do exato dia de sua criação tu não tens tido outro destino a não ser de ir naquele mundo.” Com isto a alma, vendo que deve obedecer, desceria contra sua vontade e entraria neste mundo.[91]



O mesmo conceito é conhecido do Midrash Tanhuma, Pekude , que diz que na hora da concepção, Deus ordena o anjo que é responsável pelos espíritos para trazer a Ele um especificado espírito para enviar a terra.[92] O Talmude declara que na hora que um infante é nascido, ele primeiro vê a luz, e naquela hora “um anjo se aproxima, dá uma palmada na sua boca e faz com ele esqueça todo o Torá completamente, mas não antes de ser admoestado, “Seja justo, e nunca seja iníquo; e mesmo que todo o mundo lhe diga, ‘Você é digno’, considere-se iníquo” (TB Niddah 30b)”.[93] Dai vemos que o Judaísmo não somente ensina que nossos espíritos existiram antes do nascimento, mas que eles entraram em um convênio com Deus, mas passaram por uma fase de esquecimento daquela existência pré-mortal.



TRADIÇÃO DOS MANDEUS

De acordo com os Mandeus, os quais acreditam serem descendentes dos discípulos de João Batista, as almas descem do yardna celestial (Jordão, águas viventes) no corpo de uma criança cinco meses depois da concepção e se parecem com a criança na hora do nascimento.[94] No Livro de Oração Canônico dos Mandeus 68, “Uma dos filhos da salvação em sua bondade tomou (aceitou) seu destino (dever). Ele me dobrou em embrulhos de esplendor , tomou (me) e me entregou a Adão. Adão, em sua simplicidade, porquanto, sem saber ou entender, tomou e me moldou em um corpo físico.” [95]



O Zohar Judeu Êxodo 98b fala de uma alma retornando à sua “primeira morada (lar)” nos céus.[96] A mesma expressão é usada em vários textos Mandeus, num dos quais se lê, “Levanta-te, levanta-te Alma, ascende à tua Primeira Morada (Lar). A tua Primeira Morada (Lar) ascende, ao Lugar de onde foste plantado, a teu tipo de Morada dos Uthras. Acorda por ti mesma, veste tua vestimenta de esplendor e coloca tua coroa de flores resplandecentes. Senta-te em teu Trono de Esplendor, cuja Vida tem te estabelecido no Lugar de Luz. Ascende, habita nas Shkinas entre os Uthras, seus irmãos.” [97]



Em um outro documento Mandeu, a alma desencarnada, tendo acabado de deixar o mundo, é dita, “Sobe, levanta-te ao nível de teu antigo lar, para tua excelente habitação com os Uthras. Vive entre os Uthras, teus irmãos, senta-te em seu meio como tu foste ensinado a fazer. Busca a Casa de teu Pai e amaldiçoa o mundo de falsidades, onde tu viveste...Que o teu trono possa ser estabelecido, assim como costumava ser.”[98] A alma declara, “Com este propósito estou eu destituída de minha glória, trazida, lançada e revestida em vestimenta mortal? Sou eu lançada em uma vestimenta mortal, que ele colocou e tirou? [99] De um outro texto, Adão, após sua morte, “voou para longe e chegou ao seu lugar de destino, a morada de onde ele foi transplantado, o lugar de onde ele foi transplantado e quando sua forma (ou: seu homólogo) tinha brilho.”[100] E ainda outro: “Levanta-te, levanta-se, alma, ascende para tua primeira terra. Para tua primeira terra, ascende, para a excelente morada dos Uthras. Entra em ação, coloca tuas vestimentas de glória e coloca tua coroa resplandecente. Senta-te no trono de fulgor, onde a vida foi estabelecida para ti no Lugar da Luz.”



NO MISDRASH R., O MESSIAS NÃO VIRÁ ATÉ QUE TODAS AS ALMAS TENHAM NASCIDAS.

Midrash Rabbah – Eclesiastes 1:12

R. Hiyya b. Tanhum disse (alguns reportam que ele disse isto no nome de R. Johannan): O Rei Messias não virá até que todas as almas tenham aparecido [na terra] que sob o plano Divino foram criadas, e elas são as almas mencionadas no livro de Adão2; como é dito, Este é o livro das gerações de Adão (Gen. V,1). (P.19). Mais um outro foi visto antes deste no Midrash Rab.



SUMÁRIO

O conceito da existência pré-mortal do homem, rejeitada pela maioria do Cristianismo hoje, porém ensinada por Joseph Smith, é conhecido entre um grande número de textos do Oriente Médio, tanto antigos quanto medievais. Através destes textos, é claro que tanto os primitivos Judeus quanto Cristãos acreditavam que os espíritos dos homens existiram antes de seus nascimentos na terra. Joseph Smith restaurou este conceito antigo ao mundo moderno.



Baseado nas pesquisas feitas por Kevin L. Barney, Barry R. Bickmore, S. Kent Brown, Michael Hickenbotham, Joseph Fielding McConkie, Hugh Nibley, Matthew P. Roper, e John A. Tvedtnes.

For further reading:

Kevin L. Barney, “On Preexistence in the Bible,” posted at http://anti-mormonism-revealed.com/jp3.htm.

Gayle, Oblad Brown, “Pré-mortal Life,” in Daniel H. Ludlow, gen. ed., Encyclopedia of Mormonism (New York: Macmillan, 1992)

S. Kent Brown, “Souls, Preexistence of,” in David Noel Freedman, ed., Anchor Bible Dictionary (New York City: Doubleday, 1992), 6:161.

Joseph Fielding McConkie, “Pré-mortal Existence, Foreordinations, and Heavenly Councils,” in C. Wilfred Griggs, ed., Apocryphal Writings and the Latter-day Saints (Provo, Utah: Brigham Young University Religious Studies Center, 1986), 173-98

Hugh Nibley, “Treasures in the Heavens: Some Early Christian Insights into the Organizing of Worlds,” chapter 7 in his book Old Testament and Related Studies (Salt Lake City: Deseret and FARMS, 1986), 171-214.[101]

Blake Osatler, “The Idea of Pre-Existence in the Development of Mormon Thought,” Dialogue: A Journal of Mormon Thought 15/1 (Spring 1982): 59-78.

David Winston, “Preexistence in Hellenic, Judaic and Mormon Sources,” in Truman G. Madsen, ed., Reflections on Mormonism: Judaeo-Christian Parallels (Provo: Brigham Young University Religious Studies Center and Bookcraft, 1978). Winston, though not a Latter-day Saint, sees ancient evidence for the concept.



________________________________________



[1] For a non-LDS treatment, see Robert G. Hammerton-Kelly, Pre-Existence, Wisdom, and the Son of Man: A Study of the Idea of Pre-Existence in the New Testament (Cambridge University, 1973). Many modern Christians, while acknowledging that the spirit continues to exist after death, believe that God creates the spirit of man at the time of one’s mortal birth. Some of the proof-texts used by Latter-day Saints to support the concept of a premortal existence are read otherwise by those who hold to a late creation of the spirit. Thus, Ecclesiastes 12:7 (“Then shall the dust return to the earth as it was: and the spirit shall return unto God who gave it” while probably referring to a premortal life, is not strong evidence for it, since some would read it as merely meaning that the spirit, which was created at the time of birth, returns to God because it was he who created it. Because of their ambiguity, some Bible passages used by Latter-day Saints are excluded from this present study.

[2] Alexander Roberts and James Donaldson, eds., Ante-Nicene Fathers (reprint Peabody, MA: Hendrickson, 1994 [orig. 1885]) 2:224.

[3] William G. Braude, Pesikta Rabbati, Yale Judaica Series, vol. 18 (New Haven: Yale University Press, 1968), 2:547.

[4] The same interpretation has been attached to such passages as Ephesians 1:4 and Romans 8:29-30. But the Ephesians passage must refer to man’s premortal life, since the preceding verse (3) speaks of the Father “who hath blessed us with all spiritual blessings in heavenly places in Christ.” This seems to allude to the premortal council (see chapter 3), in which Christ was presented as our Savior. Latter-day Saints are wont to also quote Ecclesiastes 12:7, which does not necessarily imply that our spirits existed before we became mortal, only that God gave the spirit and it returns to God. Many Christians believe that the spirit is created at the same time as the body. This belief seems to have been first suggested by St. Irenaeus, if the attribution to him on one of the Nitrian Collection of Syriac manuscripts in the British Museum is correct. See Fragment 49 (said to be from Irenaeus’s commentary on the Song of Solomon) in Alexander Roberts and James Donaldson, eds., The Ante-Nicene Fathers, 1:576.

[5] In verse 25 the Jewish leaders tell the man, “Thou wast altogether born in sins.”

[6] Florentino Garcíia Martínez, The Dead Sea Scrolls Translated (2nd ed., Leiden: Brill, 1996), 209.

[7] James H. Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha (Garden City, NY: Doubleday, 1985), 2:55.

[8] Harry Sperling et al., The Zohar (New York: Rebecca Bennet Publications, 1958), 4:25-26.

[9] Ibid., 5:47-48.

[10] Ibid., 3:164.

[11] Some subsequent statements by Joseph Smith support this idea: “God made man and put into it Adam’s spirit,” cited in Andrew F. Ehat and Lyndon W. Cook, eds., The Words of Joseph Smith: The Contemporary Accounts of the Nauvoo Discourses of the Prophte Joseph (Provo: BYU Religious Studies Center, 1980), 352. “God made a tabernacle and put a spirit in it, and it became a human soul,” in ibid., 346.



[12] W. M. Thackston, Jr., transl., The Tales of the Prophets of al-Kisa'i (Boston: Twayne, 1978), p. 14 (2.5).

[13] Wolf Leslau, Falasha Anthology (New Haven: Yale, 1951), 13.

[14] Gerald Friedlander, translator, PirKê de Rabbi Eliezer (New York: Hermon Press, 1965), 78.

[15] Ibid., 258

[16] Harry Sperling et al., The Zohar 4:338.

[17] James M. Robinson, The Nag Hammadi Library (2nd ed., San Francisco: Harper, 1990), 163.

[18] Ibid., 279.

[19] G. R. S. Mead, The Gnostic John the Baptizer: Selections from the Mandeu John-Book (London: John M. Watkins, 1924), 89-91.

[20] Alexander Roberts and James Donaldson, eds., Ante-Nicene Fathers (reprint, Peabody, Mass.: Hendrickson Publishers, 1994), 8:121.

[21] Ibid., 8:316.

[22] Ibid., 8:85.

[23] Ibid. Other early Christian texts that support the concept of man’s premortal life are discussed in chapter 3, The Council in Heaven. Theodotus, an early Gnostic Christian, argued against the premortal existence of human spirits, saying, “God made us, having previously no existence. For if we had a previous existence, we must have known where we were, and how and why we came hither. But if we had no pre-existence, then God is the sole author of our creation . . . He made us who had no existence . . . But see the power of God, not only in the case of men, in bringing to existence out of non-existence . . . but also in saving those who believe” (Excerpts 17-18, ibid., 8:45).

[24] Alexander Roberts and James Donaldson, Ante-Nicene Fathers, 1:196-7.

[25] Ibid., 4:325-6.

[26] Alexander Roberts and James Donaldson, Ante-Nicene Fathers, 4:292. See also De Principiis 2.9.7 (ibid., 4:293) and 3.1.21 (ibid., 4:327). In hisCommentary on the Gospel of John 2.25, Origen again drew on the passages from Gênesis, Malachi, and Romans, and wrote, “Consider whether the celebrated question about Jacob and Esaú has a solution. We read. ‘The children being not yet born, neither having done anything good or bad, that the purpose of God according to election might stand, not of works but of him that calleth, it was said, “The elder shall serve the younger.” Even as it is written: “Jacob I loved, but Esaú I hated.” What shall we say, then? Is there unrighteousness with God? God forbid.’ If, then, when they were not yet born, and had not done any-thing either good or evil, in order that God's purpose according to election might stand, not of works, but of him that calleth, if at such a period this was said, how if we do not go back to the works done before this life, can it be said that there is no unrighteousness with God when the elder serves the younger and is hated (by God) before he has done anything worthy of slavery or of hatred?” (ibid., 9:341).

[27] Ibid., 9:341. For more on Origen’s views of man’s premortal life and God’s selection of certain spirits to become leaders in mortality, see chapter 6, Foreordination, and chapter 47, Ministering Angels Belong to This Earth. The Prayer of Joseph is discussed in the latter.

[28] Ibid., 4:292.

[29] Ibid., 9:339-40. For Origen’s contention that John the Baptist was an angel sent by God, see chapter 45, Ministering Angels Belong to This Earth. See also chapter 6, Foreordination.

[30] Alexander Roberts and James Donaldson, Ante-Nicene Fathers, 4:263-4. Origen’s views on man’s premortal existence were condemned at the Second Council of Constantinople in A.D. 553, following an earlier condemnation of the concept by the emperor Justinian a decade earlier. For a study of Origen’s views on the premortal existence of the spirit, see, “The Church of the Pre-Existence and the Fall,” chapter 11 of Henri Crouzel (transl. A. S. Worrall), Origen(Edinburgh: T. & T. Clark, 1989). For the anathemas against Origen’s teachings, see Philip Schaff and Henry Wace, eds., Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series (reprint, Peabody, MA: Hendrickson, 1994), 14:318-20; also Adolph Harnack, History of Dogma (New York: Dover, 1961), 4:245, 347-9; Philip Hughes, The Church in Crisis: A History of the General Councils, 345-1870 (Garden City, NY: Doubleday, 1964), 117-8.

[31] Ibid., 4:292-3.

[32] Ibid., 4:265.

[33] Ibid., 4:266.

[34] Ibid., 6:157.

[35] Philip Schaff and Henry Wace, eds., Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, 3:431, 439.

[36] Ibid., 3:459

[37] Ibid., 3:, 184-5, 203-5. Later Christians were more vehement in their denunciation of Origen and he was posthumously excommunicated in A.D. 543.

[38] Ibid., 2:173.

[39] See St. Jerome’s letter To Pammachius Against John of Jerusalem, 16-18, in Philip Schaff and Henry Wace, eds., Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, 6:432-3.

[40] On the Nature of Man, in George Wither, The Nature of Man (London: Miles Flesher, 1636), passim. The premortal existence of man’s soul is assumed throughout the text.

[41] Bibliotheca, cited in Alexander Roberts and James Donaldson, Ante-Nicene Fathers, 6:157.

[42] James M. Robinson, The Nag Hammadi Library (3rd rev. ed., San Francisco: Harper, 1990), 34.

[43] Ibid., 32

[44] Ibid., 64.

[45] Ibid., 65. Jesus is called “the Word” in John 1:1, 14.

[46] Ibid., 187. The Gnostics believed that human bodies were created by a lesser god (the demiurge) rather than the higher God who created their spirits.

[47] Philip Schaff and Henry Wace, eds., Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, 7:23.

[48] Ibid., 126. The age of seven days may be based on the fact that circumcision occurs on the eighth day following birth (Gênesis 17:12; 21:4; Leviticus 12:3; Luke 1:59; 2:21; Acts 7:8; Philippians 3:5). See also the discussion in chapter 33, Nonaccountability of Young Children.

[49] Ibid., 132.

[50] Ibid., 196

[51] Wilhelm Schneemelcher (translator R. McL. Wilson), New Testament Apocrypha (revision, Louisville, KY: Westminster/John Knox, 1992), 2:380-85. See the discussion in Appendix 3 of Hugh Nibley, The Joseph Smith Papyri: An Egyptian Endowment (Salt Lake City: Deseret, 1975), 267-72. See also John W. Welch and James V. Garrison, “The ‘Hymn of the Pearl’: An Ancient Counterpart to ‘O My Father’,” BYU Studies 36/1 (1996-7), 127-38.

[52] Josephus reported that the Jewish sect known as Essenes believed “that the souls are immortal, and continue for ever; and that they come out of the most subtle air, and are united to their bodies as in prisons, into which they are drawn by a certain natural enticement; but that when they are set free from thebonds of the flesh, they then, as released from a long bondage, rejoice and mount upward” (Wars of the Jews 2.8.11). Contrast this with D&C 45:17, where the Lord says, “ye have looked upon the long absence of your spirits from your bodies to be a bondage.”

[53] Latter-day Saints have often cited Ecclesiastes 12:7 as evidence that all humans lived with God as premortal spirits, but the passage is not that explicit, saying only, “Then shall the dust return to the earth as it was: and the spirit shall return unto God who gave it.” It could be argued that this merely alludes to the fact that God creates our spirits, but that he does so at the time of human conception or birth. Consequently, it is interesting to see that so many ancient writers read such passages in the same manner as Latter-day Saints.

[54] See Judah Goldin, The Fathers According to Rabbi Nathan (New York: Schocken, 1974), 126

[55] James H. Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha, 1:140.

[56] Ibid., 1:176.

[57] Ibid., 1:177.

[58] Ibid., 1:180.

[59] Ibid., 1:220

[60] A similar thought is found in Justin Martyr’s First Apology 28, in which he wrote that God “foreknows that some are to be saved by repentance, some even that are perhaps not yet born.” Alexander Roberts and James Donaldson, eds., Ante-Nicene Fathers 1:172.



[61] James H. Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha, 1:294.

[62] The Jewish and Muslim tradition that God gave Adam a vision of all of his descendants (discussed in chapter 21, The Prophecy of Adam) may suggest that their spirits already existed when Adam was placed on the earth.



[63] Ibid., 1:629.



[64] Ibid., 1:531.



[65] H. Freedman and Maurice Simon, eds., Midrash Rabbah, 10 vols. (London: Soncino Press, 1961), Gênesis vol. 1, 201 and Leviticus vol., 188.

[66] Ibid., Exodus vol., 461-2.

[67] Ibid., Gênesis vol. 1:114. The same story is told in the commentary on Ecclesiastes 3:14 (Ecclesiastes vol. 8:88).

[68] Jacob Neusner, transl., Talmud of Babylonia IIIB: Tractate Yebamot (Atlanta, GA: Scholars Press, 1992), 140, 146.

[69] Jacob Neusner, transl., Talmud of Babylonia XXXVIA: Tractate Nidah (Chico, CA: Scholars Press, 1990), 68.

[70] Jacob Neusner, transl., Talmud of Babylonia XVa: Tractate Abodah Zarah (Chico, CA: Scholars Press, 1991), 23. This passage also notes that God showed Adam all the generations that would descend from him. See the discussion in chapter 21, The Prophecy of Adam.

[71] Harry Sperling et al., The Zohar, 1:298, 300.

[72] See the following Zohar passages: Prologue 13a, in Harry Sperling et al., The Zohar, 1:54-5; Gênesis 83a (ibid., 1:276); Gênesis 91b (ibid., 1:300); Gênesis 130b (ibid., 2:20-21); Gênesis 197a (ibid., 2:249); Gênesis 198a (ibid., 2:253); Gênesis 205b-206a (ibid., 2:280); Gênesis 209a (ibid., 2:291); Gênesis 229b (ibid., 2:333); Exodus 12a (ibid., 3:36); Exodus 98b (ibid., 3:299-300); Exodus 199a (ibid., 4:173); Exodus 197a (ibid., 4:165-166); 219b-220a (ibid., 4:248-249); Leviticus 104a-b (ibid., 5:137); Deuteronomy 233b-284a (ibid., 5:370).

[73] The Hebrew word is feminine in gender; one can also translate it as “it.”

[74] Ibid., 3:34.

[75] Ibid., 5:62.

[76] Ibid., 2:379.

[77] Jacob Neusner, transl., Talmud of Babylonia I: Tractate Berakhot (Chico, CA: Scholars Press, 1990), 407.

[78] Michael A. Morgan, transl., Sepher ha-Razim, The Book of the Mysteries (Chico, CA: Scholars Press, 1983), 81.

[79] Aryeh Kaplan, The Bahir (York Beach, ME: Samuel Weiser, 1989), 71.

[80] See Martin Samuel Cohen, The Shicur Qomah: Liturgy and Theurgy in Pre-Kabbalistic Jewish Mysticism (New York: University Press of America, 1983), 248.

[81] See the following passages in Harry Sperling et al., The Zohar: Gênesis 197a (2:249); Exodus 53b (ibid., 3:164); Exodus 127a (ibid., 3:360); Leviticus 42a (ibid., 5:5); Leviticus 68a-b (ibid., 5:62-63

[82] Both Sefer Haparshiyot, and the Midrash Ki Tov list various patriarchs who were “with God before the creation of the world.” See Rabbi Nissim Wernick’s 1968 Brigham Young University PhD dissertation, “A Critical Analysis of the Book of Abraham in the Light of Extra-Canonical Jewish Writings,” 22.

[83] Published in Hebrew in Gedulath Mosheh (Amsterdam, 1854) and reprinted in Adolf Jellinek, Beth hamiddrash 2, with English translation by Moshe Gaster in his Studies and Texts (reprint, New York: Ktav 1971), 132.

[84] Midrash Rabbah Exodus 28:4; Tanhuma Yitro 11; Pirqe de Rabbi Eliezer 41; Zohar Gênesis 91a.

[85] Moses Gaster, The Chronicles of Jerahmeel (reprint, New York: Ktav, 1971), 19. Many Jewish and some Christian texts identify the garden of Éden with God’s heavenly abode.

[86] Harry Sperling et al., The Zohar, 3:40.

[87] Ibid., 4:349. The passage is attributed to Rabbi Jose, who then cites Song of Songs 2:17 and explains that “this is a warning to the soul to repent and purify itself before the day of this world shall cool off and be followed by that awful day on which God shall call her to account when she departs from this world.”

[88] See Zohar Gênesis 227b (ibid., 2:329); Gênesis 233b (ibid., 2:345); Exodus 161b (ibid., 4:57-58).

[89] Zohar Prologue 12b (ibid., 1:53); Exodus 11a-b (ibid., 3:34).

[90] Ibid., 5:6-7.

[91] Ibid., 3:291

[92] Rabbi Nissim Wernick cited a portion of the text in his “A Critical Analysis of the Book of Abraham in the Light of Extra-Canonical Jewish Writings,” 22.

[93] Isidore Epstein, ed., The Babylonian Talmud (London: Soncino Press, 1948), Seder $ohoroth part 1:212.

[94] E. S. Drower, The Mandeus of Iraq and Iran (photomechanical reprint, Leiden: E. J. Brill, 1962), 41.

[95] E. S. Drower, The Canonical Prayerbook of the Mandeus (Leiden: Brill, 1959), 54.

[96] Harry Sperling et al., The Zohar, 3:299-300

[97] Robert Haardt, Gnosis: Character and Testimony, translated by J. F. Hendry (Leiden: Brill, 1971), 385.

[98] Werner Foerster, Gnosis: A Selection of Gnostic Texts, translated by R. McL. Wilson (Oxford: Clarendon, 1974), 2:254.

[99] Ibid., 255.

[100] Ibid., 260.

[101] Originally published as “Treasures in the Heavens: Some Early Christian Insights into the Organizing of Worlds,” in Dialogue: A Journal of Mormon Thought 8 (Autumn/Winter 1973): 76-98, and reprinted in Hugh Nibley On the Timely and the Timeless (Provo: BYU Religious Studies Center, 1978), 49-84.


Share/Bookmark ~ segunda-feira, 12 de julho de 2010 1 Comentários

A Tradução E Publicação Do Livro De Mórmon, Stephen D. Ricks


Traduzido por Expedito J. Noronha

Estou feliz por poder passar algum tempo com vocês hoje falando a respeito da tradução do Livro de Mórmon. Estou esperançoso de que no final dessa preleção hoje possamos conhecer apenas um pouco mais a respeito do que Joseph Smith pessoalmente pensava e disse sobre a tradução do Livro de Mórmon.




1 - O que diz Joseph Smith?



2 - O que outros - companheiros, colegas, e co-trabalhadores, que o conheciam naquele período de tempo - dizem a respeito do processo de tradução?



3 - E além disso, fazer perguntas especificamente sobre os meios e métodos que foram usados no processo e tradução. Por meios quero dizer, instrumentos, os objetos que foram usados. E descobrir o que podemos aprender disso.



4 - Em acréscimo a isso, finalmente, que método foi usado no processo de tradução? Como foi que Joseph Smith na verdade combinou esses instrumentos, os objetos que lhe foram dados, de modo a estar apto a traduzir? Essas quatro questões espero estarmos aptos a discutir.



Estamos todos familiarizados, acredito, com a agora famosa carta Wentworth, a carta que contém as Treze Regras de Fé, na qual Joseph descreve a ascensão e progresso da Igreja. Nessa carta ele também descreve ligeiramente a respeito da tradução por meio de Urim e Tumim, através do poder de Deus. Em outras ocasiões ele usou linguagem semelhante sobre o processo de tradução.



Em uma carta que ele escreveu a uma pessoa muito vivida, à qual ele se referiu como "Joshua, o ministro Judeu", ele diz que a tradução ocorreu pelo dom e poder de Deus. E em outra parte, onde fala sobre o uso de Urim e Tumim, ou os 'óculos', ou os intérpretes nefitas, como são chamados no Livro de Mórmon ( e aqui devo acrescentar em parênteses que o termo Urim e Tumim, que normalmente usamos para descrever os objetos ou os instrumentos que foram usados para a tradução na verdade nunca foram encontrados no Livro de Mórmon), ele sempre – obs ervem - usa apenas a frase eles foram usados pelo dom e poder de Deus.



Devemos nos perguntar, porque Joseph Smith foi tão hesitante em responder à questão em maiores detalhes? E sabemos que ele foi, porque em 1831, na Conferência de Outubro, em Orange, Ohio, seu irmão Hyrum, a quem ele tão ternamente amava, e por quem ele fez tanto, e que também muito lhe fez, perguntou-lhe, diante da conferência, se poderia por favor levantar-se e informar aos membros da conferência em maiores detalhes do que ele já o fizera, exatamente como o Livro de Mórmon foi traduzido. Em resposta ao pedido, Joseph disse que não nada mais tinha a acrescentar além do que já havia sido dito sobre a vinda do Livro de Mórmon à luz, e que não era bom que maiores detalhes fossem acrescentados.



A reticência, suspeito, resulta de alguma experiência ruim que Joseph deve ter tido quando havia dado a conhecer coisas muito sagradas a algumas pessoas. Recordamos, naturalmente, que logo no início quando ele deu a conhecer ao povo suas experiência da primeira visão; o resultado foi perseguição maior do que ele havia concebido ou imaginado.



Havia outro problema, Nos primórdios da Igreja, muitos dos primeiros membros da Igreja começaram a acreditar que foi apenas pelo uso e através das pedras videntes - Urim e Tumim - que era possível receber revelação. Assim, sempre que eles sentiam que uma revelação legítima devia ser dada, as pedras videntes tinham de estar lá. Joseph, como veremos, logo abandonou as pedras videntes porque ele sentiu que não mais necessitava delas. Essas pessoas continuaram acreditando que as pedras videntes eram essenciais. Assim, eu acredito por causa da atitude reinante entre certos membros da Igreja, tanto quanto a atitude que ele deve ter suspeitado existir entre aqueles que não pertenciam à Igreja, então ele decidiu nada mais acrescentar ao que já havia dito naquela declaração, de que "foi pelo dom e poder de Deus" que ele traduziu o Livro de Mórmon.



Entretanto, felizmente, algumas outras testemunhas disseram mais a esse respeito. Falaram tanto sobre os instrumentos e objetos que foram usados de modo a traduzir o Livro de Mórmon, e, em acréscimo a isso, eles também falam com certa extensão sobre o método que foi usado para esse fim. Eu gostaria de analisar ambos - instrumentos e método.



Durante o processo de tradução as testemunhas notam que dois instrumentos diferentes são usados. Um deles, as pedras videntes. Estamos todos acostumados, acredito, com a palavra, mas quereremos gravá-la em nossa mente, porque ela ocorre em contexto com outras palavras igualmente. E, em acréscimo àquilo, uma outra palavra, os intérpretes, às vezes chamados de intérpretes nefitas, ou óculos. Esses dois objetos parecem ter sido usados desde o início do processo de tradução do Livro de Mórmon.



A pedra vidente, em primeiro lugar, podemos falar a respeito. Parece haver sido originalmente encontrada por Joseph, seu irmão Alvin, quando eles estavam trabalhando na propriedade de Mason Chase em 1822, e que é descrita por uma das testemunhas, serem do tamanho aproximado do ovo de uma galinha, na forma de um alto dorso de sapato. Era composta de camadas de cores diferentes passando através dela diagonalmente. Era muito dura e lisa, talvez por serem trazidas nos bolsos. Muitas das demais descrições que temos a respeito delas dizem quase a mesma coisa.



É interessante notar que as pedras videntes foram passadas por Joseph, após traduzir o Livro de Mórmon, a Oliver. Oliver conservou-as em sua posse até morrer. A seguir passaram para sua esposa, Elizabeth Ann Whitmer Cowdery, que as deu para Phineas Young, irmão de Brigham Young, que viera a Missouri onde Elizabeth se encontrava naquele tempo. Phineas levou-as a Utah com ele e entregou-as a seu irmão, Brigham, que as conservou guardando-as para a Primeira Presidência; e, com exceção de breve hiato de tempo quando ela foi adquirida por alguém mais, ela tem permanecido na posse da Primeira Presidência desde aquele tempo e ainda faz parte das posses da Primeira Presidência.



Existem vários relatos mais, além do relato que acabamos de mencionar, relativos aos óculos ou intérpretes nefitas. Talvez a melhor e mais longa descrição que temos dos intérpretes nefitas obtemos do irmão mais jovem de Joseph, William. O irmão de Joseph, como devem recordar, era um membro do primeiro Quorum dos Doze. Mais tarde ele se tornou insatisfeito com a Igreja e abandonou-a. Ele não mais congregou com os santos em Utah, mas sempre manteve fiel a seu testemunho do Livro de Mórmon. Ele foi o membro do Quorum dos Doze original que viveu mais longamente.



Ele morreu em 1893, e em 1891, dois antes de sua morte, dois cavalheiros, Sr. Peterson e Sr. Pender vieram entrevistá-lo a respeito de suas recordações do processo de tradução do Livro de Mórmon. No decurso disso, ficaram sabendo, juntamente com outras coisas, sobre o Urim e Tumim, e o peitoral. Perguntaram-lhe qual era o significado da expressão: "dois aros de um arco, que prendia [o Urim e Tumim]." Ele disse que o arco de prata dobrado estava torcido com o formato de um 8, assim temos uma idéia de que "dois aros de um arco" parece um pouco com um par de óculos, mas um par de óculos que tem a forma semelhante a um 8. E as duas pedras eram colocadas, literalmente, entre os dois aros - isto é, dentro dos aros, de modo a permitir os meios através dos quais o indivíduo, que era o vidente, podia olhar e ver.



No final, ele continua a dizer, era preza por uma haste que era ligada a outra extremidade do ombro direito do peitoral. Ao apertar a cabeça um pouco para a frente a haste prendia o Urim e Tumim diante dos olhos, muito parecido com um óculos. Um bolso foi preparado no peitoral, no lado esquerdo, imediatamente sobre o coração. Quando não estava sendo usado, o Urim e Tumim era colocado nesse bolso, a haste tendo justamente o comprimento necessário para permitir fosse ele ali depositado. Esse instrumento podia, entretanto, ser retirado do peitoral, e Joseph freqüentemente usava-o desligado quando fora de casa, mas sempre o usava em conexão com o peitoral ao receber comunicações oficiais ou quando traduzindo, permitindo-lhe ter ambas as mãos livres para manusear as placas.



Conseguimos ver a imagem que está sendo criada aqui por William? O peitoral cobria a parte superior do corpo. Dentro do peitoral tem um buraco onde os dois aros do arco, os intérpretes, podiam ser fixados para manter as mãos livres no momento em que traduzia ou recebia revelações. Ele continua, ainda, a dizer mais um par de coisas interessantes com relação a isso. Aparentemente, ele diz, aquilo havia sido preparado para homens muito maiores em tamanho do que Joseph ou ele próprio, e eram muito largos tanto para os olhos de Jaseph quanto de William. E, como resultado, causava um estado de tensão nos olhos, porque as lentes - pedras - ou intérpretes, ficam um tanto distantes uma da outra, mais do que indivíduos do tamanho de William ou Joseph, estariam acostumados, em circunstância normal; ele causava uma certa quantidade de tensão ocular, como resultado do que William dissera, eles ou ele também usara as pedras videntes.



Agora devemos nos perguntar, "Bem, o que sabemos a respeito de quando as pedras foram usadas em oposição a quando os intérpretes nefitas foram usados"? Os relatos variam um pouco aqui, mas parece razoavelmente claro que as pedras foram usadas em todos os estágios do processo de tradução. Há pelo menos alguma probabilidade, em acréscimo a isso, que os intérpretes nefitas foram usados durante todas as fases do processo de tradução igualmente, embora perdure alguma dúvida a respeito disso.



Devo acrescentar, aqui, uma história muito interessante que é contada a respeito das pedras videntes por Martin Harris, o qual, naturalmente, esteve envolvido no processo de tradução logo no início. Ele conheceu Joseph quando ele usava as pedras bem como os intérpretes nefitas. Ele disse, então, que certa vez quando Joseph estava usando as pedras com o propósito de traduzir, ele ficou cansado; qualquer pessoa pode imaginar que permanecer assentado duas ou três horas trabalhando daquela maneira, é natural que quisesse descansar, e eles o fizeram. Foram para a margem do rio, ele disse, e apanharam pedras e começaram a lançá-las sobre as águas. Enquanto Joseph atirava as pedras, Martin, sem Joseph saber, pegou uma pedra que era grosseiramente semelhante em tamanho e forma e cor às pedras videntes que ele estava usando, e colocou-as em seu bolso. A seguir ele trocou as pedras videntes pelas pedras que ele havia encontrado no rio, de modo que quando Joseph iniciou a tradução novamente, ao contrário de ter as verdadeiras pedras ele tinha as falsas apanhadas por Martin.



Ao descrever essa experiência, Martin diz que Joseph olhou intencionalmente para o chapéu que era usado para cobrir, para evitar a luz, e ficou em absoluto silêncio por vários momentos - algo que normalmente não acontecia no processo de tradução, quando Joseph podia simplesmente continuar do ponto em que interrompera, mais ou menos traduzindo continuamente. Então ele disse a Martin, "Martin, o que aconteceu? Está tão escuro quanto o Egito". E quando olhou para a face de Martin, Martin disse que seu semblante decaiu e então Joseph perguntou-lhe: "O que aconteceu"? Martin explicou, e então Joseph perguntou-lhe: "Por que você trocou as pedras por outras?" E Martin disse: "Para provar que aqueles que clamam que você está simplesmente criando as palavras estão errados a esse respeito." Ele disse que fez isso para calar a boca dos loucos que faziam tais clamores.



Emma, que estava lá naturalmente durante todo o processo de tradução, afirma que no início da fase de tradução Joseph usou primeiramente os intérpretes nefitas. Mais tarde ele usou os intérpretes nefitas apenas para algo menos extenso, e usou fundamentalmente as pedras videntes. Afirmação semelhante encontramos de William McLellin.



Por outro lado, e eu creio que isso é muito importante, nós temos a declaração de Oliver Cowdery - quem nós sabemos nem mesmo esteve envolvido no processo de tradução do Livro de Mórmon até depois de perdidas as 116 páginas manuscritas - quando Joseph teve as placas e tudo o mais retirado dele, e depois devolvido a ele. Oliver agora foi chamado a testemunhar em favor de Joseph em um julgamento ocorrido em 1830, denominado "sob acusação de um crime muito sério", o que basicamente significa - alguém que não gostava de Joseph e assim decidiu fazer acusações contra ele. Sob juramento, testemunhando sobre a tradução, (Oliver) disse que ele (Joseph) "usava duas pedras transparentes parecidas com óculos, ajustadas em aros prateados". E ele continua dizendo: "Olhando através dessas pedras, Joseph era capaz de ler, em inglês, os caracteres egípcios reformados que estavam gravados nas placas." Desde que a única experiência de Oliver com Joseph, que acabei de mencionar, aconteceu depois da perda e recuperação das placas, e as outras coisas que se seguiram, seu testemunho nesse julgamento certamente sugere que Joseph estava continuando a usar os intérpretes nefitas, até mais tarde nessa parte do processo de tradução.



Semelhantemente, encontramos em um número bem antigo do Latter-day Saint Messenger (O mensageiro Santo dos Últimos Dias) e Advocate (Advogado) o que Oliver escreveu: "Dia após dia eu continuava a escrever ininterruptamente a partir do que ele ditava à medida que traduzia com o Urim e Tumim, ou como os nefitas diriam, intérpretes, a história, um registro denominado Livro de Mórmon." Aqui novamente notamos que o termo Urim e Tumim não era encontrado no Livro de Mórmon; é algo que virá mais tarde, em um relato posterior a 1830. Talvez 1831, ou algo assim, é que temos a primeira menção deles, aparentemente não de Joseph, mas de ambos W.W.Phelps ou de Oliver Cowdery. Eles o denominaram Urim e Tumim por acreditarem que essa era a melhor maneira de ajudar na descrição (dos intérpretes ) para o povo, usando portanto uma terminologia bíblica, que estava à disposição de Joseph a fim de traduzir.



Encontramos declaração semelhante feita por Oliver através de Rueben Miller, em 1848, e isso bem próximo do fim de sua vida: "Eu escrevi com minha própria pena o Livro de Mórmon inteiro, exceto algumas páginas, tal como saíram dos lábios do profeta, à medida que ele traduzia-o pelo dom e poder de Deus, através do Urim e Tumim, ou conforme chamado no livro, intérpretes sagrados". Parece, penso então, muito apropriadamente que durante todo o período da tradução, mesmo durante os primórdios da tradução até a época em que as 116 páginas foram perdidas, ambos os intérpretes nefitas, as duas pedras presas a um aro, em acréscimo às pedras videntes, que haviam sido encontradas por ele alguns anos antes. E que mais tarde, ambos eram usados. Mas, em certo sentido, a coisa realmente importante é que durante todo o processo de tradução, Joseph usou meios sobrenaturais para capacitá-lo a traduzir o Livro de Mórmon corretamente.



Ora, há outra questão que talvez nos perguntemos, e acho-a muito legítima. Por que Joseph tinha de usar qualquer tipo de meio, seja qual for, os intérpretes nefitas ou as pedras videntes, ou qualquer outra coisa? Pergunta que alguns dos primeiros santos fizeram igualmente. Orson Pratt, por exemplo, fez a pergunta e ele assim relatou, quando fez a pergunta o profeta disse-lhe que o Senhor lhe tinha dado o Urim e Tumim quando era inexperiente quanto ao princípio de inspiração. Mas agora, ele, isto é, Joseph, tinha avançado bastante na compreensão da influência do Espírito que não mais necessitava da assistência do instrumento. De fato, vocês recordam que mencionei que depois de haver completada a tradução do Livro de Mórmon, ele deu as pedras videntes para Oliver, dizendo, "Não mais necessito disso."



A seguir temos outro comentário, usado mais tarde por Zebedee Coltrin que também o conhecera nesses primeiros anos. Em 1880 Zebedee Coltrin diz que: "Joseph disse, com relação a Urim e Tumim ou intérpretes nefitas e as pedras videntes, que não mais necessitava daquilo e que os tinha entregue ao anjo Moroni." Isso é interessante porque aqui estamos falando, naturalmente, sobre os intérpretes e não sobre as pedras videntes. Os intérpretes voltaram para Moroni, as pedras para Oliver. Mas ele possuía o sacerdócio de Melquisedeque e esse sacerdócio permitiu-lhe ter as chaves para todo conhecimento e inteligência, como resultado de que tais instrumentos não eram mais necessários para ele usar, bem como os intérpretes e as pedras videntes.



Agora deixem-me frisar mais uma coisa. Aqui nós observamos os termos pedra vidente ou intérpretes ou óculos. Na literatura, em geral, parece que intérpretes e Urim e Tumim, são usados mais ou menos indistintamente. Mas, também pareceu haver alguns momentos em que Joseph, e outros, usaram Urim e Tumim para se referirem às pedras videntes igualmente. Assim sendo, creio que nós precisamos compreender que Urim e Tumim, embora usualmente associados com óculos ou intérpretes, deve também ser usado para se referir às pedras videntes. Mais importante todavia é que são usados com referência a qualquer meios sobrenaturais que o Senhor proporcionou a Joseph durante aquele período, de modo a capacitá-lo a traduzir o Livro de Mórmon.



A próxima questão que podemos desejar elucidar a seguir é, que tal esse método de traduzir o Livro de Mórmon? Quanto aos meios, temos alguma discussão a respeito: pedras videntes, intérpretes, ou óculos. E o método? Joseph nos informou como foi que ele traduziu o Livro de Mórmon? Infelizmente, aqui também ele não fornece maiores informações a respeito de como o Livro de Mórmon foi traduzido do que fez quando veio à tona o exemplo discutido a respeito dos meios que foram utilizados. Ele diz meramente que eles trabalharam pelo dom e poder de Deus. Isto é particularmente uma pena, uma vez que somente Joseph, nesse particular, estava em posição de descrever como os instrumentos na realidade agiam, de modo que outros pudessem descrever para nós, com algum detalhe e com correção indubitável, como Joseph ou os instrumentos pareciam. Entretanto, pelo menos dois auxiliares de Joseph, pessoas que foram testemunhas do processo de tradução, fizeram declarações relativas a como Joseph na verdade traduziu o livro de Mórmon.



Um deles é David Whitmer. No final de sua vida, em resposta a algumas afirmações que estavam sendo feitas a respeito dele e a respeito do início da ascensão da Igreja, David Whitmer escreveu uma declaração aos "Crentes em Cristo". Ele escreve certo número de assuntos diferentes que detratam os primórdios da Igreja, mas ele também fala do processo de tradução. E isto é o que ele diz a esse respeito:



"Eu lhes darei uma descrição do modo em que o Livro de Mórmon foi traduzido.



"Joseph colocava as pedras dentro de um chapéu, puxando-o bem junto à face para excluir a luz". Ora, essa é a maneira que alguém certamente usará se estiver olhando através de um microscópio, e às vezes até um binóculo. É necessário excluir a luz de modo a estar apto a ver.



Assim ele diz: "No escuro a luz (sobrenatural?) brilharia. Um pedaço de uma coisa parecida com pergaminho apareceria e nele o escrito. Um caracter por vez apareceria e sob ele a interpretação em inglês. O irmão Joseph então leria o inglês para Oliver Cowdery, que era seu principal escrevente, e quando estava escrito e repetido para Joseph, para verificar sua exatidão, então desaparecia, e um outro aparecia com a interpretação. Assim, o livro de Mórmon foi traduzido pelo dom e poder de Deus e não por qualquer poder do homem." Essa é uma declaração muito interessante. Desejamos voltar a ela porque há muito nela que merece ser escrutinado.



Todos vocês sabem que Martins Harris permaneceu muitos anos fora da Igreja, jamais modificando seu testemunho da Igreja, jamais em tempo algum também sobre seu testemunho do Livro de Mórmon. Mais para o fim de sua vida ele foi visitado por Edward Stevenson, que era membro do Primeiro Quorum dos Setenta, que o reconverteu ao evangelho e o trouxe para Utah, onde permaneceu pelo resto de seus dias. Edward Stevenson teve numerosas entrevistas com Martin Harris sobre aqueles grandes acontecimentos sucedidos nos primeiros dias da restauração e as registrou. Ele perguntou-lhe muita coisa sobre a vinda à luz do Livro de Mórmon e recebeu uma declaração de Martin sobre como o Livro de Mórmon foi traduzido por Joseph que acho extremamente interessante e digna de consideração por um momento.



Isto e o que Edward Stevenson diz com relação à descrição de Martin: "Com ajuda das pedras videntes, sentenças apareciam e eram lidas pelo profeta e escritas por Martins. E quando terminado ele dizia "escrito", e se estivesse correto a sentença desaparecia e uma outra aparecia em seu lugar. Mas, se não estivesse escrita corretamente ela permanecia até ser corrigida, de modo que a tradução era idêntica ao que estava gravado nas placas, precisamente na língua então usada."



Bem, essa é uma declaração deveras interessante. Consideremos esta última parte da declaração em primeiro lugar. Ele observa aqui que Joseph leria o que estava escrito na pedra vidente, ou nos intérpretes nefitas. Se estivesse corretamente escrita pelo escrevente, cujo manuscrito ele não podia ver diretamente, mas apenas, através de inspiração, então continuavam. Mas, se não estivesse corretamente escrita ele a corrigia. Podemos ver no manuscrito original do Livro de Mórmon, cerca de um quarto dele ainda existe, (que esteve em anos recentes estudados inteiramente por Royal Skousen), em certos exemplos em que uma palavra, especialmente um nome, está escrito de uma forma e a seguir riscado e escrito de maneira um pouco diferente.



Posso imaginar bem nesses exemplos, Joseph lendo a palavra tal como ele a consideraria apropriadamente pronunciada. A pessoa que estava atuando como escrevente grafava a palavra tal como imaginava devia ser escrita. Mas, em poucos exemplos, ele a escreveu de forma não muito correta, e como resultado, Joseph, que podia ver o que estava sendo escrito, corrigiria a ortografia e então depois de corrigido continuaria. Em alguns exemplos é especialmente interessante, porque as correções fazem sentido apenas à luz desses nomes vindos do antigo Oriente Próximo, e que não faria grande sentido particularmente como um nome que tivesse ocorrido somente através da experiência dessas pessoas que falavam o inglês.



Em um exemplo particular, devo observar, um nome foi originalmente escrito com um ck no final dele. Joseph, então, quer o nome corrigido, uma vez que as ultimas letras não ck, mas ch. E assim vemos naquele manuscrito original o nome com o ck riscado e a seguir escrito com ch em seu lugar. Ora, possivelmente, para nós, a maneia que pronunciaríamos ch ou um ck no final de uma palavra poderia ser aproximadamente a mesma coisa, como o som de um k. Mas em Hebreu, e em muitas outras línguas a ela relacionadas, há uma grande diferença entre uma e outra. Elas representam duas letras ou sons totalmente distintos.



Ele diz algo aqui que acho muito interessante também. A tradução foi feita precisamente como estava gravada nas placas, na mesma linguagem usada então. Ele disse que isso acontecia porque as sentenças apareciam, e eram lidas pelo profeta e a seguir escritas por Martin, neste particular exemplo, ou por Oliver mais tarde, e então elas desapareciam depois de serem apropriadamente escritas. Acho que isso nos proporciona uma chave de como a tradução aconteceu, mas não nos diz necessariamente a história completa. Pode ter ocorrido a ambos, a David tanto quanto a Martin certos pressuposições concernentes a como uma escritura é revelada de modo que possa não estar correta. Quero dizer com "inerrantous" que a idéia de que, o que quer que Joseph recebia procedia diretamente da mente de Deus para as mãos de Joseph.



Quero agora deixar claro que é minha firme crença que o Livro de Mórmon é de origem divina. Por outro lado, parece-me que Joseph está profundamente envolvido no processo de tradução, em um número de maneiras importantes. Uma delas é, acredito, que Joseph tem de fazer escolhas com relação a certas palavras que são usadas na tradução inglesa. Creio que esse é o caso porque, como você certamente se lembra, na segunda edição do Livro de Mórmon de 1837, numerosas modificações foram feitas no Livro de Mórmon em inglês. E foram feitas por Joseph ou sob sua direção. Ora, se Joseph tivesse imaginado que tudo no Livro de Mórmon viera diretamente como Deus o revelara a ele sem qualquer possibilidade de modificação, porque, afinal, ele era expressamente e inteiramente, a palavra de Deus, e assim não estou certo se ele quereria fazer qualquer tipo de modificação.



Além disso, creio que o envolvimento de Joseph nesse processo todo de tradução é sugerido pelo que encontramos na seção nove de Doutrina e Convênios. Recordem-se que Oliver tinha um grande desejo de se envolver, não meramente como escrevente, mas também como tradutor, e então ele pediu que o dom de tradução fosse concedido também a ele. Oliver, então, é admoestado pelo Senhor, "Eis que não compreendeste; supuseste que eu o concederia a ti, quando nada fizeste a não ser pedir-me."



Então Oliver imaginou: "Tudo que tenho de fazer é dizer que desejo traduzir," e as palavras ser-lhe-ão dadas. Aí o Senhor diz, não, essa não é a maneira correta; ele continua e diz, "Mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo." Novamente, eu de preferência suspeito que Oliver tinha a idéia - se eu perguntar, o dom será dado a mim, e tendo o dom, não há um esforço particular envolvido de minha parte; eu simplesmente usarei os intérpretes, ou as pedras videntes, e serei capaz de traduzir. Mas aí ele aprende que é muito mais complicado e envolve um processo além daquilo.



Esses versículos, penso, sugerem que era requerido esforço por parte do tradutor; esforço real e genuíno. Buscar, encontrar a expressão apropriada, algo que não tivesse sido a situação, uma vez que é simplesmente revelado diretamente de Deus à mente e à pena do tradutor.



Existe mais evidências adicionais, creio, pois a idéia que estou a propor aqui, de que há real esforço envolvido por parte de Joseph, de que ele não está simplesmente, agora, escrevendo o que é dado direto à sua mente, mas está sendo requerido trabalhar idéias que lhe são dadas dentro de um inglês que seja coerente e aceitável em expressar as noções do texto original.



Temos um relato contemporâneo de um ministro, que era muito bem conhecido, tanto por suas atividades na Igreja Alemã Reformada quanto devotado inimigo da restauração. Seu nome era Deitrich Vilers. Ele estava escrevendo a dois colegas em York, Pennsylvania. Ele escreve em alemão. Ele fala a respeito da ascensão da Igreja, e inclui duas ou três afirmações que são muito interessantes. Compreendemos, naturalmente, que ele não está escrevendo como um crente, mas simplesmente alguém que reporta o que o povo é, naquele tempo, dizendo:



Ele diz: "O anjo indicava que sob essas placas haviam óculos escondidos, sem os quais ele não podia traduzir as placas; e, que por usar tais óculos, Smith encontrava-se numa posição de poder ler essas línguas antigas, as quais ele nunca estudara, e que o Espírito Santo revelara a ele a tradução para a língua inglesa. Vamos ler novamente essa última parte, pois acho isso muito interessante. Ele diz que com Urim e Tumim (os óculos) ele "estaria em posição (capacitado) a ler essas línguas antigas, as quais (Joseph) não havia estudado, (mas) que o Espírito Santo revelara a ele a tradução para a língua inglesa."



De acordo com um estudioso que escreveu sobre isso: "Assim, a tradução inglesa foi, de acordo com relatos contemporâneos, produto de impressões espirituais dadas a Joseph, mais do que aparição automática das palavras inglesas. Isso torna Joseph Smith, a despeito de suas limitações gramaticais, um tradutor, de fato, mais do que meramente um transcritor dos escritos de Deus."



Esse é o cenário que eu gostaria de sugerir. A Joseph é dado através de inspiração (por meio de Urim e Tumim, que é a pedra vidente ou os intérpretes nefitas), os meios pelos quais ele pode compreender palavras e idéias, e a relação entre essas palavras e idéias, da língua original tal como encontradas nas placas. Porém, cabe a Joseph a responsabilidade de colocar a seguir aquelas palavras de forma coerente na língua inglesa, tal como ele as compreendeu em sua mente.



Todos de nós que tiveram a experiência de aprender uma segunda língua pode saber que é possível chegar a um ponto em que não mais necessita traduzir da segunda língua para a língua nativa, a fim de ser capaz de compreendê-la. É possível ler simplesmente um documento e compreendê-lo sem traduzir palavra por palavra para o inglês.



Mas é também fato que o mesmo processo de tradução é, quando ele requer na verdade expressar aquelas idéias que alguém pode compreender na língua original sem realmente traduzir para o inglês, muito mais complicado quando há necessidade de expressar um inglês coerente. Alguém pode ser capaz de ler um documento em francês e compreendê-lo muito bem; mas se esse alguém foi solicitado, então, que traduza esse documento para o inglês, certamente requererá algum esforço real. O mesmo aconteceria se fosse um documento espanhol, alemão, e até mesmo um documento hebreu, ou seja que língua for que se selecione.



Deve ser muito fácil compreender na língua original - as idéias podem ser refletidas. Mas se alguém é solicitado fornecer alguma espécie de resumo, isto é, um breve sumário daquilo que diz, seria simples. Mas se essa pessoa é solicitada para fornecer uma tradução coerente, razoavelmente literal do material, há real dificuldade. Requer esforço, muitas vezes uma grande quantidade de esforço.



Esse é o esforço, penso, que foi referido pelo Senhor na Seção Nove de Doutrina e Convênios. Oliver precisava compreender que ele tem de ponderar em sua mente de modo a se capacitar para traduzir com sucesso. Quais palavras usadas por Joseph são palavras dele próprio, apesar de as idéias terem sido fornecidas por inspiração do Senhor, uma vez que, naturalmente, ele não teve qualquer oportunidade de aprender a língua bem o bastante de modo a estar apto a traduzir por si mesmo.



Bem, penso que, se aceitarmos que o processo de tradução segue dessa maneira, que Joseph tinha de usar seu próprio esforço, a fim de ser capaz de traduzir as palavras para o inglês de modo satisfatório e que traduzisse o sentido original corretamente e de forma apropriada, então, penso que poderemos compreender o passo seguinte do processo, que é mencionado tanto por Martin Harris quanto por David Whitmer; isto é, quando uma tradução aceitável tenha sido escrutinada por Joseph, em sua mente, ela então podia aparecer no Urim e Tumim e ser lida a seguir.



Agora devemos perguntar, bem, não seria possível a alguém mais aparecer com uma tradução diferente? E a resposta para isso é absolutamente sim. De fato, George Albert Smith, que foi o sétimo Presidente da Igreja, e um membro do Quorum dos Doze, que conheceu bem Joseph, diz que teria sido possível traduzir o Livro de Mórmon em muitas línguas diferentes, de forma adequada em numerosas línguas, e ainda ter o sentido original expresso apropriadamente. Eu sei por experiência própria nas classes em que leciono línguas, que, se eu pedir a um grupo de cerca de seis estudantes que traduzam um mesmo texto para o inglês, é concebível que eu obtenha seis diferentes traduções, cada uma, devo admitir, ser aceitável por traduzir o sentido original de forma correta.



Isso quer dizer que uma única forma de traduzir um texto, provavelmente, pela natureza da língua, vá ser rejeitada. Numerosas maneiras são freqüentemente utilizáveis, cada uma, aceitável ou com correção aceitável, expressará as idéias do original. Se alguma outra pessoa tivesse traduzido o Livro de Mórmon, eu provavelmente suspeitaria que algumas palavras poderiam ser diferentes, que parte da sintaxe poderia ter sido um pouco diferente, mas que o sentido não tinha sido modificado, desde que a pessoa estivesse traduzindo sob inspiração do Senhor.



Agora eu gostaria de ler alguns comentários que foram feitos por Emma com relação ao processo de tradução e que vão além tanto do instrumento, meios, método, mas que nos proporcionará alguma instrospecção no amplo contexto de tradução de Joseph. Já nos referimos a uma na qual ela responde a pergunta de como Joseph traduzia.



Neste momento eu gostaria de observar algo mais que ela nos diz de sua própria experiência de quando agia como escrevente. Ela diz, a uma pessoa que lhe pergunta a respeito da tradução, "Quando meu marido estava traduzindo o Livro de Mórmon, eu escrevi parte dele." (e devemos manter em mente que houve muita gente que escreveu a tradução, ou que trabalhou como escrevente para a tradução do Livro de Mórmon, embora aquele que escreveu a maior parte do que agora conhecemos como o Livro de Mórmon , foi Oliver Cowdery).



Ela diz: "Eu escrevi parte dele à medida que ele ditava as sentenças, palavra por palavra; e quando ele chegava a nomes próprios ele não conseguia pronunciar, ou palavras longas, ele as soletrava. E, enquanto eu as escrevia, se eu cometesse um erro de ortografia, ele me interrompia corrigia o erro" (a mesma coisa que vemos mencionada por Martin Harris com relação ao processo de tradução), "embora fosse impossível a ele ver," ela disse, naquele momento, como eu as havia escrito".



"Algumas palavras que ele não sabia como pronunciar, até mesmo palavras como Sarah ou Sariah - ela disse - ele tinha que soletrá-las", e ela então as pronunciava para ele. "Quando ele parava por alguma propósito, ele iniciava novamente a tradução, ele recomeçava de onde havia parado sem qualquer hesitação, e certa vez quando estava traduzindo ele parou subitamente, pálido como um lençol, e disse, ' Emma, Jerusalém antiga tinha muralha?' Quando eu respondi que tinha, ele replicou, ' Oh, eu estava com medo de haver me enganado.'" Ela escreveu, "Ele tinha um conhecimento tão limitado de história naquele tempo, que nem mesmo sabia que Jerusalém era cercada por muralhas."



Bem, David Whitmer diz quase a mesma coisa a respeito desse mesmo acontecimento. "Quando, ao traduzir, chegou-se pela primeira vez ao local onde Jerusalém era mencionada como sendo uma cidade cercada por muralhas, ele parou até eles encontrarem uma cópia da Bíblia e mostrarem-lhe onde aquilo estava registrado; Smith não acreditava que ela fosse uma cidade cercada.



Bem, Emma diz outras coisas maravilhosas, acho, no curso da longa entrevista que ela teve com seu filho, Joseph Smith III, com seu segundo marido, Major Bidemon, e muitos outros. Esta entrevista, que apareceu o Saints Herald em 1879, um pouco antes de sua morte, é composta de perguntas e respostas. Eu gostaria de lê-la para vocês porque, novamente, ela nos fornece uma introspecção no Livro de Mórmon de tal forma importante e bela e um grande testemunho da pessoa que conheceu, melhor do que qualquer outra, a Joseph Smith, e que esteve mais próxima dele durante o tempo em que ele estava traduzindo o Livro de Mórmon, também do que qualquer outra pessoa.



A primeira pergunta é: "O que tem a dizer a respeito da verdade do Mormonismo?"



E a resposta: "Eu sei que o Mormonismo é a verdade e eu acredito que a Igreja foi estabelecida por divina direção. Tenho completa fé nisso. Quando escrevendo para seu pai - Joseph - eu escrevia, freqüentemente, dia após dia, normalmente assentada à mesa próxima dele, ele ditando, hora após hora, com nada entre nós."



Próxima pergunta: "Ele não tinha um livro ou manuscrito que lia e ditava para você?"



Sua resposta: "Ele não tinha manuscrito ou livro do qual ler."



Pergunta: "Ele não poderia ter e a senhora não ter visto?"



Resposta; "Caso tivesse algo semelhante ele não poderia ter ocultado de mim."



Pergunta: "Está certa de que ele tinha as placas durante o tempo em que escrevia para ele?"



Resposta: "As placas freqüentemente ficavam sobre a mesa sem qualquer tentativa de ocultá-las, envolvidas num pequeno forro de linho que eu lhe dei para embrulhá-las. Elas pareciam flexíveis como um papel duro e tiniam com um som metálico quando as bordas eram movidas pelo polegar, como uma pessoa fazem com as páginas de um livro."



Pergunta: "Onde meu pai e Oliver escreviam?"



Resposta: "Oliver Cowdery e seu pai escreviam na sala onde eu trabalhava."



Pergunta: "Não poderia meu pai haver ditado o Livro de Mórmon para a senhora, ou para Oliver Cowdery, e outros que escreveram para ele, após ter escrito ou tendo primeiramente lido a história de algum outro livro?"



A resposta aqui é propositadamente forte, mas creio que isso proporciona algo muito importante. Ela diz: "Joseph Smith não conseguia ditar ou escrever de forma ordenada e coerente uma carta sequer, muito menos ditar um livro como o Livro de Mórmon. Embora eu fosse participante ativa nas situações e estivesse presente durante a tradução das placas, e tivesse conhecimento das coisas como transpareceram, é algo maravilhoso para mim, u'a maravilha e um assombro tanto quanto para qualquer pessoa."



Pergunta: "Devo supor que a senhora poderia ter descoberto as placas e examinado-as."



Sua resposta: (isto, acho, reflete em sua própria fé de forma interessante): "Eu não tentei manusear as placas além do que lhe falei, nem mesmo as descobri para vê-las. Eu satisfazia-me saber que era um trabalho de Deus e, assim sendo, não senti que fosse necessário proceder dessa forma."



Nesse momento seu marido, Major Bidemon, perguntou: "O Sr.Smith proibiu-a de examinar as placas?"



E ela respondeu-lhe: "Não, ele não o fez. Eu sabia que ele as possuía e não estava particularmente curiosa a respeito delas. (E eu amo esta parte da resposta.) Eu as mudava de lugar para lugar sobre a mesa à medida que fosse necessário ao fazer meu trabalho de casa."



Bem, numa outra parte da mesma entrevista penso que também refletia um pouco de seu testemunho, tanto quanto nos proporciona uma visão desses eventos grandiosos.



Esta pergunta agora é de seu filho Joseph III: "Mãe, qual é sua crença a respeito da autenticidade e origem do Livro de Mórmon?"



E sua resposta: "Minha crença é que o Livro de Mórmon é de autenticidade divina. Eu não tenho a menor dúvida a esse respeito. Eu estou satisfeita [por saber que] nenhum homem poderia ter ditado e escrito o manuscrito a menos que estivesse inspirado. Pois, quando estava servindo de escrevente, seu pai ditava para mim, hora após hora, e quando voltávamos após as refeições, ou depois de interrupções, ele reiniciava imediatamente da parte onde havia parado, sem ver o manuscrito ou ouvir qualquer parte disso lida para ele; isso era algo comum que ele fazia. Parece-me improvável que homens letrados possam fazer isso, e para alguém com pouco preparo como ele então, seria inteiramente impossível."



Bem, existe também um outro grande testemunho do trabalho de tradução de Joseph. Eu gostaria de ler o que David Whitmer nos fala sobre a disposição que Joseph tinha de ter para fazê-lo. Não devemos imaginar que Joseph poderia fazê-lo automaticamente. Já vimos através da história de Martin Harris que se tratava de uma pedra muito particular que era denominada pedra vidente, assim ele precisava encontrar-se com disposição apropriada a fim de estar apto a usar as pedras videntes ou os intérpretes nefitas.



David conta esta história: "certa manhã quando Joseph se preparava para continuar a tradução, algo errado aconteceu na casa, e Joseph descontrolou-se a respeito daquilo. Algo que Emma, sua esposa, tinha feito. Oliver e eu subimos para o andar superior e pouco depois Joseph subiu para continuar a tradução, mas ele nada pôde fazer. Ele não conseguia traduzir uma sílaba sequer. Ele então desceu as escadas, foi para o jardim, e suplicou ao Senhor. Uma hora já havia se passado quando ele voltou para a casa, pediu perdão a Emma, e a seguir subiu para onde estávamos e a tradução continuou normalmente. Ele nada podia fazer, a menos que fosse humilde e fiel."



Muitas outras coisas poderiam ser ditas sobre a tradução. Apenas mais um par delas eu gostaria de mencionar para terminar. Primeiro, a menos que imaginemos que esse processo de tradução era algo simples, algo que qualquer pessoa poderia fazer, eu gostaria de sugerir o teste que o irmão Hugh Nibley sugeriu para qualquer pessoa que queira fazê-lo. Até este momento, a propósito, não conheço ninguém que o tenha aceito, embora o Livro de Mórmon tenha muitos que questionam sua divina autenticidade.



Isto é o que ele sugere a alguns de suas classes do Livro de Mórmon:



Uma vez que Joseph Smith era mais jovem do que a maioria de vocês [agora, naturalmente, ele está falando a um grupo de estudantes da BYU], e de forma alguma tão experiente ou bem educado como qualquer um de vocês no tempo em que ele registrou o Livro doe Mórmon, não seria muito pedir a vocês que tragam pelo final do semestre (que naturalmente lhes proporciona mais tempo do que ele tinha, uma vez que todo o Livro de Mórmon foi concluído dentro de um espaço de 84 dias ou quase), um trabalho com 500-600 páginas de extensão.



Chamem-no um livro sagrado se quiserem, e lhes dê a forma de uma história. Falem de uma comunidade de judeus errantes em tempos antigos. Coloquem todo tipo de personagens em sua história, e envolva-os m todo tipo de vicissitudes públicas e privadas. Dêem-lhes nomes, centenas deles, com a pretensão de que são nomes hebreus e egípcios de cerca de 600 anos A.C. Sejam pródigos com os detalhes da cultura e técnica, modos e costumes, artes e indústrias, política e instituições religiosas, ritos e tradições. Incluam histórias militares e econômicas complicadas. Façam sua narrativa cobrir mil anos sem espaços muito grandes. Mantenham um número de histórias locais interrelacionadas acontecendo ao mesmo tempo. Fiquem à vontade para incluir controvérsia religiosa e discussões filosóficas, sempre em ambiente plausível.



Observem as convenções literárias apropriadas e expliquem a origem e transmissão de seu material histórico variado. Acima de tudo, jamais se contradigam. Pois, agora nos encontramos na verdadeira parte mais difícil dessa tarefa. Vocês e eu sabemos que vocês estão inventando tudo isso. Temos nossa piadinha. Mas da mesma maneira, ser-lhes-á requerido publicar o documento quando o terminarem, não como ficção ou romance, mas como história verdadeira.



Após entregá-lo não poderão fazer qualquer modificação. Nesta classe sempre usamos a primeira edição do Livro de Mórmon. O que é mais importante, vocês deverão convidar qualquer e todos os estudiosos para lerem e criticarem seu trabalho livremente, explicando-lhes que se trata de um livro sagrado par e passo com a Bíblia. Se eles parecerem cépticos, vocês deverão dizer-lhes que traduziram o livro a partir de registros originais com a ajuda de Urim e Tumim. Eles vão amar isso! A seguir, para todas suas duvidas, vocês devem dizer-lhes que o manuscrito original eram placas de ouro e que as obtiveram de um anjo!



Agora mãos à obra e boa sorte!



Considerem isso como uma tarefa dada a Joseph - e isso é precisamente o que aconteceu.



Sidney Rigdon, refletindo sobre suas experiências nos primórdios da Igreja, recordou em abril de 1844, algo que considero muito interessante de contar. Ele diz, "Recordo que no ano de 1830, encontrava-me com todos da Igreja de Cristo numa pequena e velha casa feita de toras de madeira com cerca de 20 pés quadrados, em Waterloo, Nova York, e começamos a falar sobre o Reino de Deus como se tivéssemos o mundo sob nosso comando. Falávamos com grande confiança. Falávamos de coisas grandiosas. Embora não fossemos muitos, tínhamos grandes sentimentos. Sabíamos há quatorze anos atrás que a Igreja se tornaria tão grande quanto é hoje. Éramos maiores então do que jamais fomos. Se não tivéssemos visto este povo, pois vimos em visão a Igreja de Deus mil vezes maior, embora não passássemos de homens rústicos bons para a fazenda, ou para encontrarmos uma mulher com um balde de leite. Todos os Elderes, todos os membros, reunidos em conferência numa sala de 20 pés quadrados."



Particularmente imagino que Sidney e outros membros nos primórdios da Igreja também tenham tido uma visão, não meramente dos anos da Igreja na década de 1840, mas em nossos próprios dias, e puderam prever o tipo de crescimento que temos tido. Mas não é meramente o crescimento que vem através de números que estamos procurando, mas a firmeza de cada indivíduo que se tornam membros através de testemunho. Estou certo que uma das razões que os presidentes da Igreja, mais recentemente o Presidente Benson, têm dado tanta ênfase na importância de lermos e estudarmos o Livro de Mórmon é por não haver melhor caminho onde possamos nos tornar fortes na Igreja, e ganharmos aquele testemunho que nos capacitará fazer nossa parte no cumprimento desse destino do que através do Livro de Mórmon.



Eu vejo o Livro de Mórmon como um dos grandes dons que nos foi dado por Deus nesta dispensação. Tal como a restauração possibilitou trazer à luz a "obra maravilhosa e um assombro" que foi profetizada por Néfi, uma parte muito importante dessa "obra maravilhosa e um assombro" foi o surgimento do Livro de Mórmon. Confio em que levaremos seriamente a cabo a obrigação de ler e estudá-lo, que começaremos a apreciar quão maravilhoso ele é, tanto pelo maneira que ele surgiu, como naquilo que ele nos diz. Oro para que possamos lê-lo, que o estudemos, que o levemos a sério em nossas vidas, e que cresçamos com ele, em nome de Jesus Cristo. Amém.


Share/Bookmark ~ domingo, 11 de julho de 2010 0 Comentários

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